So ontem descobri a notícia fatal: SARA ALEXANDER deixou-nos em finais de Maio,vítima de um cancer. Há já largos anos que não falava com a artista israelita radicada em Paris,com quem em 1989/90 realizei, porventura, a minha maior digressão pelo Médio Oriente, que incluía, dois grandes espectáculos- um junto às vetustas muralhas da cidade velha de Jerusalém, e outro no Teatro Al Hakawathi, da mesma cidade. Duas iniciativas da PEACE NOW e da ASSOCIATION FRANCE- PALESTINE, que viriam a ter na altura grande repercussão a nível internacional, pois só no concerto ao ar livre, juntar-se-iam cerca de quarenta mil pessoas, judeus,palestinianos,ocidentais, que se deslocaram de propósito a Jerusalém,para gritarem um basta ao conflito israelo-palestiniano. No mesmo palco, artistas israelitas,árabes, Collette Magny, Georges Moustaki, Cat Stevens, Mohamed Bhar, grande virtuoso do alaúde, e eu, junto à enorme energia de Sara Alexender, fizemos força pelo projecto da Paz e da Concordia.
Durante um mês, eu,a Sara, e apenas três dias o Moustaki, partilhamos o mesmo hotel, e o jantar dava lugar à tertulia. Vivíamos momentos conturbados, discutia-se a intifada, o valor de Arafat em todo o imbroglio da política do médio oriente, assistimos em directo pela TV, à triste e desesperada execução de Ceauscescu e sua mulher, Elena...
E...no meio de tanto debate ,e de tanto mastigar situações pouco abonatórias ao ser humano, lá vinha a Sara,com um pedido, a que eu não houvera podido recusar: " Então, para desanuviar, porque não nos cantas um fado da Amália Rodrigues?"
E lá ia eu, até ao canto da sala onde repousava a minha velhinha guitarra portuguesa, e começava a tocar o mouraria ou o menor: "Os meus olhos são dois círios..." e acabávamos todos, a trautear o "Coimbra" (April in Portugal). E depois lá vinha a Sara com o seu acordéon e a sua voz de cantora "engagée", e até uma madrugada, tivemos a honra de escutar Moustaki: "Ma Liberté, longtemps je t`ai gardée, comme une perle rare..."
A Morte, essa terrível e inefável fronteira. "La Santa Muerte", como dizem os mexicanos, veio uma vez mais, quiçá dar razão à minha querida Amália Rodrigues, que um dia desabafou: " A morte torna a vida absurda".
infelizmente venho a conhcer esta artista só agora.Como perdi tamanha qualidade durante toda a vida?Que sorte teve a Valeria de ter tido a honra de trabalhar e conviver com ela.
Afixado por: Lili em agosto 31, 2009 03:01 PMEssa artista é-era- um show.Creio ja ter lido algo sobre ela mas não conhecia.A valeria tambem só a vi uma vez na RTPI,estava eu em Cardiff,UK a trabalho.Já bim de bez pó meu Porto.Abraço
Afixado por: Ferro em agosto 31, 2009 09:20 PMCreo que Amalia Rodrigues tenia razon-la vida es absurda.La santa muerte nos llevara a todos.
Já pensaram que talvez possa ser o contrário?Que é o facto de morrermos que nos força a valorizar a vida? Já pensaram como seria se fôssemos eternos?...como dizia, no entanto, o Jorge Palma numa entrevista:"chateia-me ter que morrer"...
e o Raúl Solnado"...vou com o papinho cheio"...
Não conhecia a Sara que menciona e vou abrir o youtube para mesmo tarde conhecer...
Um abraço do Morfeu
Un saludo especial para ti,Valeria.Sara Alexander-Paz a su espirito.
Valeria,como pasa el tiempo...creo 2003, Huelva?
Cara Valéria, queria agradecer-lhe o comentário que deixou no meu blogue. Realmente gostava de perceber porque é que não consegue comentar no Soldado do Fado, visto não ser a primeira pessoa a alertar sobre a situação.
E, em relação ao que afirmou, é impossível não me lembrar de si, pois a Valéria e a Amália andam a par, não andam? Pelo menos é assim que se me afigura...
Queria congratulá-la por este seu blogue, que tenho vindo a seguir desde que entrei nestas lides.
Até breve e felicidades.