É natural que, observando os contéudos deste vosso, meu humilde blog, o mais incauto infira, que algo vai mal no reino da Dinamarca. Não há uma profusão de textos, crónicas e comentários, a que eu havia habituado o meu "publico" em 2003,2004,2005... Recebo, por vezes, alguns emails inquiridores sobre a razão dos meus longos silêncios bloguísticos. A verdade, é que, a vida é feita de ciclos, e nos ultimos tempos, não me apetece escrever. Teria sem duvida carradas de assuntos que me empolgariam, desde o acertado "Por que no te callas" de Sua Alteza Real Espanhola, até às reviews de alguns espectaculos a que tenho assistido, passando por um reviver de emoções das minhas viagens passadas. A minha costela crítica continua cá. Falta-me a vontade de expressá-la publicamente.
Respondendo também a algumas perguntas sobre a minha actividade artística, dir-vos-ei, tal qual corrigi no cabeçalho desta página, passei de "fadista" a "ex-fadista". E isto porque, o interregno já dura há mais de um ano, e não existem motivações para continuar. Há falta de musicos por aqui, os que existem não comungam da minha estranha forma de ver o Fado, e eu continuo aqui, agarrada a esta ilha, a estas árvores, a estas gentes, a estes gatos, a estas terras feiticeiras, sem poder ausentar-me muito, sob pena de me transformar numa zombie, numa infeliz. Porque será que esta terra me magnetiza tanto? Tanto, que me faz desistir de muitas coisas belas que já vivi...Sem contudo me fazer, por isso mesmo, infeliz.
Hoje fui ao cemitério. Passeei-me por entre os ciprestes, as almas falaram comigo, e foi cá um recordar de vidas, que foram desde o riso às lágrimas... Depois, passei por entre velhos eucaliptos, que me fizeram instintivamente, desligar o ar condicionado do carro, e deixar entrar aquela brisa fresca e antiga, por entre os teimosos raios de sol, rasgando os altos braços dos pinheiros, qual meu irmão, "... oh pinheiro irmão, tu também és como eu/ também tu estendes em vão, oh pinheiro irmão, teus braços pr'ó céu..."
Aos meus Amigos, Caros Leitores, dir-lhes-ei que não abandonarei este cantinho. Ele servirá porventura como um encosto certo, um ombro que sei estar sempre disponível para as minhas opiniões, as minhas críticas, os meus desabafos...E por enquanto, lá virão um, dois ou três textos mensais...mas nada mais. Estou, neste ciclo, mais virada para dentro, mais inquieta com o que lá descubro e posso vir a descobrir...E às vezes, que medo tenho do que tenho dentro, bem dentro...de mim.