"AI SE EU PUDESSE FALAR/ DIZIA COISAS AGORA/ QUE ME FAZIAM CHORAR/ O MELHOR É IR-ME EMBORA... ... ...AI SE EU PUDESSE FALAR/ SE NÃO FOSSE PROIBIDO/ O QUE TENHO DE CALAR/ O QUE ME ESTÁ NO SENTIDO... ... ...O QUE DISTINGUE OS POETAS/ OS FAZ DIFERENTES DA GENTE/ É DIZER EM DUAS LETRAS/ O QUE TODA A GENTE SENTE... ... ...É ESTA LIMITAÇÃO/ QUE DEUS ME DEU A ESCREVER/ QUE ENCHE O MEU CORAÇÃO/ DE COISAS... PARA DIZER. Amália Rodrigues, in Versos( Ed. Cotovia).
Estou pr`aqui , a alinhavar a musica ,que compus para este Poema da grande Amália , nunca editado em disco, para ver se o canto em primeira mão, no espectáculo comemorativo do 25 de Abril, em que vou participar.Neste mesmo evento, não esquecerei Ary dos Santos, Manuel Alegre, Alexandre O`Neil, Sophia de Mello Breyner, Natália Correia, Pedro Barroso, Adriano Correia de Oliveira, Manuel Freire, Fausto, David Mourão-Ferreira, e o indispensável José Afonso. Será uma tarde, em que, numa Universidade duma cidade latino-americana, tentarei falar e cantar ABRIL . Porque A NOSSA REVOLUÇÃO É UM EXEMPLO PARA TODO O MUNDO. Nos canos das espingardas, nasceram cravos vermelhos. No coração dos revolucionários, viajava o AMOR, A LIBERDADE, A SOLIDARIEDADE.Cabe-nos agora, perpétuar a memória dos constructores de ABRIL. Cabe-nos agora, CUMPRIR ABRIL. Um Bom Dia 25 de Abril para todos, sem excepção !
Há gente por aqui, que ainda não percebeu o problema gravíssimo do Médio-Oriente. Vejo-o pelos comentários que fazem, em diversos blogs. Tanya Reinhart, explica tudo, com simplicidade. Volto a pedir-lhes desculpa pela insistência. Mas ,a Leitura dessa entrevista à autora do livro "Destruir a Palestina", é obrigatória, para quem quizer compreender o que se passa nos meandros do conflito israelo-árabe. Leia-a por favor. Ela encontra-se disponivel no meu post abaixo...
Parece incrível,mas é verdade. Tenho feito aqui no meu blog, afirmações, que agora vejo expressas, numa entrevista do Jornal Publico, à conhecida professora universitária e activista política ,Tanya Reinhart, judia israelita, que pensa exactamente como eu, uma declarada cidadã portuguesa pró-palestiniana. Leiam lá...
O amigo Nuno, da banda Bandamecos, é cá dos meus. Uma vez, ao trocarmos impressões, descobrimos afinal, que já tinhamos vivido coisas muito iguais- Haviamos sido convidados do Centro Português de Caracas, haviamos cantado no talk-show de maior audiência do Peru...enfim. Rimo-nos muito das coincidências. Neste momento, ele está no Nepal, é activista duma ONG. No Nepal, eu nunca estive. Mas, compreendo e sinto, o que é ter prazer, em ajudar o outro. De vez em quando, lá vai ele a Katmandu,que fica a 130 Km da aldeia onde vive, actualizar o seu blog. Sei o quanto ele está feliz. Conheço a sensação. Já a experimentei muitas vezes ,na Palestina e na Jordânia, onde existem os maiores campos de refugiados palestinianos. Conheçam a vida do Nuno no Nepal Porque a Vida, é para ser Vivida! Que Deus te abençoe Nuno, pela dádiva tua, à Humanidade.
Ainda ontem o cantei em publico
Não, não é bluf. Um dos caros amigos que deixei em Gaza, foi o médico pediatra, que incansávelmente, fazia das tripas coração, para tentar minimizar os efeitos, das acções criminosas do exército israelita. Crianças sem braços, sem pernas, umas cegas, outras físicamente perfeitas, mas que tremiam, sempre que ouviam, nem que fosse um bater de porta mais desgovernado. Crianças, com sérios problemas psicológicos, vivendo no medo, na angustia, com o coração cheio de ódio, pelo inimigo que lhes roubou a mãe, o pai, o irmão...Mais uma vez, os israelitas do Likud, provam que não querem uma resolução pacífica. O meu amigo DR. ABDEL AZIZ AL RANTISSI, era uma ternura. Para centenas de crianças, um pai, um abraço, o minorar de suas dores. Para os porcos judeus e americanos, era um alvo a abater. Parece que jamais o conseguirão. Agora, é que o querido doutor, ficará para sempre nos corações de milhões de pessoas. Ficou no meu. Não hesitaria, creiam, em dar um tiro, a um qualquer judeu nogento, que puxa os cordelinhos, na sombra, para dar continuidade à maior ignomínia do inicio do século XXI- A continuação duma ocupação, condenada pelas Nações Unidas,e pela esmagadora maioria dos países do mundo.
Cenário - Ilha de LAMPEDUSA, de administração italiana. A Ilha mais ao sul de Itália, que inclui ainda ,outra ilha do arquipélago "delle Pelagie", Linosa , com apenas 11 Km de perímetro. Existe ainda uma outra, Lampione, porém desabitada, com menos de 2 km de perímetro. Lampedusa, é a ilha principal, com um perímetro de 26 Km, e é habitada desde os tempos imemoriais dos Gregos e dos Sarracenos.Existem monumentos que o prova. Um paraíso, a só 167 Km da costa da Tunísia,e a cerca de 200 km das ilhas de Sicilia e de Malta.
A Época, era a dos meus dezoito anos. Nessa altura, encontrava-me na cidade de Perugia,a estudar. Numas pequenas férias escolares, em que vir a Portugal ( Madeira), não fazia parte dos meus planos, juntei-me a um grupo de colegas,e lá fomos até Sicilia,e de lá, aventuramo-nos numa fabulosa viagem de barco, até Lampedusa. Não que a ilha, não possuisse um pequeno aeroporto, que só não me metia medo a mim, por ser muito parecido com o que tinhamos na Madeira, na altura. Foram quatro dias de sonho, com um sol, onde nunca vi outro igual, praias puras e brancas, desertas... Ficamos todos, numa pequena casa típica,com duas assoalhadas, mesmo
à beirinha da praia...Eram esses os unicos alojamentos possíveis, em Lampedusa. Não havia nenhum Hotel. Só essas casas recuperadas, que alguém rentabilizava, alugando-as aos turistas. Comiamos num restaurante "de morrer", em que o proprio dono ,cozinhava o peixe, ali mesmo à nossa frente, enquanto um rapaz da ilha, cantava doces baladas ao som da sua velhinha guitarra. " Oh Marinella, ti sei sposate`il mio cuore batte...". O convivio entre os turistas (os que sabiam falar italiano) e os locais, era sempre o prato forte. Aqui, o turista, não era turista, era mais um amigo de longe. E foram tão agradáveis, as nossas conversas com os pescadores, com o dono da farmácia (unica) local, com o professor primário (também unico) da Ilha,e com uma velha senhora "Fiorentina", de mais de oitenta anos, que havia decidido "vir morrer a Lampedusa". Uma mulher, que apesar da idade, ainda nos acompanhou, numa noite de tertúlia ,até às três da madrugada, por entre um copo de vinho, e uns "frutti del mare", fresquíssimos. Eu ,que nem sou apreciadora de mariscos, tive de render-me à mágica do seu sabor.Lá para as duas da manhã, ainda iamos à praia dar um mergulho nas águas cálidas,e depois dormiamos, até termos o sol, de novo, a gritar-nos um convite irrecusável. Uma noite, seriam porventura já, cerca das cinco da madrugada, todos dormiam profundamente. Até a minha amiga e colega ,Tijen ( a tal Turca ,que casara mais tarde com o filho da Condessa de Catalnissetta, de que falo noutra crónica...), que decidira nessa noite, beber quase uma garrafa de vinho,e presentear-nos com as baladas do seu país, sucumbira ao sono, embalada pela "musica do mar". Eu, ao contrário, não conseguia dormir. A magia da noite, o luar, o branco da praia ,a côr da noite,envolveram-me de tal modo, que subitamente, vi-me à beira-praia, cantando um velho fado de Amália, que nessa altura, já fazia parte do meu imaginário. O cenário, não poderia ser o melhor, para o "Fado Português", de José Regio. "O Fado, nasceu um dia/ Quando o vento mal bolia/ E o céu, o mar prolongavam/ Na amurada dum veleiro/ No peito dum marinheiro/ Que estando triste, cantava..." De repente, senti ao meu lado,a presença de alguém. Era um velho pescador. Já o conheciamos todos, o "Tonino". Parei de cantar. A luz do luar, iluminou-lhe o rosto,e vi que uma lágrima teimosa, assomava ao canto dos seus olhos. Peguei na sua mão,e perguntei-lhe- "Ma, perchè piangi ?". Porque choras? Fazendo um gesto largo com a mão, o ancião retorquiu-me -" La Tua Musica, è come il Mare !". Apertei sua mão, num misto de comunhão e de magia.Poderei dizer que, naquele momento, o velho pescador de Lampedusa, e eu, eramos a personificação do Amor. Aquele mais puro. Aquele irreal... Até hoje, ainda não encontrei melhor forma de definir o Fado. Até hoje, ainda não encontrei um Amor assim...
CONHEÇAM ESTE PARAÍSO NA TERRA: LAMPEDUSA
ROBERTO MUROLO (1912-2003), é um verdadeiro Embaixador da Canção Napolitana, em todo o mundo; um mito para toda a Itália, que o cumulou de honrarias e de reconhecimentos, face ao seu talento artístico, e à sua perseverança ,em perpétuar o folclore italiano mais puro. Milhões de discos vendidos em todo o mundo, antologias de recolhas tradicionais, autênticos compêndios de estudo ,da etno-musicologia das diferentes regiões italianas, com particular incidência na famosa "Canzone Napoletana", que se tornou internacionalmente reconhecida, por trechos como ,"O`Sole Mio", ou "A Marecchiare". Outros nomes da Musica Italiana, como Domenico Modugno ou Gabriella Ferri, contribuiram para a visibilidade dessa especial "Canção" do Sul de Itália. A própria Amália Rodrigues, sentiu-se motivada para uma primeira experiencia, nos anos setenta, ao gravar, com um acompanhamento de guitarras portuguesas, uma recolha de doze trechos, da musica popular italiana, do Norte ao Sul, não esquecendo também, o estilo "particular" das "Canzoni Napoletane". Foi, na altura, um sucesso, primeiro em Itália,e depois ,um pouco por todo o mundo, em especial nos países, em que a comunidade italiana, era significativa. Esse album, "A una terra che amo", está indicado pelos estudiosos, como um dos mais importantes documentos da Musica Popular Italiana. Um feito, nunca repetido, por nenhum artista estrangeiro. Amália Rodrigues, cantou inumeras vezes com o Rei da Canção Napolitana, o célebre Roberto Murolo. A derradeira vez, coincideria com a ultima gravação em disco, da cantora portuguesa. Precisamente, no ultimo ano da carreira artística de Amália, em 1995, Roberto Murolo, convida a fadista, para participar num novo album, que seria editado nesse mesmo ano. "Anema e Core", inclui portanto ,duas participações especiais de Amália- Um encontro ,entre um Rei, e uma Rainha da Musica Popular , dos seus respectivos países. Um documento indispensável, e sobretudo, uma "prova provada" do profissionalismo,e da qualidade indiscutivel, duma Amália aos 75 anos, prestes a interromper para sempre a sua carreira, por motivos de saúde. Quatro anos depois, a Rainha passaria para a dimensão do Espírito. Quiçá uma Morte "abençoada", pela tristeza que a nossa Artista Maior, sentira nesses ultimos anos de vida, por haver-lhe sido impossivel regressar aos palcos, desejo esse, sempre presente, até o ultimo dia da sua Vida... Amalia e Roberto Murolo(retrato de Enrico Grieco) Biografia de Roberto Murolo
Existem poucos artistas em Portugal ( há que dizer-se a verdade!), que possuam aquele fulgor, aquela presença, aquele carisma, o que os americanos chamam de " star quality ". E ao mesmo tempo, ser-se duma simplicidade enternecedora, dum talento fora do comum,e duma qualidade que vai desde a interpretação, passando à poesia ou à composição musical. Artistas assim tão completos, haverá em Portugal dois ou três, se os houver. Frei Hermano da Câmara é um deles, indubitávelmente. Grande Fadista, intérprete de Pessoa, de Pedro Homem de Mello e tantos outros grandes Poetas da Literatura Portuguesa, que Frei Hermano da Câmara, deu visibilidade popular, não só cantando, mas compondo peças musicais de extraordinário "quilate", para poemas imortais. Quem não se lembrará da melodia de "O Rapaz da Camisola Verde" de Pedro Homem de Mello, que até Amália Rodrigues, nos anos setenta, "embalada" pela beleza da musica e do poema, pediu autorização a Frei Hermano, para a cantar ?! A obra musical de Hermano da Câmara é vasta e , em qualquer parte do mundo, seria apontada como uma obra de primeiríssimo nível. E, como se não bastasse toda essa riqueza cultural, ainda vem acoplada à obra do Artista, uma mensagem especial de cariz religioso, porém Universal. Quem não se lembrárá, entre outras, da grande produção, "O Nazareno", editado em CD,e passado para o palco do Coliseu dos Recreios de Lisboa, há já mais de vinte anos. Uma autêntica opereta, sobre a vida e mensagem de Jesus Cristo, que juntou personalidades da vida artistica portuguesa tão díspares quanto Mara Abrantes ou Carlos Quintas,e tendo (pasmem-se!) Amália Rodrigues, no papel de Maria Madalena. Duas Canções compostas superiormente por Frei Hermano, a que Amália deu aquele toque dramático adequado. Um Momento de Arte Maior. Vem todas estas palavras, a propósito duma transmissão em diferido, com que a TVI nos presenteou no serão da Sexta - Feira da Paixão. O ultimo concerto de Frei Hermano no Coliseu. Uma produção pouco habitual em Portugal, pela qualidade a todos os níveis, digna do melhor que se faz na Broadway. Não estou a exagerar. Estou a reconhecer o valor dum Homem, que ainda hoje, continua a deliciar milhões de Portugueses, e continua a fazer-me companhia, nos meus momentos de procura. Obrigada Frei Hermano. Nunca chegámos a nos conhecer pessoalmente, apesar de termos tido uma Grande Amiga comum- a Amália. Bem Ela se queixava, que você nunca saia do convento,e que eram raros os momentos de cavaqueira. A nossa Amália tinha por Si, Frei Hermano ,um Amor e um Respeito incondicionais. Coisa que fui adquirindo também, e hoje, para mim, Frei Hermano, você é um Artista Indispensável. Deveria-o ser para todos os Portugueses....
Já me referi ,no post de 21 de Fevereiro,ao monge Tibetano TENZIN DELEK RINPOCHE, que se encontra neste momento, à espera da sua execução, por motivos sócio-religiosos. O Tibete tem direito à sua Cultura, à sua Tradição, à sua Religião. Tem igualmente ,direito à sua auto-determinação. Como activista da Causa Palestiniana, não poderei ser imune aos apelos que me foram dirigidos pela organização "Students For a Free Tibet" ,sediada em Nova Iorque, que me pede a divulgação, da sua ultima acção sensibilizadora, que conta com a colaboração dos BEASTIE BOYS.Ver Aqui