outubro 31, 2003

DETIDA EM TEL AVIV (2)

O carro patrulha entrou num edifício moderno, que ostentava a bandeira de Israel, e quatro homens armados à porta. De repente, fui "obrigada" a sair da viatura,e subi uma escada de acesso a uma grande sala. Disseram-me que esperasse. Protestei, afirmando que ainda teria que percorrer mais de 50 Km até Jerusalém, onde estava hospedada. Eles nem responderam. Cinco minutos depois, mandaram-me entrar num gabinete, onde um oficial, careca e anafado, me aguardava. O gordo sorriu para mim, e apontou uma cadeira, frente à sua secretária. " Então você é artista, e é de Portugal. Belo país o seu. Vejo também que um dos seus apelidos é "Mendez",sabe que é um nome de origem judaico?", adiantou o oficial,e sem me deixar responder acrescentou:"Vejo no seu passaporte várias entradas em Israel.A que devemos a honra das suas visitas?,concluiu. "Pois é", retorqui eu ,muito calma." Vocês já condecoraram, e muito justamente ,um português de nome Aristides da Silva Mendez, que muito fez por vocês, durante a Segunda Guerra.E orgulho-me muito do meu nome. Já não posso dizer o mesmo ,do que se passa actualmente neste país, que tem uma memória muito curta,e está a fazer agora a outro povo, o mesmo que Hitler vos fez há umas dezenas de anos, não é?, disparei, sem respirar. "Ah, é tudo uma questão de interpretação, Miss Mendez", afirmou o militar."Mas ,respondendo à sua pergunta, eu tenho entrado sempre no vosso país, com um visto da vossa embaixada em Lisboa,e não faço segredo daquilo que faço, sabe, eu sou pacifista, activista do Comité Francês para a Palestina, e defendo ideias, que muitos de vocês aplaudem.Afinal, o "Likud"(Partido de direita, no Governo), não representa a totalidade das tendências políticas no seu país, não é assim?", ironizei, retribuindo o sorriso caustico do meu interlocutor."Aí está", disparou o anafado oficial, "somos um país democrático". Eu nem respondi, limitei-me a dar uma pequena gargalhada."Mas então ,satisfaça a minha curiosidade", inquiri eu ,"qual a razão desta minha detenção?".O homem suspirou fundo, puxou de um cigarro, acendeu-o,e respondeu-"Sabe, você está em Tel Aviv, uma cidade israelita. Aqui não há terroristas, nem os admitimos cá. Não aceitamos provocações". "Como assim ? ", gritei . "Oh minha cara,você pavoneia-se pela cidade, com esse Kafieh (lenço típico palestiniano) ao pescoço. É de muito mau gosto usá-lo aqui. Se quizer , use-o em Gaza ou Ramallah. Não aqui !", vociferou o homem, perdendo a compostura. Fixei o gordo, puxei de um cigarro sem lhe pedir licença, acendi-o, encostei-me bem à cadeira, e dei uma sonora gargalhada- " Ah, e vocês são tão democráticos, que gastaram dinheiro do erário publico, para me dizerem que não posso usar o kafieh ? Ah vocês são, sem duvida, um grande modelo de democracia! Muitos parabens!". O oficial remexeu-se no cadeirão, e secamente concluiu-"Lembre-se que aqui ,você é uma hóspede! Preencha este formulário de identificação,e guarde esse lenço.", colocando um papel azul à minha frente. Sem palavras, preenchi-o com o meu nome, actividade profissional, residência em Jerusalém ,e motivos da minha presença em Israel. Sem me agradecer, chamou dois subordinados, disse-lhes qualquer coisa em hebraico, olhou para mim, e sentenciou-"Estes homens vão levá-la ao local onde estava." Ia a sair, quando o homem me interpelou furibundo- "Então você diz aqui, que se encontra no Hotel St Georges, em Jerusalém Oriental, PALESTINA? Jerusalem ,é toda de Israel, é a capital de Israel", berrou o homem. Ainda na porta,metendo o lenço na carteira, e em tom jocoso, retorqui-lhe-"É tudo uma questão de interpretação ,não é? Afinal há tantos países que recusam sediar as suas embaixadas em Jerusalém, não é caro senhor? Ah...e excusa de gastar mais gasóleo do erário publico.Prefiro sair a pé!", concluí ,sorrindo. Virei as costas ao homem,deixando-o a pronunciar algumas palavras imperceptíveis... Passados dez minutos, apanhava um táxi em direcção a Jerusalém, pensando no ridiculo de toda a situação. Santo Deus, ao ponto que chegam os fanatismos e as intolerâncias... (FIM)

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outubro 29, 2003

DETIDA EM TEL AVIV (1)

Sempre que me desloco a Israel e à Palestina, assento arraiais na cidade de Jerusalém,para mim, a mais fascinante metrópole, que algum dia conheci. A cidade berço das três principais religiões do mundo, apesar de ser a capital oficial de Israel, não possui aeroporto, nem a maioria das embaixadas estão lá sediadas, dado que a maior parte dos países, não reconhece Jerusalém, como capital de Israel, dados os conflitos iniciados com a guerra de 1967. Tel Aviv, é pois, a cidade israelita por excelência, a grande maioria das embaixadas ali se encontram,e é o principal centro industrial e económico-financeiro do país. Até 1950, foi mesmo a capital oficial do país dos hebreus. Fundada em 1909, Tel Aviv é uma bela cidade moderna,com uma marina cosmopolita,grandes praias e resorts hoteleiros de cinco estrelas, com uma actividade cultural abundante, de onde sobressaem o Museu Ha`aretz, com as suas secções dedicadas à ciência e tecnologia, o célebre Museu da Diáspora, que ilustra a história do povo judeu desde 70.d.c., até à Fundação do Estado de Israel em 1948. O Pavilhão Helena Rubinstein é também digno de ser visitado, pela Arte Maior ali exposta. Teatros como o Ohel Shem, uma espécie de Olympia israelita,recebeu já grandes vedetas internacionais como Frank Sinatra, Marléne Dietrich, Madonna ou Amália Rodrigues.Em cartaz ,podia-se ver naquele momento, o nome de Tony Bennett.Cohabitam nesta singular cidade, as mais variadas formas de vida, lado a lado ,com uma comunidade judaica de barba comprida, vestida de negro, podemos ver nas praias ,mulheres em topless e rapazes de tanga minuscula, na maior das descontracções. A visível comunidade gay,lésbica e transexual, exprime-se livremente, tendo Dana International, a cantora,nascida biológicamente homem e feita mulher por opção, como o seu ícone mais amado. Todo este liberalismo, é diáriamente criticado, em jornais e rádios da comunidade judaica religiosa, muito mais fundamentalista que certos estados árabes. Como não possuem no Knesset(Assembleia) a maioria, não podem aprovar leis proibitivas e castradoras da liberdade humana. Em Tel Aviv, quase tudo é permitido e é visto. É banal vermos um qualquer "casal gay" abraçado nas ruas, é interessante vermos os jovens despreocupadamente passeando em tronco nú pela marina, em contraste com os jovens de negro, excessivamente vestidos para o clima, de barba comprida, com o Torah(Livro Sagrado dos Hebreus) na mão, rezando em voz baixa, pelas ruas da movimentada baixa citadina. Achei bonito este contraste. Denota inteligência e civilização. Não há nada como a aceitação pacífica da diferença.
Encantada com a observação destas vivências cruzadas,o meu optimismo quanto à democracia ali vigente,teria minutos contados. Ao entrar num Centro Comercial, fui subitamente abordada por dois militares, que me pediram a identificação, ao que naturalmente lhes facultei o passaporte. Para meu espanto, pediram-me que os acompanhasse, sem me darem qualquer explicação. Fui logo, quase arrastada para o interior de um carro patrulha, sob os meus protestos, questionando-lhes a razão da detenção. Durante os três ou quatro minutos de viagem, os dois militares não falaram. De repente ali estava eu, contra a minha vontade, num carro patrulha, sem saber o porquê de tal privação da minha liberdade.... (CONTINUA...)

Publicado por Valéria Mendez em 01:44 AM | Comentários (4)

outubro 21, 2003

Cantando para Portugueses da Venezuela

A Venezuela é o país estrangeiro ,que maior numero de madeirenses alberga,e é um grande ponto de emigração dos anos 60 e 70. O ultimo census, apontava para o numero, de mais de trezentas mil almas lusas, que laboraram ,e se adaptaram àquele país sul-americano. É um país apaixonante, direi mesmo viciante, dadas as diferenças que se encontram ,quando nele se viaja. Passamos tão rápidamente ,dum tipo de sociedade urbana e industrializada, à pura vivência de índole quase tribal, entrecortada de pequenas localidades, onde a vida discorre sem a panaceia dos modernismos tecnológicos. É também ,o tradicional país latino-americano, onde se vive em grandes metrópoles, com pressupostos de segurança e cuidados, que nunca nos passaria pela cabeça, mesmo em pleno Bairro Alto lisboeta da actualidade. Caracas, é considerada a capital americana menos segura.A corrupção não é vista como tal, mas como um fenómeno normal; tudo custa dinheiro, e tudo, ou quase tudo, se consegue com dinheiro. O quinto maior produtor de petróleo do Mundo, vive de expedientes,e de decisões pouco hábeis, de políticos muito convencidos, preocupados sobretudo em "sacar "o máximo, no menor período de tempo. Vive-se contudo a democracia, o povo manifesta-se nas ruas, a maior parte das vezes, influenciado pelos dois sectores mais importantes da sociedade:os pró-americanos(pro-USA),e os sonhadores, na linha de um Simon Bolivar ou de um Che Guevara, irascívelmente anti-americanos, que encontraram em Fidel Castro um aliado "amigo" e incondicional.Pessoalmente atiro-me ,porventura irresponsávelmente , mas enfáticamente apaixonada, pelos "sonhadores", que ainda cantam as canções de Che, nas ruas da capital venezuelana.(Permita Deus que o Alberto João, não seja meu leitor neste humilde blog !). Eu já havia estado na Venezuela algumas vezes, mas desta feita, a minha presença naquele país, prendia-se a um convite do Centro Português de Caracas, que organizara uma autêntica digressão, muito bem elaborada,e de fazer inveja a qualquer vedeta da Canção. A "tournée" incluia vários concertos no Centro Português, assim como ,presenças em diversas cidades como Maracay, Maracaibo e Barquisimeto, onde se vive apaixonadamente a saudade de Portugal. O Centro Português de Caracas, é uma das obras mais grandiosas da cidade, que inclui um verdadeiro complexo recreacional, com restaurantes, salas de jogos, bibliotecas, salas de estudo, onde se ensina o Português a vários níveis;piscinas, campos de ténis, sala de congressos, sala de espectaculos, uma capela, enfim, trata-se dum pequeno império português, maioritáriamente frequentado por madeirenses, mas também por patrícios de vários pontos do Continente Português, de várias gerações, os mais jovens já integrados na sociedade venezuelana, com formação universitária ,e responsabilidades profissionais ao mais alto nível. Desde um recital que dei para mais de duas mil pessoas em Caracas, a um outro para mais de mil em Maracay, guardo recordações e afectos inigualáveis.Ficou-me a memória de gente "valerosa", cheia de saudade do seu país, que ainda possuiam a capacidade de chorar, ao ouvir um verso dum qualquer poeta luso. Lembro-me daquela senhora em Maracay, que de olhos vidrados me abraçou fortemente no final do espectáculo, dizendo-me:"Olhe, você não sabe o bem que me fez...",e ainda do jovem casal de luso-descendentes, ele engenheiro e ela advogada, que vieram cumprimentar-me ,e agradecer a "aula de cultura portuguesa" que lhes havia proporcionado. Foram momentos de grande emoção, de gente que ainda hoje continua um pouco esquecida, pelos sucessivos governos pós-abrilianos, que pouca atenção têm dado, à sequiosa vontade destas gentes, que continua a querer perpétuar a nossa língua e a nossa cultura,no país, onde apesar de tudo, encontraram melhor vida, do que aquela que a sua pátria lhes proporcionou... Como corolário desta digressão fabulosa, tempos depois, andava eu calmamente no meu jogging matinal na zona do Lido, Funchal, quando de improviso, fui abordada por um numeroso grupo de jovens luso-venezuelanos de visita à Madeira, provocando um "sururu" atónito dos locais, ao verem-me rodeada de tanta gente ,que me pedia autógrafos,e recordavam entusiásticamente essa minha tournée por terras de Simon Bolivar. Dias mais tarde, numa rua do centro do Funchal, o conhecido fotógrafo madeirense João Pestana, interpelou-me, estupefacto: "Olhe, realmente nunca pensei que tinha feito assim tanto sucesso na Venezuela; aquela gente toda a lhe pedir autógrafos, vou-lhe dizer, se me contassem não acreditava!". Balbuciei um obrigada,e continuei o meu caminho sorrindo, e pensando que são os portugueses que vivem em Portugal, aqueles que menos auto-estima possuem. Felizmente, Portugal vai-se cumprindo na diáspora, em locais tão distantes e tão diferentes ,como a Venezuela, o Canadá ,a França ou a África do Sul.

Publicado por Valéria Mendez em 02:37 AM | Comentários (5)

outubro 20, 2003

MANIFESTO ECOLÓGICO DE AMÁLIA RODRIGUES

"EM VÉSPERAS DE CALDEIRADA, O OUTRO DIA/ JÁ QUE O PEIXE ESTAVA TODO REUNIDO / TEVE O GORAZ A IDEIA, DE FALAR À ASSEMBLEIA/ NO QUE FOI MUITO APLAUDIDO/ CAMARADAS, PRINCIPIA A ORDEM DO DIA/ É TUDO AQUILO QUE FÔR POLUIÇÃO/ PORQUE O HOMEM ,QUE É UM TIPO CABEÇUDO/ RESOLVEU DESTRUIR TUDO, POIS ENTÃO... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... .." (in "Caldeirada",de Alberto Janes) Na década de setenta,iniciaram-se as primeiras convenções sérias, sobre os efeitos nefastos da industrialização, e da poluição marítima provocada por incúrias, que levariam à contaminação das águas, e à morte de muita fauna oceânica, tão preciosa para o equilibrio ecológico do planeta. Em 1977, Amália Rodrigues, provando ser, uma artista atenta ao mundo que a rodeava, grava um autêntico "manifesto ecológico", em forma de "assembleia de peixes", que se reune para analisar a irresponsabilidade do bicho homem. É editado pois, um tema, que o seu compositor Alberto Janes, autor de outros sucessos como " Foi Deus", É ou não é" e "Vou dar de beber à dor",havia feito para Amália. Trata-se de "Caldeirada", o ultimo sucesso do licenciado em Farmácia, que num dia distante dos anos cinquenta havia-se acercado de Amália, com algumas partituras debaixo do braço,dizendo-lhe que "só ela saberia cantar aquelas canções, que tinham sido escritas a pensar na sua voz". A cantora, com o seu "olho clínico", agarrou a oportunidade,e obteve assim alguns dos seus êxitos mais populares, que chegaram a ser interpretados em várias linguas, tornando-se assim, Alberto Janes, num nome incontornável da carreira de Amália Rodrigues. A EMI- Valentim de Carvalho, acaba de lançar no mercado o volume 3 de "O Melhor de Amália", onde inclui esta gravação de 1977,a "Caldeirada", que passados quase trinta anos da sua edição ,continua a ser pertinente e actual. Uma interpretação genial, em que se adivinha o diálogo,a ironia, a determinação dos "personagens" da canção, pela sabedoria interpretativa desta grande cantora portuguesa. Indispensável, para quem ache que a musica pode ser um veículo de consciencialização social, ou simplesmente para quem queira "recordar" esta faceta de Amália, por vezes ignorada ou esquecida. Ouçam, caros amigos,e depois, digam lá qualquer coisinha... .

Publicado por Valéria Mendez em 01:52 AM | Comentários (3)

outubro 18, 2003

DULCE PONTES e MISIA - A Arte em Tom Maior

O meu "low profile" artístico, permite-me entrar no campo da crítica, sem ter alguma "andorinha" a sussurrar-me ao ouvido, "que poderão interpretar mal as tuas palavras", atribuindo-as à célebre invejinha do português. Felizmente, não sofro dessa doença nacional, talvez porque a minha juventude ,foi em grande parte vivida noutras paragens...Não saberei destrinçar o porquê. Hoje, retomo algum prazer que tive ,quando escrevia para um jornal, na secção de Musica e Arte. Vem a propósito,a necessidade que há duma vez por todas,de distinguir na musica, os verdadeiros criadores e os oportunistas copistas, que não só estragam,a obra de arte primeira, como influenciam negativamente os neo-apreciadores dum qualquer género musical. Assiste-se actualmente,a um desavergonhado aproveitamento do reportório de Amália Rodrigues,como se não existissem nas prateleiras das discotecas, os originais amalianos. É evidente que a duplicata de um qualquer tema artístico,pode ser válido,desde que apresente, ou acrescente algo do "novo" sentir do artista que o reproduz, porém, quando a utilização visa unicamente o comércio, sem quaisquer abordagens dignas duma particularização identificativa do sentimento do autor,então estamos perante o abortar de qualquer caminho criativo, que é,como sabem, a mola que move o homem para uma evolução digna e condigna. Vem toda esta verborreia,a propósito de dois lançamentos discográficos, que são,sem sombra de dúvida, paradigmas daquilo que se consideram, verdadeiras criações artísticas, baseadas numa aprendizagem técnica e emocional ,do que o nosso espírito aculturou,mas sem manchar a obra já feita ,levada ao extremo da perfeição. Falo de Dulce Pontes,e do seu "Focus" com musica de Ennio Morricone,onde a cantora,sem deixar de ser portuguesa na sua essência,lança outros voos à interpretação, que não é mais do que o somatório das suas influencias,mais a caracteristica "genética" do seu proprio sentir enquanto artista. Aliás,vemos em odiernas interpretações de clássicos de José Afonso e de Amália,o desejo implícito de homenageá-los ,e de não usar-los para seu benefício imediato. A coragem de gravar um autêntico hino, que é o "Povo que lavas no rio", só poderia ter consistência artística, como o fez Dulce Pontes, ou mesmo como o fez, quinze anos antes, o criativo António Variações. Os restantes "Povos que lavas no rio", que inundam o reportório das fadistas e cançonetistas, não são mais do que meros aproveitamentos duma melodia e dum poema, que por si só, grangeam admiração.É a chamada, prostituição da Arte. Ela existe em todos os sectores da vida. Outro caso de responsabilidade artística e de criatividade, é o de Mísia, célebre fadista, que já tive o prazer de ver em Paris, perante uma plateia maioritáriamente francófona, interessada,e exigente em termos artísticos. Mísia, também repegou no passado ,fados tradicionais e acrescentou-lhes a mais-valia das palavras de Saramago ou de Agustina Bessa Luís. Não optou, e bem, pela fácil reprodução dos celebérrimos temas literários musicados por Alain Oulman, expressamente para a voz de Amália. Como intérprete,não negarei que eu própria ,os utilizo nos meus espectáculos, dando-lhes o meu cunho pessoal,evidentemente fugindo da fórmula interpretativa amaliana,pois se o contrário o fizesse, correria o risco de dar umas quantas cambalhotas.Dizia, António Vitorino de Almeida,na contracapa de um disco de Amália-"o homem que imita as ondas, dá cambalhotas". E que cambalhotas tenho eu visto por aí... Regressando à Mísia, dizia eu, que toda a produção discográfica deverá ser encarada como um instrumento cultural, que abrange diversos itens da civilização:a musica, a poesia, o retrato antropo-musicológico de um povo,e não raras vezes, motivações sociais e políticas, usos ,costumes. Não é por acaso ,que em muitos países, existe no ensino secundário uma cadeira de "Music Appreciation", que não é mais do que a" bengala "que ajudará o "futuro" publico ,a não se deixar embalar por musiquinhas que chamam pelo António,e doutras que dão uns quantos "pimbas "à menina desejosa de ser "pimbalhada"...Mísia, com o seu novíssimo "Canto", dá-nos uma lição de criatividade e de respeito, pelos grandes valores artísticos-Trata-se de treze musicas de Carlos Paredes, adaptadas ao canto,e soberbamente acompanhadas por um quinteto de camera francês,e pela "indispensável" guitarra portugesa.Ora cá está um disco, que é realmente um objecto cultural,e ao mesmo tempo uma delícia para os sentidos. Ouvir estes dois albuns destas duas cantoras portuguesas de excepção, transmite-nos aquela centelha de prazer, que ainda sinto perante a "novidade" das interpretações de Amália, em albuns de culto, como : "Encontro C/ Don Byas", "Com que voz", " A una terra che amo", "Fado Português","Amália canta Portugal" e "Amália na Broadway", onde, lá por cantar em inglês, a diva do Fado,não deixa de ser fadista, como o acentua ainda mais, sem "estragar" as musicas de Cole Porter ou de Gershwin, trazendo-lhes, isso sim o "apport" da verdadeira criatividade. É isso que Dulce Pontes e Mísia, fizeram nestes seus novos trabalhos. O artista é um criador, não um computador que reunifica dados,e os desbobina maquinalmente. Tenho dito!

Publicado por Valéria Mendez em 05:46 AM | Comentários (4)

outubro 17, 2003

Publicado por Valéria Mendez em 01:38 AM | Comentários (5)

outubro 15, 2003

Um Concerto no 2º Melhor Hotel do Mundo

O "Expresso",noticiou que o Hotel Savoy da Madeira, foi considerado por um grupo de Agentes Turísticos,o segundo melhor hotel do mundo. Pois então. Meu Deus,parece tão pretencioso,mas esta que vos fala, já teve a honra de ser figura de cartaz do Savoy. O concerto, estava incluído no Festival de Outono, iniciativa promovida pelo Cine-Forum do Funchal, que no passado, foi responsável pela vinda à Madeira, de nomes como Paulo de Carvalho, Carlos do Carmo, Ballet do Bolchoi de Moscovo, Olga Pratts,Gloria Gaynor e Amália Rodrigues. Estava tudo a postos. No ultimo piso do Hotel, o "night-club" Galáxia, apresentava-se como um promontório,de onde se podia admirar a soberba paisagem a sul ,do mar,e a norte, do presépio que constitui o anfiteatro da cidade do Funchal, subindo a encosta, até lá do alto, surgir ante os nossos olhos, a montanha quase virgem. Os meus guitarristas tocavam uma variação introdutória, para um publico, do mais heterógéneo possível. Haviam portugueses,alemães,ingleses, franceses, italianos,suecos, e até um casal de japoneses, que no final da actuação, não quizeram deixar de satisfazer a sua curiosidade em relação ao fado,e aos seus contéudos poéticos. Os aplausos no final das variações, diziam-me, que tinha de entrar em cena. Bebi um pouco de chá quente com whisky (não há maneira de me libertar deste preliminar !),e avancei. As guitarras arrastavam um fado clássico, compassado, lento. A minha voz, pronunciou os primeiros versos dum poema de David Mourão-Ferreira. Seguiram-se mais dois fados tradicionais. O silêncio era para mim, aterrador,e ao mesmo tempo motivante.Ao fim dos três primeiros temas, comecei a suspirar de alívio. Os nervos já eram história passada. Já mais à vontade, apresentei em vários idiomas, algumas considerações sobre o fado, passando a um tema mais ritmado,onde a participação daquele publico cosmopolita não se fez esperar. Em " Cheira a Lisboa", já brincava com o publico, ensinando-lhe ,pela repetição do refrão, aqueles versos de César de Oliveira, que após breves momentos cantavam entusiásticamente. Terminei com uma cantiga de Max, que foi acompahada pelo "lá,lá,lá" de um publico, que não hesitou em levantar-se, e bailar animadamente o "Bate o pé", desse grande"embaixador" da Madeira. Saí do palco, feliz pelos aplausos,e pelo pedido do "encore" do publico. Meia hora depois, misturava-me com os presentes,e fui logo bombardeada , com perguntas curiosas e interessadas, sobre o fado e a guitarra portuguesa. Tive até mesmo de falar, quase em simultâneo, duas ou três linguas diferentes, procurando satisfazer, a avidez de conhecimento das pessoas.Não me surpreende pois, o êxito no estrangeiro, de fadistas como a Mariza ou a Mafalda Arnaut. Todos nós, devemos essa receptividade, aos caminhos desbravados por Amália. O casal japonês, não se cansava de me repetir, que a tinham visto uma vez em Osaka,e que para eles, havia sido uma experiência unica e memorável.Um italiano de Génova, fez questão de me dizer que uma vez, em Itália, assistiu a três concertos consecutivos da diva portuguesa, tal a "impressão" que lhe causara, a voz e o talento da "regina del Fado".Fora uma noite para recordar com prazer. Um recital no " 2º Melhor Hotel do Mundo", onde eu, uma pobre desconhecida, contribuiu um pouco, para dar a conhecer a riqueza da nossa musica.Oxalá assim tenha sido! Pequenos "feitos", grandes vitórias .

Publicado por Valéria Mendez em 01:55 AM | Comentários (3)

outubro 14, 2003

Na varanda do nosso quarto...

Depois do jantar,regado com um vinho tinto de eleição,eu e o meu companheiro, refugiamo-nos no quarto. A noite estava clara. O mar espelhava a luz da lua. Havia silêncio,e aquele mar lindo do Porto Santo. Apeteceu-nos, sentarmo-nos à varanda,falando de tudo e de nada, quando porventura pela mágica de Iemanjá, aquele mar imenso,mesmo ali defronte, lembrou-me os versos de José Régio-" O Fado,nasceu um dia/ quando o vento mal bolia/e o céu e o mar prolongavam/ na amurada dum veleiro/ no peito dum marinheiro/ que estando triste,cantava..." Debrucei-me sobre o balcão, qual "amurada de um veleiro",e discretamente cantei o poema de Régio,com musica de Alain Oulman. O meu companheiro,olhava o mar,para além do horizonte,e o fumo do seu cigarro desenhava formas indecifráveis no ar, que pareciam acompanhar o queixume da minha voz. Era um momento só nosso. Muito especial. Muito intimo. Ao terminar a canção, da varanda ao lado da nossa,e duma varanda de um piso superior, soaram palmas. Uma voz gritava alto -"bravo!",com sotaque estrangeiro. Rimos. Gritei um envergonhado "thank you",e recolhi ao quarto quase intimidada. Já no leito, o meu amigo-amante, disse-me quase ao ouvido:" Sabes uma coisa? Se a Amália te ouviu, não se zangou concerteza!" Sorri,pensando:" A Amália,decerto que não,agora o José Régio,já não tenho tanta certeza. Quem possui um Rembrandt, pr`a que quererá uma cópia tosca dum desconhecido?"

Publicado por Valéria Mendez em 01:01 PM | Comentários (1)

outubro 10, 2003

Essa "gostosa" solidão...

Como talvez se terão apercebido,quiz o destino me condenar à incapacidade de ser mãe. As deficiências genitais com que nasci,impediram-me à partida, de passar pelo mais belo momento duma mulher-o de dar à luz ,uma nova vida. Tivera eu nascido nas décadas de oitenta ou noventa, teria tido a ventura de ser submetida à correcção cirurgica do meu hermafroditismo,e segundo os médicos, teria mais de 70% de chances,de vir a ser mãe.Desafortunadamente, nasci mesmo logo no início dos anos sessenta. A medicina não se encontrava ainda preparada para tal feito. Há cerca de dois anos,o meu médico,em consulta de rotina, confessou-me que havia acabado de efectuar uma cirurgia, idêntica àquela que efectuei há onze anos,num bébé. Os pais ,haviam sido avisados do problema, retardaram o registo do sexo e da identidade,e depois de estudado o caso e realizada a operação,é que puderam dar um nome,neste caso à menina, que tinha vindo a este mundo. Fiquei feliz,por saber que, desta vez, alguém não seria condenado a uma adolescência e juventude cheia de mágoa e de solidão. A descoberta da volupia e do romance, comigo deu-se tardiamente.Só depois da cirurgia,e largo tempo passado,é que quiz ser igual aos outros: Ter uma vida,na medida do possivel,o mais parecida com a normalidade. A maternidade é a minha maior frustração. E logo eu, que adoro crianças, fico logo tão babada com um bébé ao colo, que custa-me tanto separar-me dele, entregá-lo à sua mãe. Devo estar a pagar algum karma, de certeza. Dadas estas premissas, nunca consegui, por muito que tentasse, juntar os trapinhos com algum príncipe encantado,e viver a aventura da vida a dois. As minhas primeiras relações sentimentais falharam por isso mesmo. Há cerca de cinco anos, quiz Deus ou a Fortuna, que entrasse no meu caminho alguém que estava na mesma sintonia que eu. Esse homem já tinha casado, havia-se divorciado, já possuia um filho,e tal como eu, prezava muito essa "solidão gostosa", que é saber que se tem alguém com quem partilhar os nossos afectos e emoções, sem abdicar da total privacidade, do escutar a musica de que se gosta,noite dentro,sem incomodar ninguém e de ser dono dos nossos passos. É então, que o encontro, o jantar, as três ou quatro noites por semana que passamos juntos, ora na casa de um, ora na casa do outro, transforma a nossa vida, numa aventura e num partilhar de emoções, que nunca se atenua, ou se torna naquela rotina, que mata muitas relações,nos dias de hoje. Odeio a solidão, os meus olhos ficam ceguinhos de choro, quando a constato, num banco de um qualquer jardim. Mas, adoro, essa "gostosa solidão", que me traz a possibilidade de dialogar comigo mesma ,com os meus livros, os meus discos... Encontrámos,nós os dois, a fórmula perfeita. Um dia, quiçá, se o destino quizer,e a nossa idade "apertar", então sim, talvez partilhemos, dia a dia, noite após noite, o nosso respirar. Por enquanto, sou feliz assim. Estou tão excitada, que nem uma jovem de 20 anos.É que amanhã, nós os dois, decidimos ir ao Porto Santo, só para jantar e passarmos lá a noite. Num hotel, ali mesmo junto à praia dourada. Como dois pombinhos...

Publicado por Valéria Mendez em 02:46 AM | Comentários (3)

outubro 09, 2003

Desolação

Para além da injustiça social, que grassa nesta Humanidade,pouco digna desse nome,em que se matam inocentes, para atingir metas de riqueza, ou de poder político-financeiro, em que por tão pouco, se poderia evitar a morte,com uma simples vacina em muitos recantos do planeta, a desolação invade-me, quando penso na falta de amor entre as pessoas,num mundo onde o que conta são as aparências,o poder, o consumismo e o prazer rápido e sem medida.Desloda fico, com a SOLIDÃO de uma velhinha num banco de jardim,dum velho que carrega aos ombros, o fardo de uma vida vivida, sem direito a um final digno e humano. Desolada minh`alma fica ,quando vejo um jovem afundar-se na grande solidão, que é a toxicodepêndencia. Nestas alturas, quereria ser não uma ,mas mil pessoas,para poder parar,conversar, fazer sentir a toda essa gente ,que na realidade existe alguém que se importa, que quer dar a mão. A minha impotência, é a minha raiva;o ser uma só alma,é a minha desolação...

Publicado por Valéria Mendez em 12:53 AM | Comentários (1)

outubro 06, 2003

AMÁLIA RODRIGUES, e eu

A quem me tenha feito o favor, de ler as minhas crónicas,saberá como me encontrei com Amália Rodrigues,pela primeira vez. A amizade consolidou-se,tinha eu 21 anos, por via de uma das actividades profissionais que tive na minha vida-o jornalismo. Chegada à Madeira,minha terra natal, comecei logo a leccionar, na antiga Academia de Musica e Belas Artes da Madeira, que poucos anos mais tarde passou a Conservatorio de Musica,onde continuei a leccionar durante muitos anos. Paralelamente a essa actividade, exercia em part-time, a função de "colaborador" do Jornal da Madeira. E um dia, recebi do director, uma proposta irrecusável: deslocar-me a Lisboa para fazer uma entrevista de fundo, à Amália Rodrigues. Ele sabia que aos 17 anos, eu havia conhecido Amália em Itália. Seria o reencontro marcado pelo destino. A partir dessa data, fiquei presa ao fascínio e ao talento da diva. Lenbro-me que a entrevista estava marcada para as 23 horas da noite,depois do jantar. Cheguei à Rua de S. Bento, por volta das 22,30. Fui recebida pela Estrela e pela Lili, que atenciosamente mandaram-me subir. Amália iria receber-me dentro de minutos. O meu coração, batia a passo descompassado, Observava aquele ambiente do salão de Amália, pejado de quadros de pintores célebres,a um canto o seu busto, um piano de cauda, uma guitarra portuguesa encostada a uma parede, muitos papeis e livros sobre o piano. Absorta nesta observação, senti alguém atrás de mim. Era Amália, fulgurante no seu vestido aciganado, cabelos soltos, quase sem maquilhagem , sorrindo para mim."Ah boa noite.Então é você que vem do Funchal para falar comigo ? Eu lembro-me de si em Perugia. Tenho recebido as suas cartas,e tenho-as lido com muito prazer." Só consegui balbuciar um obrigado. Nesta altura os meus olhos traiam a minha emoção. Finalmente eu estava ali, em casa de Amália ! A entrevista decorreu lindamente. Falamos da sua carreira. dos prémios que tinha recebido até então, das vendas fabulosas dos seus discos, do album "Vou dar de beber à dor" e do "Com que voz", que lhe valeram grandes distinções internacionais, como o "Grand Prix du Disque", o "Premio da Crítica Discográfica Italiana", o ´"Prémio da Académie des Arts et des Lettres de Paris", as tournées, do Japão à América do Sul,passando pelas digressões invulgares para uma artista ocidental,a países como o Líbano, a Tunísia, a Turquia,e à distinção máxima que um governo árabe deu,alguma vez, a uma artista estrangeira-a Condecoração com a "Ordem dos Cedros do Libano". Falámos também dos afectos,da amizade, das apetências de Amália em termos de Literatura,de Filosofia, de Musica. Fiquei sabendo que Amália gostava de Mahler, considerava-se uma "niilista",e os seus problemas existenciais continuavam presentes como num jovem como eu. Falámos dos seus projectos,dos seus próximos concertos, do 25 de Abril, que a tinha deixado desencantada com alguma "intelligentsia" do país,que a tinham acusado de coisas ridiculas,como o de pertencer à PIDE e o de ser a "cantora do regime",quando na verdade, no seu grupo de amigos e colaboradores, encontravam-se resistentes como Ary dos Santos, Alain Oulman ou Manuel Alegre. Tinha até inclusivé, feito pressão junto de Salazar, para libertar Alain Oulman que havia sido detido pela Policia Politica portuguesa, acusado de" escrever e propandandear ideias subversivas, como o socialismo."À altura do 25 de Abril, Amália era artista presente em palcos de países como a Roménia e a União Soviética, aplaudida na Jugoslávia, e de repente, tornava-se numa "agente do fascismo". Águas passadas, que segundo Amália, foram responsáveis por uma grande depressão, que a levou ao hospital,mas que felizmente meses depois se aplacou,com o célebre concerto de Amália no Coliseu ,em que segundo ela, poude ver que os portugueses continuavam a gostar dela e a admirá-la.Foi uma grande entrevista.Nunca mais faria outra, tão completa e tão sentida ! Havia começado nessa noite ,uma amizade pura e sincera , uma espécie de identificação com as coisas que Amália me dizia,e uma receptividade em relação à minha pessoa por parte dela, que só terminou no dia 6 de Outubro de 1999. Passei toda a noite na Basílica da Estrela,velando o seu vorpo,e rezando por ela. Tratava-se da morte de uma amiga, confidente, mãe, irmã, ídolo, referência... Nunca pus os pés num consultório de um psiquiatra, porque Ela foi a "Minha Psiquiatra". E Deus sabe, que eu precisei tantas vezes, das suas palavras,dos seus poemas,da sua musica, para dar um sentido à minha vida. Nessa altura, ainda não havia feito a operação de correcção genital, que fez de mim uma mulher completa. Nessa altura, eu era um ser sem identidade, ou melhor, tinha uma identidade que não correspondia ao meu corpo. Tramas do destino, Karma, negligência médica, falta de conhecimentos ciêntificos, seja lá o que fôr. Recusava-me a fazer uma operação, e continuar a ter um bilhete de identidade que não correspondia ao meu sexo. Amália esteve sempre presente, face a face, por telefone, por carta, dando-me sempre uma palavra. E que palavra ! Se hoje, estou viva, devo-o à Amália Rodrigues E realmente,as palavras de esperança, vindas de uma cantora de fado, supostamente pessimista e trágico, tornaram-se realidade. Ela dizia-me sempre-"Vai ver que os nossos legisladores ainda vão se debruçar sobre o seu caso, que é raro,e por isso mesmo merece uma atenção especial ". E efectivamente, dez anos depois, foi-me autorizada a mudança do B.I. . A cirurgia,essa ,foi simples. Sem dores nem problemas pós-operatórios, graças a Deus, mas também graças à força da minha psiquiatra- AMÁLIA RODRIGUES. Faz hoje 4 anos que partiste, amiga,mãe,irmã ! Todos os dias és parte integrante da minha vida. Todos os dias me alimentas, dás-me força, alento, e prazer. Com as tuas recordações,os teus discos, os teus videos, as gravações "piratas" que te fiz, em alguns dos teus espectáculos,e que só eu ,sou unica espectadora. Ainda agora, revi uma gravação que fiz dum recital teu, na Holanda em 1985. Lembras-te ? Foi um sucesso arrebatador ! Lembras-te daqueles jovens que foram oferecer-te flores ao palco ? Lembras-te do engarrafamento que provocaste, aquando da tua saída do teatro ? Sabes uma coisa Amália? Eu já sei quem tu és !

Publicado por Valéria Mendez em 03:22 AM | Comentários (5)