fevereiro 24, 2005

A CONDESSA DE CATALNISSETTA

Saberão, aqueles que fazem a fineza de ler as minhas crónicas, que aos dezassete anos, encontrava-me em Itália, a frequentar o primeiro ano da Faculdade. Desses tempos marcantes e mágicos ficaram, como é óbvio, recordações mil, amizades e cumplicidades, algumas delas, perpetuando-se vida fora. Recordo com saudade, as tertúlias estudantis, nas esplanadas do Corso Vannucci, a rua principal da cidade etrusca de Perugia. Foi numa dessas tardes de amena cavaqueira, que conheci o filho da Condessa de Catalnissetta. O rapaz, aos dezanove anos, já conduzia um fabuloso Ferrari vermelho, e punha as meninas todas, a babarem-se pelo "bel ragazzo" da nobreza siciliana, que havia subido até Perugia, para cursar Arquitectura. Os seus caracois louros, matizados de tons claro-escuros, a sua tez morena das praias da velha Sicilia, a sua compleição atlética, e claro está, o seu Ferrari, eram vedetas nas tardes do Corso Vannucci.
A certa altura, Pietro San Carlo, perdeu-se de amores por uma turca, a Tijen, natural de Istambul, e uma das minhas colegas de curso. Para contrariar a máxima, de que efémeros são os amores de estudante, a Tijen, casou mesmo com o "bel ragazzo", uns oito anos mais tarde. E, com muito gosto, esta que vos "fala", foi uma das convidadas da boda, em Catalnissetta, na Sicilia.
Foi um casamento de sonho, daqueles de capa de revista. Foi nessa ocasião, que conheci a fabulosa Condessa de Catalnissetta, a mãe do bonitão do Ferrari. Era uma mulher singular. Fugia aos padrões mais tradicionais, do que se convencionou chamar de nobreza. Era uma mulher na casa dos cinquenta, muito bem tratada, natural da ilha de Sardegna. Houvera conhecido o Conde numa das estâncias de Verão da ilha, e enamorados, lá casaram e geraram um unico filho - o Pietro San Carlo. Passados treze anos dum casamento bem sucedido, o Conde morre trágicamente, a bordo do seu Cessna, despenhando-se sobre o mar de Siracusa. Ficou assim a jovem Condessa, à frente das imobiliárias, e da empresa de Construção Civil do Conde, assim como, dona dum palacete em Catalnissetta, e vários apartamentos no norte de Itália. Um colosso financeiro para gerir.

Terminada a boda, os pombinhos lá seguiram em lua de mel para Capri, e depois Veneza, como é apanágio de qualquer italiano que se preze.
Gentilmente, a Condessa havia-me feito sua hóspede, num dos magníficos quartos da mansão novecentista. A minha cama, parecia tirada de um filme de época, tais os recortes artísticos da madeira de ébano da camilha, emoldurada por seda pura,côr de champanhe, que envolvia o perímetro do "real leito". A janela dava para um jardim muito verde, onde se podia admirar o recorte das heras, delimitando os canteiros de flores, com as mais variadas formas geométricas.
No dia seguinte à boda, precisamente ao meio-dia, fui alertada por uma das serviçais, que a "Signora Contessa" e os seus hóspedes me esperavam, dentro de uma hora, para um tardio pequeno almoço, nos Jardins da mansão. Aprontei-me, e logo no salão de entrada da casa, fui encontrando os restantes convidados da Condessa. Encaminhados pelo mordomo, lá nos dirigimos até o jardim, onde havia uma grande mesa, cheia de bolos multicolores, sumos, chás e cafés, fatias do tradicional pão de Catalnissetta, queijos variados, pathés diversos. Um verdadeiro atentado à dieta.
Um minuto depois, chegava a Condessa no seu 'tailleur' vermelho escarlate, muito vaporoso, impecávelmente maquilhada,destacando-se no seu peito bronzeado e generoso, um fino lenço preto, e um colar de pérolas antigo. O frugal pequeno almoço "avanzato", prolongou-se por mais de uma hora, por entre conversas interessantes, dos convidados de várias nacionalidades, e as tiradas de bom humor e espalhafato, seguidas de sonoras gargalhadas da "Signora Contessa", que possuia um manancial de anedotas e episódios cómicos, que faria inveja a muito humorista profissional. Como o dia em que, na embaixada de França, em Roma, num almoço oficial, com a presença do Ministro dos Negócios Estrangeiros Francês, e várias personalidades italianas, a Condessa, tentando descascar uma pêra semi-cristalizada, fez demasiada força com o talher, e a pêra, saltou precisamente para o colo do Arcebispo, representante do Vaticano. Os convivas tentaram dissimular a coisa, mas a Condessa, sempre espalhafatosa e endiabrada, levantou-se, e retirando a pêra do seio do Arcebispo, desabafou para os presentes: "Vou guardá-la. É uma pêra santa.", metendo-a na "pochette" que trazia, fazendo rir os presentes.
O relógio já marcava as catorze horas, quando inusitadamente,o mordomo anunciou à nóbil senhora, que o "Signor Marcello" havia chegado. A Condessa, num ápice, levantou-se ruidosamente, e começou numa "ladainha" à italiana : " Ah quel mascalzone, io lo ammazzo... " - " ah aquele estupor, eu mato-o...filho dum corno de dois bicos, faltou à festa. Pietro e Tijen ficaram tão tristes. Desculpem, eu já vos mostro o bicho ", disparou a Condessa, enquanto se dirigia para o hall da mansão, rogando 'pragas' ao tal visitante, para nós, desconhecido.
Cinco minutos depois, lá vinha a Condessa, de braço dado com um homem de porte atraente, aparentando uns quarenta anos, cabelo curto levemente ondulado, dum castanho claro que brilhava com o sol, óculos escuros, trajando umas calças e pólo azuis, e à medida que avançavam até nós, tinhamos a certeza já ter visto aquele personagem, fosse onde fosse. Na boda, não teria sido concerteza. Afinal, a Condessa estava fula porque havia faltado à festa. Aproximaram-se devagar, e chegados à mesa, a senhora apresentou o novo convidado : " Olhem, meus amigos, apresento-vos um grande amigo, que corre sérios riscos, de levar um tiro duma condessa siciliana de meia idade, pelo pecado de ter faltado ao casamento do seu unico filho. Agora, só me resta esperar que ele se divorcie e case outra vez, para eu voltar a convidar-te. Bom...este é o meu grande amigo Marcello Mastroianni !"
Fiquei sem fala. Um dos actores que eu mais admirava, estava agora ali, estendendo-me a mão. Uma convidada, natural de Nicósia, deu um grito, exclamando : " ah só podia ser. Reconheci-o logo ! " Com a sua voz quente e melodiosa, Mastroianni, cumprimentou todos os presentes, desculpando-se pela sua ausência na boda, dado que havia vindo directamente do aeroporto, chegado da Argentina, onde filmava os exteriores dum novo filme, e por lapso, a sua secretária havia-lhe marcado viagem em Buenos Aires, no dia depois ao previsto, ficando Mastroianni convencido de que a boda seria nesse dia, e não no dia anterior.
Por entre as "imprecazioni" da Condessa, das perguntas maliciosas de que haveria chegado tarde, por outros "motivos" do "fôro dos lençois", e das respostas espirituosas de Mastroianni, lá fomos ficando no jardim, numa agradável tertúlia, em que o actor, era agora figura principal. Eram já cinco horas da tarde, quando o mordomo, anunciou-nos que estava servido na " Sala da Pranzo " (sala de jantar), um almoço "avanzato". E assim, do pequeno almoço "avanzato", ao almoço "avanzato", continuamos com a tertulia, onde cada um de nós, tinha momentos de papel principal, falando do nosso país, respondendo às perguntas curiosas dos outros presentes. Lembro-me que, a primeira coisa que Mastroianni disse, quando me apresentei como portuguesa, foi que "de Portugal conheço pouco, mas conheço a Amália Rodrigues e o Manuel de Oliveira." E continuamos a falar de Amália, quando a Condessa, se lembrou de dizer que eu era amiga de Amália, visita frequente, da sua casa de Lisboa. "Una donna monumentale, la Rodrigues !", afirmou Mastroianni, trauteando o fado "Coimbra" ( April in Portugal ), que depois fui "obrigada" a cantar.

Uma tarde memorável, esta que me foi oferecida pela excêntrica Condessa. Ela continua viva, alegre, ruidosa, espalhafatosamente e saudávelmente italiana, apesar da sua idade um pouquinho mais avançada. Já tive o prazer de retribuir a sua hospedagem, com um Jantar no "Grill" do Savoy da Madeira, e fiz questão de convidá-la, assim como ao seu filho e nora, para quatro dias de turismo rural, numa das Quintas Madeirenses de eleição. Foram igualmente uns dias memoráveis, que só pecaram por serem poucos...

O Pietro e a Tijen, fazem um casal lindíssimo - ele alourado, de olhos azuis esverdeados, e ela morena, cabelo asa de corvo, uma bela mulher turca. Eles têm a minha idade. Possuem dois filhos biológicos, e duas meninas albanesas, que adoptaram. O "bel ragazzo" do Ferrari vermelho, dos meus tempos de estudante, transformou-se na mão direita da Condessa, hoje menos ligada ao império deixado pelo marido, e mais inclinada aos afectos dos seus quatro netos.

Quando penso neles, vejo o quão insignificante foi a minha existência. Que a tristeza, essa, faz morada sem prévio convite. A Senhora Condessa, ao passear a meu lado, numa levada madeirense,despiu-se, por momentos, da sua alegria contagiante, e deixou escapar um fio de negritude no olhar, ao recordar-se do seu marido, que segundo ela,certamente apreciaria " questa bella passeggiatta ", dado que era grande amante da Natureza e das caminhadas campestres.
Todos têm as suas gotas de pranto.
Cada vida...cada destino...

Publicado por Valéria Mendez em 06:43 PM | Comentários (10)

fevereiro 15, 2005

IRMÃ LUCIA : - PERDOAI-LHES, QUE NÃO SABEM O QUE DIZEM

Alguma "intelligentsia" pouco inteligente deste País, tem vindo a lume, com a anedótica interpretação da interrupção da campanha eleitoral, e a proclamação de Luto Nacional, devido ao falecimento da Irmã Lúcia, ícone português de soberana importancia religiosa e popular. Nada de mais disparatado. A enfatização que se estabeleceu ao discurso da separação Igreja/Estado, não pode ser mais mentecapta, tratando-se duma figura, em que a grande maioria dos portugueses se revê, e proclama a sua admiração, respeito e Fé. E com os fenómenos da Fé, não deveria haver lugar a insinuações de qualquer índole, dado que a Fé, vive-a quem a possui, e quem não a possui, tem mais, é que observar o fenómeno do ponto de vista social e antropológico, e respeita-La.
Em 1999, aquando da morte de Amália Rodrigues, também o país se encontrava em campanha eleitoral. Nessa altura, todos os partidos políticos procederam a uma pausa na campanha, e igualmente foi decretado o Luto Nacional. Lembro-me que, nessa altura, nenhum "iluminado", veio à praça publica, com a teoria do aproveitamento político. Parece que o bom senso e a inteligência eram maiores nesse tempo. Porque, se a estupidez aterrasse dessa vez, que diriam esses "sábios" ? Que deveria haver uma separação entre o Fado e o Estado ? É evidente que, ninguém caiu na anedótica declaração. Só agora, no caso da Irmã Lúcia, o anedotismo diz presente, procurando quiçá, influenciar o eleitorado com o suposto maquiavelismo do PSD e do PP. Tontos serão, os que forem na onda.

E permiti-me, que vos lembreis que, para além de ter sido amiga e fanática admiradora de Amália Rodrigues, não partilho das directivas políticas do PSD, e muito menos do PP. Creio que isso, haver-me-á colocado numa posição mais honesta, em relação à minha humilde opinião que, claro está, valerá apenas enquanto tal, se bem que o bom senso, deveria ser o ponto chave, de quem se arvora em "opinion maker", neste Portugal plural e democrático.

Haja respeito!

Tenho dito.

Publicado por Valéria Mendez em 02:50 PM | Comentários (20)

fevereiro 12, 2005

MARLÈNE DIETRICH E EU

Não, caros amigos. Nunca tive o privilégio de estar frente a frente, com essa figura do meu imaginário.
Eu sou um animal feito de referências. Preciso delas, muito mais do que elas, alguma vez precisariam de mim. Alimento-me delas. Investigo-as até à exaustão, alinho-as no meu sentir, passam a fazer parte intrinseca de mim. Tornam-se depois, indispensáveis. Compreendidas. Amadas. MARLÈNE DIETRICH faz parte dessa galeria pessoal de eleitos. Pelo seu 'glamour' no cinema, mas sobretudo, pelo seu talento de cantora. Deliro com a tessitura da sua construção vocal, feita de graves intensos, e da sua forma genial de dizer as palavras, cantando.
Em 1987, encontrava-me em Paris, aproveitando o facto de Amália Rodrigues lá se encontrar, para uma temporada de oito concertos no Olympia. Numa das noites, depois do recital, eu e um grupo de acompanhantes de Amália fomos cear, como era hábito, a um restaurante perto da Opéra, que amávelmente, abria as suas portas depois da uma da manhã, exclusivamente para receber Amália e os seus convivas. Nessa noite, Amália, sempre interessante nos seus relatos de vida, recordou-se dum episódio envolvendo Marlène Dietrich. Numa das deslocações de Amália à Roménia, no dia anterior ao concerto de Amália, havia-se realizado um recital com Marlène Dietrich, pelo que o camarim encontrava-se ricamente decorado, de acordo com as exigências do "Anjo Azul". Vários espelhos a cobrirem as paredes e o tecto, uma passadeira vermelha, ladeada com flores da Holanda, até à boca de cena, um frigorifico com caviar, champanhe francês, frutos tropicais, um serviço de prata,diversos bules, com vários chás exóticos e medicinais, uma pequena aparelhagem de som para ensaio de vocalizes, assim como um circuito interno de televisão, para que a artista pudesse observar a sala,o movimento nos corredores do teatro, enfim...caprichos de vedeta. Amália discorria divertida, dizendo que daquela vez, sem querer, sentira-se ela própria, uma verdadeira star, comentando que, nunca tivera coragem de fazer qualquer exigência similar, dizia ela, por "timidez e vergonha". "Já o Coquatrix ( proprietário e director do Olympia ) insistia sempre comigo para que eu lhe pedisse o que me apetecesse, mas eu encolhia os ombros, sem saber o que dizer ", acrescentava Amália, confessando que nunca se habituou aos "tratamentos" de vedeta, que muita gente lhe quiz oferecer ao longo da vida.
A talho de foice, o Alain Oulman, o célebre compositor de Amália, comentou que Marlène Dietrich vivia perto dali, numa penthouse da Avenue Montaigne, nº 68, e que depois de ser ter retirado dos palcos, quase não recebia ninguém, com excepção para a filha, os médicos, os empregados, e quatro ou cinco amigos intimos.Dizia-se que, tinha apenas três empregadas particulares, e que o porteiro do prédio tinha ordens taxativas, para não deixar ninguem subir, sem autorização.

No dia seguinte, movida por um qualquer impulso incontrolável, desloquei-me a pé, até ao numero 68 da Avenue Montaigne, não sem antes passar por uma florista, e comprar um belíssimo bouquet.
Chegada à porta do prédio, entrei no hall, onde se encontravam dois homens - um segurança armado, e o porteiro com uma magnífica farda azul, de punhos dourados. Disse-lhe, que queria fazer chegar as flores a Madame Dietrich, acompanhadas dum pequeno cartão, que havia escrito na florista. O senhor, muito gentilmente, fez-me preencher uma espécie de ficha identificativa, e passou o ramo ao segurança, para verificá-lo. Subitamente, uma senhora, lá para os seus sessenta anos,carregando uma Louis Vuiton, aproximou-se da recepção, e imediatamente o segurança entregou-lhe o ramo. A senhora, leu a ficha de identificação apensa, olhou para mim, e perguntou-me num francês impecável, se o ramo era meu. Antes que eu pudesse responder, a senhora, num português bem nortenho, disparou: " Ah engraçado, então diga lá de onde 'b'ocê é, ai , o ramo é lindo, a Madame 'b'ai gostar muito, coitadinha, anda meio adoentada."
Fiquei siderada. Consegui balbuciar um - "obrigada, mas a senhora é...?". " Ah desculpe, eu sou uma das empregadas da Madame. Trabalho para ela, há mais de vinte anos. Pena que a Madame não receba ninguem, mas fique descansada que eu entrego o bouquet, e 'b'ou-lhe dizer, que é de alguém do meu país ". Ainda surpresa, agradeci-lhe muito, e emocionada com a coincidência, convidei-a para o ultimo recital de Amália, abusando da prerrogativa de possuir um "Passe-Partout", que me permitia fazer um convite por dia, para assistir ao concerto nos bastidores, dado que a sala estava já esgotada, há já alguns meses. A D. Maria José aceitou esfusiantemente o convite, combinamos a hora e o local onde nos encontrariamos, meia hora antes do espectáculo, e retirei-me.
E na hora e dia marcados, lá estava a D. Maria José, empregada de Marlène Dietrich há mais de vinte anos, a assistir nos bastidores do Olympia, a um concerto de Amália. Levei-a, no final do show, a conhecer Amália, que por sua vez, a convidou para juntar-se ao grupo da habitual ceia. Foi então, que revivemos mais uma vez, Marlène Dietrich, comentando a D. Maria José, que houvera dito à Madame que viria ao Olympia, ver a Amália, ao que Marlène Dietrich, a encarregou de ser portadora dum cartão, escrito pela propria, cumprimentando Amália, e recordando alguns encontros que tiveram no tempo em que, ela própria, também efectuava tournées pelo mundo. Amália, enviou pela D. Maria José um disco autografado, e um cartão com algumas palavras.

Dois meses mais tarde, quando fui pela manhã à minha caixa de correio, as minhas pernas tremeram, quando vi num envelope azul-céu, com letras gravadas a prata no lugar do remetente, o nome MARLÈNE DIETRICH. Tive de sentar-me, nos degraus da escada do meu quintal, e com as mãos a tremer, abri o envelope.
Lá dentro, estava uma fotografia da grande diva, e no verso, escrito à mão, uma só palavra. : " MERCI ". Assinado - " MARLÉNE DIETRICH ".

Publicado por Valéria Mendez em 01:18 AM | Comentários (10)

fevereiro 05, 2005

ECOS DUM CONCERTO NO PAÍS DOS CEDROS

Não sou uma artista com peso. Nem em Portugal, nem sequer na minha Madeira, e muito menos lá fora. Limito-me a aceitar alguns convites, que me permitem sublimar o desejo de "dizer" os Poetas, de gritar alguma indignação, de expressar revoltas incontidas. O "meio" que o destino me fez chegar "às mãos", foi o Canto. No meu caso, o "cantaloranto".
Não tenho peso nenhum.O peso que tenho, são os quilos a mais do meu corpo.
Contudo, são pequenas coisas que ainda me conseguem oferecer momentos menos tristes. Há uns meses, estive no Libano. Ninguém soube. Minto. O Diário de Notícias do Funchal, publicou a notícia. E eis que um amigo, amante da navegação cibernética, envia-me uma URL onde se fala de mim. Trata-se dum site turistico, duma norueguesa que ama a Madeira, e onde um francês, na secção "Travel Memories", decide falar duma coincidência extraordinária - haver-me conhecido como artista na Madeira, e inesperadamente, voltar a encontrar-me em Baalbeck, no Líbano. Discordando do mistério, que o senhor francês imprimiu à narração do meu concerto, deixo-vos o link, apenas como um exercício de pura curiosidade, e para quem souber ler em Inglês - A Strange Concert - segundo opinião do autor .

(Qualquer dia, prendem-me como terrorista. Não me admiro nada. Houvera nascido eu nos "BushSTATES", e veriam... Pois se proibiram CAT STEVENS de entrar no país, só porque o homem se converteu ao islamismo, e ajuda financeiramente muitas ONGs, que tomam conta de crianças árabes, vítimas da guerra...)
É o que eu digo.
Quem poderá conhecer a felicidade, tendo a lucidez como companheira?

Publicado por Valéria Mendez em 03:43 AM | Comentários (16)