Se há coisa que não esperava ,era, aceder à página da WEBLOG, e ver o meu nome escarrapachado, em lugar de destaque. Não por falsa modéstia, mas porque o meu blog, fugiu um pouco aos parâmetros da maioria.Afinal, em "fadista-valeria-mendez", só se poderá ler coisas vividas e pensadas na primeira pessoa do singular.Só,e apenas isso. Foi talvez uma bela maneira que encontrei,para exorcizar alguns medos, algumas frustrações, e também a forma que encontrei de relembrar-me eu mesma,de episódios e vivências, que por vezes já dera por esquecidas,ou na melhor das hipóteses, enterradas. Ao iniciar esta minha aventura,nunca pensaria ter mais de três ou quatro curiosos, que se lembrariam de vir espreitar uma vida, entre tantas e tantas vidas, muito mais singulares e profícuas,e tantos contéudos deveras interessantes nos diferentes sites da WEBLOG. Foi uma surpresa, ver-me de repente, citada por outros sites,como o "Portugal Vinte Valores", ver o meu nome nas páginas dos Jornais da minha terra,não porque tivesse actuado aqui ou ali,mas porque mantinha uma página no WEBLOG Português. Mas, surpresa das surpresas,vejo-me agora em destaque ,pela mão do Paulo Querido, que, muita coragem, engenho e arte demonstrou nesta sua aventura pela "liberdade de expressão",nestes conturbados tempos de auto-censura social. Obrigada Paulo. Parabens !
Não serei particularmente saudosista. Rememoro o passado, porque ele é parte integrante da nossa vida,e porque ele é o responsável pelo nosso presente,e dá-nos perspectivas ao futuro de todos nós. As pessoas que conhecemos,os dramas ou alegrias que vivemos,os livros que lemos,as musicas que escutamos,os quadros que apreciamos,os filmes que vimos, são elementos essenciais do nosso percurso, até "da lei da morte" nos libertarmos.Só assim,a palavra vida,poderá ter algum sentido. Hoje,recordei-me duma noite memorável , uma Gala de Solidariedade no Luísa Todi de Setubal, em que participei como artista convidada. A minha presença na Gala, constituia uma autêntica "embaixada" madeirense. Atrás de mim, no palco,brilharam quatro musicos,todos naturais e residentes na Ilha: o Julio Figueira, o Firmino Nóbrega,o João Alvarez e o José Manuel Camacho. Era uma "coisa" à séria. A nossa participação era muito esperada. Apesar de virmos de muito longe, apresentávamo-nos ao vivo,e em som directo. Sem as "facilidades" do playback. Os meus musicos, mostraram galhardamente o seu valor,numa variação inicial, que antecedeu a minha entrada em cena aberta. No final, e depois de evocarmos Max, com um trecho de sua autoria, fomos um dos grupos mais aplaudidos da "soirée". Por essa ocasião, conheci Vasco Rafael,fadista de uma densidade interpretativa invulgar. Ele foi indiscutívelmente, o "momento" da noite. Quando a sua voz entoou, os primeiros versos de "Que povo é este, que povo",de Vasco de Lima Couto,a sala encheu-se de aplausos. Nos bastidores, aplaudi também, quase frenéticamente. Nessa noite, o Vasco disse-me que o fado, era para ele " o sítio da sua plenitude interior". Nunca mais esqueci aqueles olhos grandes,"atingidos" por essa plenitude. Tenho a certeza que, lá do "assento etéreo " onde te encontras, Vasco, estarás encantando as almas com o teu Fado. Em plenitude...até à Eternidade.
Houvera estado, por mais de um mês,na velha e perturbante cidade de Jerusalém,onde participara num grande espectáculo de solidariedade ,organizado pela Peace Now,precedido duma manifestação que englobara pacifistas de diversas nacionalidades,exigindo soluções justas para pôr fim, ao conflito israelo-árabe. Chegara a hora ,de rumar verso Aman,a capital da Jordânia,onde participaria em diversas actividades, relacionadas com os refugiados palestinianos naquele país.As medidas de segurança do Aeroporto Ben Gurion,em Tel Aviv,exigiam a presença dos passageiros ,quatro horas antes do voo.Eram as habituais revistas à bagagem,o interrogatório sobre o motivo da nossa estadia em Israel,e (pasmem-se !) as razões que nos levavam a Aman. Como a El Al,não viaja para Aman,tinhamos de ir até Nicósia,no Chipre,e de lá tomar outro avião para a capital Jordana.Portanto, iamos para trás,para poder seguir em frente. Uma viagem curta ,transformava-se numa grande viagem,assim de repente... Aterramos em Aman, pelas 15 horas.Estava um dia de sol radioso,que nos havia brindado com uma panorâmica da cidade e arredores. Afigurava-se-me ridiculo, termos feito esta viagem para Aman,de avião, dado que poderiamos tê-la feito de carro,com pouco esforço.Afinal, teriamos só de chegar a Ramallah,vindos de Jerusalém,e rumar até Jericho,contornar o norte do Mar Morto,e dali, seriam uns escassos 38 Km ,até à capital da Jordânia. Imperativos de segurança, devido aos confrontos existentes em Ramallah,haviam-nos impedido de viajar por terra.Afinal,a Jordânia, é o país com maior numero de refugiados palestinos,e teriamos pouca chance de chegar até à fronteira, sem correr o risco de sermos detidos pelo exercito judaico,ou até mesmo ,de levarmos com um rocket em cima,pois a politica militar de Israel é "disparar primeiro,e perguntar quem é depois",segundo rezava uma crónica do Jornal palestiniano Al Fajhr. Tal como Lisboa, Aman foi erguida sobre sete colinas,e à primeira vista, respira-se um ar de modernismo e prosperidade.Lado a lado ,coexistem estrangeiros e locais ,que por sua vez toleram as opções mais liberais,daqueles que esqueceram um pouco ,a tradição mais arreigada,no que concerne ao vestuário feminino.Por consequência,nas ruas e avenidas, coexistem pacificamente as mulheres vestidas duma forma mais fundamentalista ,e outras,completamente ocidentalizadas.Os campos de refugiados das Nações Unidas elevam-se a dez,e o governo Jordano, fez sempre questão de dar todo o apoio,incluindo a concessão da cidadania Jordana.Hoje,mais de metade da população da Jordânia é palestiniana,e todos participam activamente na vida económica e política do país.Não fora a Jordânia,uma monarquia que admitiu uma americana como Rainha. É evidente que, sendo um país muçulmano,há sempre determinadas restrições de ordem moral e cívica,no entanto, mais de 70% da população é alfabetizada,havendo grandes discrepâncias sociais e culturais entre os habitantes das poucas cidades existentes,e a população rural das aldeias, e tribos nómadas beduinas do deserto. Não é raro, vermos nas avenidas de Aman,a passagem dessas tribos que vagueiam com seus camelos carregados de mantimentos. No Hotel onde nos hospedaramos,respirava-se um movimento descontraído de americanos e europeus, muitos deles jornalistas, que haviam vindo para a cobertura da Guerra do Golfo, que terminara há umas escassas sete semanas.Comigo , estavam dois jornalistas italianos do" Manifesto" e do "Il Resto del Carlino", três deputados franceses,um representante da Autoridade Palestiniana,o grande Georges Moustaki, baladeiro e poeta de intervenção, a cantora Collette Magny, uma espécie de Joan Baez à francesa, nome muito respeitado da "Chanson Engagée",e um grupo de musica tradicional palestiniana,com cerca de trinta elementos, todos residentes em Aman,e que se haviam juntado a nós,para um espectáculo,precedido duma Conferência/Debate sob o título de " Que Novos Caminhos para a Palestina",patrocinado pela "Association France-Palestine",com o apoio da OLP.O debate foi profícuo e interessante,mostrando-nos uma Autoridade Palestiniana, sem qualquer rasgo de fundamentalismo,e a participação de estudantes universitários,que claramente demonstraram uma cultura democrática bastante acentuada. No final, houve musica,fechando o evento a grande cantora francesa, e o grande baladeiro Moustaki, que chegou até a compôr para Edith Piaf, apelando à PAZ e à concórdia ,entre os dois povos em conflito. Sendo eu,a figura menos conhecida,coube-me iniciar as "hostilidades musicais",interpretando com playback instrumental ,três clássicos da Musica Portuguesa,terminando a minha actuação com "Ma Liberté",de Georges Moustaki.Fora, mais uma experiencia unica e inolvidável,que não passou despercebida pelos Media Jordanos,tendo honras de TeleJornal da Estação de Televisão Publica. Um mês depois,já em Portugal,recebia pelo correio uma cópia do " Il Manifesto", que, a dada altura, rezava assim: "...e il Fado,la canzone popolare del Portogallo, nella voce della cantante Valeria Mendez,pacifista ed attivista del Comitato Francese per la Palestina, è stato un momento di colore esótico,davanti ad un pubblico piuttosto interessato ai contenuti politici della Conferenza...". Fiquei contente. Pelo menos uma vez,o meu nome havia aparecido num jornal italiano.Enfim...Como sempre digo,"pequenos feitos...grandes vitórias."
O carro, subia penosamente a estrada de terra batida ,que serpenteava a encosta da montanha. Por momentos recriminei-me, pelo esforço a que obrigava o meu automóvel,transformando-o num todo-o-terreno feito à pressa.Contudo a expectativa de poder chegar à "cachoeira",ladeada pelo verdíssimo das árvores e plantas do Chão da Ribeira, serra da zona do Estreito da Calheta, Madeira,passava para segundo plano,o remorso dos golpes a que inflingia, o meu Alfa Romeo. De quando em vez ,dá-me pr`a isto ! Pego num livro, na minha guitarra, e num bom charuto ( prazer quase inconfessado que grangeei por terras de Simon Bolivar !), e lá vou eu, em busca da Paz. Desta feita,o livro era " Brida", de Paulo Coelho e o charuto um Cohiba, secretamente guardado ,para estas ocasiões mágicas. O carro não podia avançar mais. Havia demasiados sulcos no caminho. Estacionei-o,e percorri uns bons quinhentos metros até alcançar o sítio do desejo. Ali estava aquela água cristalina, descendo do monte, aquelas pedras enormes, quais guardiães dum templo sagrado,e os pinheiros e eucaliptos ,que exalavam um odor inconfundível. Estendi uma toalha no chão,pousei a guitarra e a bolsa , sentei-me, e respirei fundo. Apetecia-me naquele momento ,saudar o Universo,pela beleza que me proporcionava. Comecei a ler Paulo Coelho. Não podia ter encontrado melhor autor para apreciar naquelas paragens. Passara mais de uma hora. A narrativa do escritor brasileiro era viciante,profunda. Decidi pegar na guitarra. Como pano de fundo, haviam alguns passarinhos dialogando no seu Canto,o murmurio das águas puras,e o verde da minha paixão. Fundo-me naquele ambiente, e da guitarra saem algumas notas. Sem preocupação de "acertar".Subitamente, lembro-me duns versos de Pedro Homem de Mello,e canto-os: AO PASSAR POR UM RIBEIRO/ ONDE ÀS VEZES,ME DEBRUÇO/ FITOU-ME ALGUÉM, CORPO INTEIRO / DOBRADO, COMO UM SOLUÇO...A minha voz sobressai no eco,e inventa novos caminhos, para aquela melodia de Alain Oulman. Por espectadores,tenho fadas, duendes, gnomos e orixás-os quatro elementos.No final, parece-me que não estive só no meu Canto de prazer. Tenho uma sensação de "companhia", de estranha felicidade. Lembro-me dumas sandes de bolo-do-caco, fresquíssimo.Abro a bolsa, e saboreio aquele pão caseiro. Ali, ele tem mais sabor. É um regalo para os sentidos. Tenho forçosamente de agradecer mentalmente à Terra, que me proporciona momentos assim. De repente,recordo-me do Cohiba, presente dum amigo latino-americano.Acendo-o, dedicando-o aos Quatro Elementos, e ali fico a ver, desenharem-se no ar, formas indecifráveis que se elevam na atmosfera,misturando-se com o cheiro a eucaliptos, e a terra do chão. O momento é unico. Quase metafísico, a paz é profunda e o prazer, raia o irreal. Lembro-me neste momento, duma velha India que conheci na Montaña de Sorte, na Venezuela. A velha senhora também fumava seus "puros", num ritual esotérico, que levaria à incorporação de uma entidade qualquer, que viria,dos domínios da Morte, ajudar os vivos.(Recordo esse episódio na crónica LA BRUJA MAYOR.) O meu "ritual" chega ao fim, faço uma pequena cova na terra castanha, e de mãos nuas, enterro os resquícios do meu prazer.Volta à terra, de onde veio... Olho o céu, e reparo que o sol está a se pôr. Levanto-me, abro os braços, como que a saudar a Mãe Natureza, que me ofereceu aquela tarde magnífica. Uma hora depois, chego ao Funchal. Sinto-me estranhamente forte, estranhamente enérgica, invulgarmente feliz. "Carreguei as baterias", pensei eu, metendo o meu pobre carro empoeirado na garagem. "Levar-te-ei à lavagem, amanhã de manhã.Bem o mereces, depois de tanto esforço.", prometi eu ,ao meu esforçado Alfa. Tive até a impressão que ele ouviu os meus pensamentos, respondendo-me num "ranger" qualquer, ao fechar-lhe a porta.
Sendo o meu blog constituido por CRÓNICAS,forçosamente aleatórias do ponto de vista cronológico,mas vivenciadas ao mais alto grau,e necessáriamente mais extensas ,do que outros posts menos narrativos,peço permissão aos meus caros leitores,para recordar alguns dos titulos por mim debitados, nesta mui humilde página,que não tem a pretensão ,senão a de partilhar com os demais,estórias vividas,medos,angustias e temores exorcizados, causas e credos por mim abraçados, e peripécias que se amontoam no meu baú de memórias.
Será dificil para mim ,escolher,dos 54 concertos de Amália, a que asssiti ao vivo, aquele que mais me impressionou. Os recitais do Olympia de Paris, os três espectáculos no Líbano,aquele autêntico banho de multidão que Amália recebeu, num concerto memorável em Istambul,na Turquia, os célebres "Coliseus" de Lisboa, povoam a minha mente de recordações do talento, da força ,e da autenticidade daquele imbondeiro, voz dum Portugal trilhado por Vasco da Gama, universal e diásporo. Apontam alguns menos esclarecidos o pretenso declíneo de Amália, nos seus ultimos anos de carreira,desconhecendo verdadeiramente os "feitos"de Amália ,nesses ultimos, mas belos anos, da sua existência como cantora. É certo que, a Amália dos anos noventa ( Ela só cantaria até 1995), não possuia, como é óbvio,a cristalinidade dos seus tempos aureos, nem sequer a tessitura fantástica da Amália aos cinquenta anos de idade, que se pode admirar em albuns como "Com que voz" , "Amália canta Portugal 3" ou ainda em "A una terra che amo",só para citar alguns dos albuns da década de setenta. A capacidade interpretativa, a inteligência e técnicas vocais da artista, mantiveram-se contudo ,mesmo depois dos 70 anos de idade, em que a profundidade,a extensão vocal, e a melismática dos graves, se fizeram mais presentes, compensando a falta dos agudos e da "cristalinidade", que naturalmente se esvairiam com os anos, pois mesmo com os deuses, a idade não perdoa. Amália é pois, o exemplo mais perfeito da manutenção da qualidade vocal numa carreira que ultrapassou os cinquenta e cinco anos,mostrando nas diversas fases da sua voz, qualidade, inteligência,técnica vocal, energia, que aliás foram seu apanágio até o fim.Cantar mais de duas horas, ao vivo, e com a responsabilidade de ser-se um "mito" vivo, foi o desafio a que Amália se propôs,e conseguiu-o, sem pisar o risco da decadência.Lembro-me do seu ultimo recital em Portugal, no Coliseu, em 1994, em que Ela foi brilhante nas extensões dos melismas com que nos brindou ,em clássicos como "Povo que Lavas no Rio", e mostrou-nos o prazer pela sua profissão,ao oferecer-nos inéditos, nunca gravados, desta vez acompanhada ao piano, sempre entusiasmada pelas inovações, qual cantora principiante, que "testa" ao vivo, as sua capacidades artísticas,sempre com a paixão da descoberta .Amália foi inovadora até ao fim.Só a doença, a incapacitou de lançar mais algumas pérolas, sempre com a preocupação de ser fiel a si mesma,honesta nos seus processos ,e sobretudo abrindo novos caminhos à Musica, respeitando a essência da sua própria cultura... Um dos concertos de Amália nos anos 90,a que tive a felicidade de assistir,foi em Roma,mais propriamente em Caracalla, local célebre pelos grandes espectáculos de vedetas como Pavarotti ou Sting, na actualidade, ou ainda de Maria Callas ou Edith Piaf,nos longínquos anos cinquenta ou sessenta. A sua voz conquistou um publico heterogéneo, de idades e culturas tão díspares.Para além duma maioria italiana, haviam muitos americanos e gentes de outras nacionalidades.Era tempo de Verão,e Roma transbordava de turistas.A "Regina" cantou quase três horas, desfiando algumas joias do seu reportório mais recente, como "Entrega", "Prece","Obsessão","Lágrima" ou "Grito". Os milhares de pessoas que enchiam o recinto ao ar livre, faziam um silêncio quase biblico, enquanto o"mito" se fazia realidade, na extensão e profundidade da sua "voz rouca de cobre e veludo,duma força e duma capacidade inatingíveis", segundo referia no dia seguinte, um exigente crítico musical do "Corriere della Sera". "É uma força da natureza, como pode Ela, aos setenta anos estar ali quase três horas, com aquela energia, aquela voz potente , aquela entrega total?", escrevia o mesmo articulista. "Barco Negro","Ay mourir pour toi", "Abril em Portugal" e "Gaivota", foram outros dos temas mais antigos, longamente aplaudidos. Um alinhamento dificil, uma escolha de reportório que "puxa" muito pela capacidade vocal, mostrou-nos uma Amália rendida à sua própria felicidade, uma Amália que tinha 72 anos, mas que parecia ter 50. Um estrondoso sucesso, acreditem, um fenómeno mesmo,acrescentaria, sem qualquer hipótese de me acusarem de "excessiva" ou exagerada. A Artista, daria por terminado o show com um Malhão, não deixando de brindar a assistência com uns improvisos vocais,as tais "amaliazadas" conforme a propria Amália referia.O publico, no final ,gritava por mais "encores", ao que a diva não se fez rogada, interpretando mais três temas,um deles em siciliano,o "Vitti na Crozza", que a cantora havia gravado nos anos setenta.Quando a minha memória discorre sobre os 54 concertos de Amália ,a que tive a felicidade de assistir,acabo sempre por me "surpreender",com este ou aquele detalhe ,da Arte Maior da nossa rainha. Recordo-me, neste preciso momento, do ultimo trecho de Amália, neste memorável concerto de Roma,o "Foi Deus", em que o "vocalize " da palavra "azul", ainda hoje me transporta ao local, qual viagem astral tão "real", quanto um sonho acabado de sonhar. Aquela força, aquela extensão daquele "azul"dos versos de Alberto Janes, cantado por Amália,é todavia ainda, o "clic", que me faz transportar a Caracalla, no Verão de 1991.Um momento de magia "ormai irripettibile". Transcrevo,para finalizar, as palavras de André Pautard, chefe-de-redacção do "Express",e um dos jornalistas estrangeiros presentes para a cobertura deste concerto: ..." Que outros artistas, antes de Amália Rodrigues, terão tido a capacidade de cativar povos de culturas tão diferentes,e atingir em vida um estatuto sagrado, de mito incontornável,aliado a uma verdadeira qualidade vocal e interpretativa,sem processos nem campanhas de marketing? Duas, sem dúvida- Edith Piaf e Oum Koulthoum, que foram igualmente monstros sagrados, capazes de galvanizar sem concessões,auditórios heterogéneos, com a mesma intensidade e sucesso, ao longo das suas carreiras."