Celebração
A CORJA SERVIL SAÍRA À CAÇA
DO HOMEM DO PENSAMENTO LIBERTO
TERIA DE DEIXAR TUDO, A CASA, A TERNURA, A PRAÇA
E PARTIR PR'A LONGE, DAS GRADES, ALI TÃO PERTO.
O PAÍS DOS SARGAÇOS, QUEBRADO, PARTIDO,
VERGADO À CORJA SERVIL E AO SEU REI,
O PAÍS DOS MIL OLHOS, QUE A TODOS AMEAÇA,
QUE TRANSFORMA HOMENS BONS, EM FORAS-DA-LEI.
FALAR CONTRA A GUERRA, GRITAR LIBERDADE,
É CRIME PUNIDO POR ALTA TRAIÇÃO,
DESAFIANDO DEUS, SHEEVA, BUDA OU CRISTO,
SERVIR O PAÍS, É MATAR UM IRMÃO.
A SALTO PASSOU PR'ÀS TERRAS DE FRANÇA
CHOROU DESVENTURAS, RAIVA, SAUDADE,
E ANOS PASSADOS, NUM DIA DE ABRIL,
VOLTOU A SORRIR, CANTOU LIBERDADE.
Valéria Mendez
(em memória do Senhor Mário Baptista, um senhor de 75 anos, que conheci na cidade de Nice (França), no final dum espectáculo, e da narrativa da sua fuga à guerra do Ultramar. Morreu de repente, cinco anos depois. Durante o sono. Como um Anjo. Mas sei que morreu feliz. Porque seus filhos, não conheceram o Portugal amordaçado. Porque Portugal, já não mandaria os seus netos pr'à guerra...)
E PORQUE PORTUGAL NÃO DEVE NUNCA BRANQUEAR A MEMÓRIA DA SUA HISTÓRIA, EIS AQUI O MEU FADO, DEDICADO AO HEROI, QUE PORTUGAL AINDA NÃO SOUBE CELEBRAR.
Fado Salgueiro Maia
TRAZ A TUA FORÇA, AMIGO
TRAZ TAMBÉM O CORAÇÃO
QUE NÓS ESTAMOS CONTIGO
PR'A CUMPRIR A REVOLUÇÃO.
TRAZ TAMBÉM TEUS OLHOS VERDES
LUZ DUMA ESPERANÇA CALADA
TRAZ TAMBÉM A TUA AURA
DE HOMEM PURO, MADRUGADA.
MEU AMOR, LIVRO DE HISTÓRIA
NOBRE RAIZ DE IMBONDEIRO
TRAZES NO FUNDO DO PEITO,
O GRITO DA LIBERDADE, SALGUEIRO
MAIA DUM MAIO MADURO
FRUTO DE ABRIL CONQUISTADO
MAIA, PASSO DE CORAGEM
DUM PORTUGAL BEM FADADO.
Valéria Mendez
"Não se ouve falar de outra coisa que não seja o Novo Fado , seja lá isso o que for. Todos os dias nasce uma Amália nova. Todos os dias, os jornais publicam novidades sobre a ultima nova Amália. A musica portuguesa internacionaliza-se. Pelo menos é o que dizem os jornais. Podem os Madredeus ou a Maria João dar a volta ao mundo, que isso não é grande notícia...mas basta uma destas meninas ir cantar a Badajoz para a imprensa a tratar como uma estrela internacional, não lhe dando tempo de crescer e amadurecer a sua arte, o seu canto.
Ao fim de um ou dois discos, já se escrevem livros sobre estas cantoras que, na sua maioria são de grande qualidade e estão a ser vítimas de uma exploração indecente por parte da imprensa. Neste frenesim que atravessa o Fado, esquece-se uma geraçâo inteira de fadistas que, ainda no activo, ficou esmagada entre a Amália e as amaliazinhas. Uma geração que se formou longe dos protótipos e das imitações, que afirmou um Fado próprio, e que manteve o vigor das noites fadistas, onde o canto é um reduto de comunicação verdadeira...Falo da Beatriz da Conceição e da Tereza Tarouca, do João Ferreira Rosa e da Maria João Quadros, da Manuela Cavaco e da Maria da Fé, do António Pelarigo, da Tereza Siqueira, e de tantos outros que, por tuta e meia, arrancam a voz das entranhas todas as noites nos restaurantes de Alfama, nas esquinas do Campo de Santana, nos Santuários do Bairro Alto.
Toda a gente diz que o fado não se aprende nem se ensina. Isso é verdade para todas as artes, mas,para todas as artes e em especial para o fado, tem de haver uma passagem de testemunho.
O lugar onde hoje me apraz mais ver essa mistura de gerações fadistas a receberem e transmitirem saberes antigos, melodias esquecidas, gestos encaixilhados no tempo, é a " Mesa de Frades ", um lugar mínimo ali na rua dos Remédios, em Alfama, lugar que outrora foi uma capela onde, na mesma noite, é possível ouvir a Beatriz da Conceição que eu digo ser uma verdadeira poetisa nos novos sentidos que dá às palavras que canta com uma alma fadista como já não há, a Joana Amendoeira que é linda, canta cada vez melhor e é um coração de ouro, a Maria João Quadros onde raça e sentido musical são sinónimos, os manos Pedro e Hélder Moutinho que, no sector masculino, são do melhor que há por aí, a par do Miguel Ramos, que de vez em quando também aparece e que tem um dos timbres mais belos que já escutei no fado.
Aparecem sempre uns amadores também, e se a festa está rija, fecham-se as portas e fica-se até às tantas a ouvir a Ana Maria - a unica fadista negra que conheço - que de tanta voz que tem, acaba sempre por ouvir que não devia estar a cantar num espaço tão pequeno:
-"Tu tens voz é para o Coliseu !"
Ali, é fado fado ! Com um ambiente onde toda a gente se conhece e onde quando chega um forasteiro, não tarda dez minutos para se sentir da família, tal é a gentileza dos donos da casa.
Há quem diga que este é o Velho Fado, seja lá o que isso for ! Eu não sei o que é novo e o que é velho - sei o que é Fado, e sei que no Fado há que ser autêntico.
Não é preciso ser novo...nem velho !"
TIAGO TORRES DA SILVA, in JL-Jornal de Letras,Artes e Ideias, de 30 de Março/2005
(Post autorizado pelo Autor)
A União Zoófila de LISBOA, já foi obrigada a despedir o funcionário que cozinhava as refeições para os gatinhos e cachorrinhos, que por deficiências várias, não conseguem comer a ração sólida, que também começa a escassear, e a ser racionada.
Não permitam que aqueles bichos passem fome.
Já basta terem sido abandonados, desprezados, maltratados, objecto de torturas inimagináveis...imundas...
CONTRIBUAM COMO PUDEREM.
A VOSSA AJUDA PODE FAZER A DIFERENÇA!
CONTACTEM OS TELs. 91 9908666 e 91 6662388
Não, meus caros leitores e amigos. Não estou a falar da Fátima Lopes da SIC, senhora duma dignidade a toda a prova, que muito considero.
Falo-vos da estilista, que nem merece esse epíteto. Essa mentecapta, para confeccionar os seus deprimentes modelos, usa peles de animais, retiradas enquanto os bichos estão vivos. "Porque assim as peles ficam com mais brilho" - afirmam os assassinos.
Quem pode valer a esses animais ?
Como madeirense, só posso dizer que estou muito envergonhada, como portuguesa, estou enfurecida, por haver alguém que, no meu país, se sirva do sofrimento atroz dos animais para ganhar dinheiro. Sem dó, nem piedade. Sem um pingo de humanidade.
Quem terá coragem, depois disto, de ousar comprar uma qualquer peça de roupa, marca Fátima Lopes ?
Quem a tiver, errou de Tempo. Que fabrique uma "máquina do tempo", e retroceda umas boas centenas de anos !
FÁTIMA LOPES : UM DIA, TEREI MUITO PRAZER EM CUSPIR (literalmente!) NESSA SUA CARA DE CRÁPULA !!!
Valéria Mendez
Nota: Por favor, divulguem e denunciem este caso.
Obrigada.
HABITO O SOL, DENTRO DE TI
DESCUBRO A TERRA, APRENDO O MAR
POR TUAS MÃOS, NAUS ANTIGAS, CHEGO AO LONGE
QUE ERA SEMPRE TÃO LONGE, AQUI TÃO PERTO.
TU ÉS MEU VINHO. TU ÉS MEU PÃO.
GUITARRA E FRUTO. MEU NAVIO,
ESSE NAVIO, ONDE EMBARQUEI,
PARA ENCONTRAR DENTRO DE TI, O PAÍS DE ABRIL.
E EU PROCURAVA-TE, NAS PONTES DA TRISTEZA,
CANTAVA, ADIVINHANDO-TE, CANTAVA,
QUANDO O PAÍS DE ABRIL, SE VESTIA DE TI,
E EU PERGUNTAVA, QUEM ERAS.
MEU AMOR, POR TI CANTEI. E TU ME DESTE,
UM CHÃO TÃO PURO, ALGARVES DE TERNURA.
POR TI CANTEI, À BEIRA - POVO, À BEIRA TERRA,
E ACHEI, ACHANDO-TE, O PAÍS DE ABRIL.
Manuel Alegre
Poema musicado por Alain Oulman; interpretado por Amália
Rodrigues (in - CD " Cantigas Numa Língua Antiga " /1977;
e CD " Segredo "/Colectânea de temas gravados na década de
60 e 70 )
Permito-me, nestes momentos, a umas palavras sobre o Papa João Paulo II. Antes dele, pelo que me chegou por via literária, o Papa da minha eleição fora João XXIII. Por razões diversas, e no fundo, pelo mesmo sentimento, o Papa Polaco merece-me, chegado aos minutos finais da sua Vida, umas palavras de admiração, pela coerência e coragem demonstradas. A Santidade, faz-se também com essas premissas. Coerência, porque, sem se afastar dos seus dogmas de Fé, conduziu a Igreja na modernidade; coragem, porque recusou a facilidade, e a comodidade do silêncio, e falou em momentos graves da História do Planeta, indo por vezes contra alguns senhores do Mundo, denunciando factos e atitudes, anti-humanas, e por consequência, anti-cristãs.
Dono dum magnetismo pessoal fora de série, João Paulo II, não tivessem os caminhos misteriosos de Deus, posto na sua rota de Vida, a cadeira de São Pedro, teria sido, sem duvida, um personagem amado e ouvido. A sua "star quality", que lhe acompanhou nos seus mais de oitenta anos de vida, provam-no. Não houvera sido ele, o chefe máximo da Igreja Católica, estou convencida que, o Universo lhe teria preparado um outro caminho, igualmente publico, de serviço à causa dos valores da dignidade humana. Por tudo isso, o Papa merece o meu obrigada. Não como católica ou cristã. Apenas, e tão sómente, como cidadã do Mundo.