maio 27, 2005

Quatro Passos do Fado


Aqui ficam, quatro crónicas sobre a História do Fado, quatro Passos que deu o Fado, antes da era Amaliana.

DE PROSCRITA A ÍCONE DUMA MUSICA URBANA

BOA NOITE, MENOS PR'Ó VIOLA

A PRIMEIRA VEDETA INTERNACIONAL DO FADO

ANDA, PACHECO !

Publicado por Valéria Mendez em 05:07 PM | Comentários (0)

maio 13, 2005

FADO À FORÇA NUM HOTEL DE JERUSALÉM ORIENTAL

A sala do National Hotel,de Jerusalém Oriental,estava pejada de homens e mulheres, todos ostentando o 'kafieh', o lenço palestino, ao pescoço. O encontro era clandestino. Haviam fortes indícios que, aquele encontro entre activistas do Al Fatah, jornalistas e activistas estrangeiros, poderia estar na mira do Mossad israelita.
A pressão, o medo e a revolta pairavam no ar.
O governo israelita houvera proibido concentrações publicas e privadas de teor político, e o 'Al Fatah' convocara aquele encontro, aproveitando a presença duma bateria de jornalistas franceses e italianos para, numa improvisada conferência de imprensa, apresentar fotografias, relatos narrados na primeira pessoa, e um video-amador, denunciando as atrocidades cometidas pelos militares judeus, em terras ocupadas da Palestina. Os sucessivos 'check-points' na Cisjordânia, inviabilizavam qualquer incursão dum estrangeiro a tais paragens.
Na altura, eu estava no Hotel, e havia há pouco, participado numa manifestação e num espectáculo, organizado pela 'Association France-Palestine', que conseguira, junto às vetustas muralhas da cidade velha, concentrar vários milhares de pessoas, que logo seriam dispersadas, pelas bombas de água e balas de borracha de Israel, impedindo o termino do evento, em Paz e segurança. Um exemplo da democracia do governo dos seguidores da Torah.
O encontro decorria normalmente, e a certa altura, alguém irrompe na sala, alarmando os presentes, com a notícia de que na rua, verificava-se um movimento de viaturas suspeitas. No momento, projectavam-se no plasma, slides com fotografias de meninos mortos, feridos, velhos prostrados junto de amontoados de cimento e pedras, logo após uma demolição da antiga casa duma familia palestiniana dos arredores de Jenin, que subitamente, vira-se sem lar e sem bens, fruto de mais uma criminosa instalação dum novo colonato judeu.
Instintivamente, e quase sem pensar, corri para o canto do bar, onde houvera depositado a minha velhinha guitarra portuguesa, que apesar de ser muito mal tocada por mim, havia-me acompanhado até tão distantes paragens. Tenho por hábito de, em todos os meus recitais,acompanhar-me a mim própria, num ou dois fados tradicionais, fazendo um pouco de pedagogia do Fado, explicando a base da Canção dos Bairros de Lisboa, o Mouraria, o Corrido e o Menor.
Num ápice, estava eu no pequeno palco da Sala do National Hotel, cantando o refrão do "Coimbra", como se estivesse em cena há já algum tempo. Entretanto, alguém houvera já desligado o plasma, e todos os presentes, em tácito acordo, já cantavam comigo o 'lá lá lá', do célebre 'standard' do Fado, que Amália internacionalizou nos anos 50.
Não havia ainda terminado o fado, quando, um grupo de homens à paisana, irrompia sala adentro, de forma truculenta e ameaçadora.
Continuei a cantar...
No fundo da sala, os caciques entreolharam-se, perscrutaram aquele grupo heterogéneo de palestinos e estrangeiros de diversas proveniências. Finalizei o "Coimbra", e em inglês e francês, anunciei, "para terminar o espectáculo", uma canção do folclore do Norte de Portugal, um Malhão, pedindo a colaboração de todos, marcando o ritmo com palmas.
A meio do Malhão, e apesar da adrenalina correr a mil nas minhas veias, tive uma enorme vontade de rir, quando olhei para o fundo da sala, e vi uma dúzia de caciques armados com pistolas à cintura, a baterem palmas, ao som dum Malhão português...
Passados uns minutos, o Director do Hotel, um palestiniano formado em Gestão Hoteleira na Suiça, conferenciava baixinho com o grupo. Afinal, aquela concentração de pessoas no hotel "não passava dum simples concerto duma cantora desconhecida, originária dum país chamado Portugal."
Acabaram por sair, sem incomodar nenhum dos presentes.
Mais tarde, soubemos que na rua encontravam-se vários carros militares, prontos para desancar em tudo e todos.
Depois do perigo passar, e duma apurada investigação nos arredores, levada a cabo por sete activistas estrangeiros, finalizava-se mais rápidamente do que estava previsto, o motivo real da reunião.
E foi então quando, recebi uma das maiores ovações da minha carreira, porventura a mais sentida, e bizarramente sem nada ter que ver com o Fado.
Um jovem palestino do Al Fatah, de lágrimas nos olhos, veio ter comigo, apertou-me a mão, e disse-me: "Tu hoje foste um de nós. Agora...tu és também palestiniana."
"Maktoub!"(estava escrito!), retorqui ao jovem, apertando-lhe a mão trémula.
Afinal, o "destino traçado", sentimento tão fadista e português, não estava assim tão longe do arábico sentir dos insondáveis mistérios da vida, dos povos distantes do Profeta...

Publicado por Valéria Mendez em 02:17 PM | Comentários (23)

maio 05, 2005

Deambulações sobre a NATUREZA , elemento de comunicação com Deus

" ... Quando estais na Natureza, deveis ter consciencia da presença de todos os espíritos que a povoam e que lá existiam muito antes de nós termos aparecido à face da Terra. É bom ligar-se a eles, falar-lhes, maravilhar-se perante a beleza do trabalho que realizam sob a Terra e sobre a Terra, na água, no ar. Nessa altura, eles ficam felizes, tornam-se vossos amigos, sorriem-vos, oferecem-vos presentes: a vitalidade, a alegria, a inspiração poética, e até a clarividência.
Mas não deveis ficar por aí. Deveis participar num trabalho divino, todos esses biliões de espíritos que povoam a Natureza. Quando passeais na floresta ou na montanha, dirigi-vos a todas as criaturas invisíveis que estão lá a contribuir, através da sua actividade, para a vida das pedras, das plantas, dos animais, e pedi-lhes que venham em auxílio de todos aqueles que trabalham para o Amor, para a Luz, para a Paz - para o estabelecimento do Reino de Deus sobre a Terra.
... ' O que está em baixo é como o que está em cima '- Afirmando esta correspondência entre o mundo de cima e o mundo de baixo, Hermés de Trimegisto estabeleceu as bases da Magia.
A Magia não é mais do que uma comparação entre a Terra e o Céu. Eis a definição mais verídica da magia: Um trabalho em que comparamos continuamente a Terra com o Céu. E através desta comparação, o Homem compreende o trabalho que tem de fazer sobre a Terra : Fazer vibrar a Terra em harmonia com o Céu, fazer descer o Céu à Terra...
A realização do Divino na matéria - é isso a Magia Divina, a Teurgia. "

OMRAAM MIKAHEL AIVANHOV *, in "A Magia Divina"

* Escritor, Filósofo, Pensador e Feiticeiro búlgaro (1900-1986)

Nota da editora do Blog:
Talvez por isso mesmo,eu seja tão feliz, quando comungo da companhia da Natureza pura, nos meus longos passeios por dentro do verde profundo da Natureza. Talvez, por isso mesmo, este livro me viesse parar às mãos. E por isso, não podia deixar de partilhar com os meus leitores, esse conhecimento.

Publicado por Valéria Mendez em 01:59 PM | Comentários (10)