Comentários: Mas que raio de surdez...neste mundo português !

mais uma vez, clap, clap, clap!

A Valéria não só descobre, como revela o seu eu interior!

já agora (isto é malicioso :p), se gravar um cd é barato, sabe-me dizer qto custa editar um livro?

Afixado por golfinho em março 5, 2004 04:43 AM

Golfinho-gravar um CD não é nada barato, se o quizermos com um qualidade sonora razoável.Um livro, tb é muito caro,e depois há o problema da distribuição,que pertence a meia-duzia de tubarões,que decidem como vai ser a cultura do nosso país.Assim vai o mundo português. Até para produzir Cultura, é preciso primeiro ter dinheiro.Se o não tivermos...Por isso ,a Cultura em Portugal está como está.Se ao menos tivéssemos um Ministério da Cultura !

Afixado por Valeria Mendez em março 5, 2004 05:07 AM

era o q eu pensava... e sabia, daí ser "maliciosa" a pergunta...

por isso só dois livros meus terem sido publicados
por terem ganho prémios literários, patrocionados por esse mesmo ministério da cultura (por vezes é preciso entrar dentro do sistema e subvertê-lo :D ), ao passo que aquilo que eu quero e vou editar, vai saír do meu bolso, em edição de autor.

É o Estado da Cultura...

Afixado por golfinho em março 5, 2004 07:11 PM

Neste País não só na música noutras áreas da cultura e não só o fenómeno repete-se. As oportunidades são exclusivamente para os mesmos, aqueles que a comunicação social promove. Como se
no nosso universo de 10 milhões de habitantes, só cantam bem, só escrevem bem só pintam bem, etc., etc, sempre as mesmas pessoas a quem são feitas referências sistemáticamente. Com este tipo de procedimentos de editoras discográficas, livreiras etc., temos forçosamente de continuar limitados à oferta.

Afixado por congeminações em março 6, 2004 12:01 PM

...o resto são cantigas... e vestidos originais.

Um abraço,
Francisco Nunes

Afixado por Planície Heróica em março 6, 2004 07:54 PM

"a meia-duzia de tubarões,que decidem como vai ser a cultura do nosso país.Assim vai o mundo português. Até para produzir Cultura, é preciso primeiro ter dinheiro"
A questão primodial está aqui nestes tubarões que definem e orientam a produção da cultura em Portugal seja em que area for da cultura.

Afixado por vmar em março 7, 2004 12:04 AM

Valeria, não vejo mal algum em regravar temas de Amália ou de outro qualquer artista, como também não vejo problema em interpretá-los colados a Amália (mesmo os seus intérpretes perdendo com a comparação). A maior parte das vezes, não é mais do que uma maneira de homenagearem a Diva. A verdade é que Amália cantou quase tudo o que havia para cantar, e é quase inevitável cantar um ou outro fado já interpretado por ela ou por outro, quando se grava um disco de fado.
Já nem entro pela questão dos fados tradicionais (segundo alguns puristas esses é que são fados) que Amália também cantou e que tanta gente gravou com outras letras mas copiando o estilo amaliano. Não me parece que esses artistas se queiram comparar a Amália e além do mais, se uma canção é boa porque é que não há-de ser cantada?

Parece-me que essa história da inovação no fado das novas gerações, é mais criação mediática que outra coisa. A maior parte das vezes, quem profere essas afirmações não sabe distinguir um «corrido» dum «mouraria». No fado, guio-me pelo que me arrepia ou não. E não tenho dúvidas ao dizer que, da chamada nova geração, ninguém estila como a Kátia. Para mim, claro.

Afixado por Fernando em março 10, 2004 09:20 AM

Oh Fernando,continua a não perceber o que escrevi-Eu nao me referia,claro está aos Fados tradicionais.Refiro-me sim àqueles que foram escritos por Amália,e àqueles que foram compostos de propósito para Amália,como é o caso dos trechos de Alain Oulman , Frederico Valerio ou Alberto Janes. Esses, ou mudamos tudo,e criamos algo,melhor ou pior não importa; ou caimos no ridiculo. Quanto à Katia, pode cantar muito bem,mas para mim perdeu todo o valor quando tem a ousadia de gravar tanta coisa da Amália,com o mesmo tipo de acompanhamento,a mesma orquestração,e até as mesmas pausas.Assim,caro amigo,onde estará a criatividade?Ond está o improviso próprio? Depois outra coisa que me aborrece profundamente, é o facto dela se apossar das composições,como aliás o faz a Mariza, sem sequer apresentá-las publicamente como recriações dum tema amaliano. Amália também gravou coisas de outros. Tomo por exemplo o Cheira a Lisboa.É um tema de Anita Guerreiro, gravado em forma de marcha,com acompanhamento à orquestra.Amália transformou-o num Fado autêntico, com acompanhamento à guitarra,dando a sua propria interpretação, muito longe do estilo da Anita.Percebeu agora? Saudações fadistas p/ si. Obrigada pela visita!

Afixado por Valeria Mendez em março 10, 2004 10:07 AM

Valeria, eu também não me referia aos fados tradicionais («Já nem entro pela questão dos fados tradicionais» foi o que escrevi). Mas já que vieram à baila, quer dizer que não há problema em gravar «Povo que lavas no rio» ou «Estranha forma de vida», mas já há em gravar «Perdigão» ou «Maria Lisboa»?

Não percebo porque é que caímos no ridículo se não mudarmos tudo. Que raio, cada um canta como quiser, inclusive igual. Ridículo é haver por aí gente a cantar mal como o caraças (fado e não só) e a ser elogiada a torto e a direito.

Também acho que exagera quando diz que se apossaram de temas amalianos. Em primeiro lugar, os temas são dos autores. A interpretação duma canção é "apenas" um meio para que a canção ganhe vida. Bem sei que o Valério e o Oulman compuseram canções especificamente para Amália, mas isso não faz dela dona das canções. Até houve fados gravados pela primeira vez por Amália, que só foram para ela porque foram recusados por outros fadistas: «Vou dar de beber à dor» de Alberto Janes, foi primeiro oferecido à Fernanda Maria que não gostou, por exemplo.

Os fadistas geralmente apresentam as canções pelos autores: «de fulano e sicrano vou cantar-vos xpto». Ninguém acrescenta que foi gravada por este, aquele, o outro e aqueloutro.

Mas concordo que uma coisa é cá, outra é lá fora. Quanto mais não fosse pela divulgação do nosso património musical, seria sempre de bom tom referir Amália e não só. Mas isso, querida Valéria, não fez a Mariza, e não faz muita gente.

Afixado por Fernando em março 10, 2004 11:02 AM