novembro 05, 2004

Os meus ultimos Fados no Teatro Al Hakawathi de Jerusalem Oriental, ou "Coberta de dinamite, gritando um Fado de Indignação e Revolta"

Desta vez, o meu amigo Nawzad, do Al Fatah, havia pedido ao Manuel Kleidman, fotógrafo e artista plástico judeu, que fez a dificil opção para um israelita, de se colocar publicamente, contra a politica de Sharon, para vir esperar-me ao aeroporto Ben Gurion, de Tel Aviv. As determinações politico-militares, impediam Nawzad de se deslocar a Tel Aviv, sob pena de ter sérios problemas, pelo facto de ser palestiniano, e também activista da Causa Palestiniana.
Eu já conhecia Kleidman. Ele pertencia, há longa data, à mesma organização que eu, e em 1990, havia vindo de propósito a Lisboa, para assistir a um Concerto de Amália Rodrigues, no Coliseu. Essa "doença" amaliana, confesso, fui eu quem lha contagiou, apesar dele já ter tido, no passado, a benção, de ter assistido a recitais da Amália, em Tel Aviv. Contudo, sei que, os discos que lhe ofereci, as conversas que tive com ele, agudizaram a "amalite" do querido Manuel, fazendo-o voar até Lisboa, só para poder vê-la e cumprimentá-la, pela ocasião da comemoração dos seus cinquenta anos de carreira.

Depois dum enfadonho processo de interrogatório, levado a cabo por um guarda com cara de poucos amigos, no Aeroporto Israelita, confesso que fiquei com a ideia, pelas perguntas feitas, que possivelmente até teria ficha na "Mossad". E depois, pensando melhor, se calhar até não. Quem sou eu, para ter a "honra", de ser investigada por tão "nobre" agência secreta ?
No fim, lá me devolveram o passaporte, com a recomendação e o aviso, de que era expressamente proibido "envolver-me" com terroristas. Sorri, pensando que se assim fosse, a "conversa" tida com o sionista, não deveria ter tido lugar.
Já pelo caminho, Kleidman explicava-me que o ambiente estava cada vez mais persecutório, e que ele próprio, era muitas vezes incomodado a meio da noite, por militares à procura, deste ou daquele suposto terrorista. O trajecto Tel Aviv - Jerusalém, era-me já muito familiar, e ressuscitava em mim, aquele sentimento especial, aquela alegria misturada com uma adrenalina peculiar, um misto de receios e esperanças, de incertezas e de mistérios. A chegada a Jerusalém, depois daquela curva, em que ao longe já se vê o cimo da mesquita Al Aqsa, e mais além, o Monte das Oliveiras, é qualquer coisa de sempre novo, intemporal.
E depois, ter de aturar um "check-point", mesmo junto às portas de Damasco, e prosseguir até ao Hotel St Georges, na parte oriental da cidade, passando por inumeros carros-patrulha de Israel, dava a sensação da verdadeira situação daquele povo, vivendo sempre "on the edge", só porque reafirmam, a par e passo, o seu direito à Liberdade.
As caras na recepção do Hotel, todas muito familiares, receberam-me com um grande sorriso. A Layla, uma palestiniana que fala sete linguas, amante de Fernando Pessoa (pasmem-se !), e ferrenha activista do Al Fatah, grande admiradora de Mário Soares (pasmem-se outra vez !), apoiante incondicional de Arafat, Public Relations do Hotel, ofereceu-me uma bandeirinha da Palestina, com um forte abraço.
Na tarde do dia seguinte, haveria o Concerto, seguido duma conferência-debate, sobre os direitos dos estudantes palestinianos, cada vez mais impedidos de frequentar as Universidades. Antes de recolher-me, ainda abracei demoradamente Nawzad, o meu querido Amigo, o meu Amor Platónico, "compagnon de route" de tantas aventuras. Ele estava igual, bonito e forte, o cabelo sempre à escovinha, preto, asa de corvo, muito moreno, musculado, uns olhos dum verde escuro penetrante, revelador de muitos dramas, de lutas, e também de ódios incontidos, plenamente justificados. Viessem um dia, tirar-me a casa de meus avós, apropriarem-se de tudo, e "recambiarem" os velhos, para um campo de refugiados, também eu, me consumiria de ódio. Concerteza, muito mais que Nawzad...

O alaúde de Mohamed Bhar, um artista tunisino convidado, já entoava no palco, uma melodia dolente. Tinha de me apressar. A indumentária que usaria em cena aberta, seria muito simples - um manto preto, e na cabeça , um "kafieh" palestino, igual ao de Arafat. Eu gostava de me apresentar assim. Quando estive, há um ano, no programa de Herman José, na SIC, lembrei-me de vestir-me assim. Mas depois, temi pela minha segurança. Porventura, já não regressaria à Madeira. Teriam-me, quiçá, metido no "Julio de Matos"...
Nawzad, bateu à porta do meu camarim. Era chegada a minha vez.
Alguém no palco, pronuncia as palavras "Valéria", e "Portugal". Era a minha "deixa". Tive uma sensaçâo de vergonha. Lembrar-se-iam da posição de Durão Barroso, face à guerra do Iraque ?
O playback instrumental (sou uma artista pobre, nem sempre há dinheiro para musicos ao vivo), começou a "entoar" as primeiras notas dum fado de Amália, musica de Alain Oulman. A minha voz grave (demasiado grave! ), avançou em Português:

Foram montanhas, foram mares
foram os numeros, não sei
Por muitas coisas singulares,
não te encontrei, não te encontrei...

A plateia, maioritáriamente constituida por jovens, em silêncio e sem nada entender, acompanhava a "fonética" do poema da brasileira Cecília Meirelles, que era desfiado no meu Canto. Expliquei-lhes no fim, em inglês e francês, que cantara uma canção de Amália, com versos duma brasileira, e musica dum luso-francês. Uma verdadeira obra transatlântica. Depois, o silencio fez-se maior. No écran junto ao palco, apareceram os meus versos , e respectiva tradução para árabe - a minha maneira de celebrar a Intifada. Ouviram-me num silêncio sepulcral. Pairava no ar a angustia, o sofrimento, a revolta. No final, a casa quase veio abaixo. Depois daquilo, só o céu...pensei eu. Eu sei que aqueles fortes aplausos, não eram para a cantora, mas para a Causa. Mas, é sempre bom sentirmos aquela energia especial..Tudo de pé, empunhando bandeiras palestinas, e um grupo de mulheres idosas, a beijarem-me as mãos... Sinto um arrepio, quando me recordo daquele momento. Não consigo evitar uma lágrima...Um velho, acercou-se de mim, e em francês, sussurrou-me ao ouvido : " N'oubliez jamais nos larmes."
Saí do palco, martirizada de pranto, rasa dum sentimento tão negro que ... improvisamente, quase me vi, coberta de dinamite, correndo e gritando aquele Fado de Revolta...despedaçando-me...e despedaçando dezenas de corpos sionistas, num qualquer comício do Likud.
Depois, a bonança invadiu lentamente o meu corpo, o meu espírito, aspirei vorazmente o ar, sentei-me, e ... chorei.
A minha vingança tem de ser outra. Não essa. Só poderei ajudar, falando...escrevendo, como o faço agora, celebrando a luta, trabalhando para angariar alguns fundos, para que um ou dois meninos da Intifada, possam ter alguns cuidados médicos, algum lápis de côr, para exorcizarem a sua raiva, num desenho qualquer...
Essa, é a minha arma. Para além desta voz. Quase inutil... Quase gasta...Quase morta.

Publicado por Valéria Mendez em novembro 5, 2004 08:02 PM
Comentários

Cara amiga embora pense que não mas continuo a ser um seu leitor habitual e hoje não fico indiferente à abordagem por sabê-la defensora da causa palestiniana. Gostei de ouvir hoje nas notícias que os vários movimentos existentes alguns dos quais se degladiavam estão a fazer esforços no sentido de encontrarem um consenso político. Julgo muito importante essa tentativa uma vez que sabendo-se o seu lider histórico estar praticamente morto, seria muito complicado se a reacção fosse de um desnorte total que iria proporcionar aos israelitas o desmembramento dos grupos mais radicais eliminando guerrilheiros.

Afixado por: congeminações em novembro 5, 2004 10:14 PM

Oi Valéria, gostaria de saber se posso usar seu comentário sobre O blog como exercício de escrita publicado em 18/06/03 no Ene coisas na minha monografía, que trata sobre isso mesmo.
Hoje o meu blog está com erro e não está ativo, mas ficaria imensamente grata se você me respondesse :)

obrigada

RESPOSTA DE VALERIA MENDEZ
CLARO QUE SIM, AMIGA! É UMA HONRA.
obrigada
Valeria

Afixado por: Mariana em novembro 6, 2004 06:06 PM


Mais uma grande narração e uma especial aventura da querida cantora da minha terra. Tu és fantástica!
SAbes que eu te vi na RTPI há dias? Naquele programa da Madeira? Adorei a tua canção Os Gatos.

Afixado por: Debora Santos em novembro 6, 2004 06:51 PM

Pronto, sou um sentimentalão do raio e estou com um nó na garganta emocionado até mais não.
Se estivesse ao pé de ti dava-te um abraço apertadíssimo e apertar-te-ia a mão com a força que só a amizade solidária consegue fazer.
Não digo mais nada, deixa-me só SENTIR... minha querida amiga.
Em nome do amor fraterno e Universal...OBRIGADO!

Um abração do
Zecatelhado

Afixado por: Zecatelhado em novembro 6, 2004 07:56 PM

Valeria Obrigado por ter gostado do meu Poema ! e agora algo de novo ! Já nas bancas "O Meu Cagalhoum" ! Fique bem :)

Afixado por: finurias em novembro 7, 2004 05:31 PM

Vim ...só para deixar um “olá”...WB

Afixado por: whiteball em novembro 7, 2004 07:16 PM

Valéria,

bão sei se ainda leu o seu correio electronico, tem dois mails meus, se pudesse responder, agradecia.

1 abraço

Afixado por: Golfinho em novembro 7, 2004 07:18 PM

Bela posta e boa surpresa: perdoe-me mas não a sabia compositora.

Um abraço,
Francisco Nunes

Afixado por: Planície Heróica em novembro 8, 2004 12:17 AM


CONTINUA UM ENERGUMENO A COLOCAR COMENTARIOS NESTE ESPAÇO, SEMPRE VISANDO OFENDER A AUTORA DESTE BLOG, OU A TERCEIROS. PERDEM O TEMPO. ARRANJEM ALGO DE CONSTRUTIVO PARA FAZER, OU ENTÃO VÃO VER SE BRINCAM COM O QUE BRINCARAM ONTEM À NOITE, LÁ PARA OS LADOS DO PARQUE EDUARDO VII( Cuidado que o big brother anda por aí, ainda acabam a fazer companhia ao Bibi...he he he!)
Valéria Mendez

Afixado por: em novembro 10, 2004 04:27 PM

Paixão.
Você é impregnada de paixão.
Não o fosse, não seria fadista.
À memória de Amália e à causa palestina você dedica uma intensa paixão.
Cantagiante paixão.
Sempre fui adepto da causa palestina, sempre fui admirador de Amália Rodrigues, sinônimo de fado.
Mesmo que você não escrevesse tão bem, mesmo assim, eu aqui viria regularmente.

Afixado por: Manoel Carlos em novembro 11, 2004 12:45 AM

Meu abraço de pesar pelo falecimento do grande líder Arafat.
Temos que iniciar imediatamente uma campanha internacional para que seja enterrado em Jerusalém, conforme era o desejo dele.

Afixado por: Manoel Carlos em novembro 11, 2004 09:36 AM

Senhora,

Precisamos de conversar. Coisas técnicas. Objectos de criação e desejo. Tenho propostas indecentes a fazer-lhe! Me aguarde!

Afixado por: O Prusidente da Junta em novembro 11, 2004 10:44 AM

Querida amiga, Estou chorando. Sinto que todos nós devemos continuar lutando pela PAZ no Mundo e nos corações. Que a preversidade é ainda muita no coração humano. Que todos cultivam o "EU" como se fossem cada um por si o dono de tudo e de todos. Mas nós os que estamos deste lado da trincheira, vamos caminhando ombro a ombro, de braço dado lutando com a palavra, com a posição firme, com a benção da prece. PELA PAZ. Para que todos tenhamos direito a uma vida digna e em liberdade. HOJE ENVIO OS MEUS PESARES A TODO O POVO PALESTINIANO PELA MORTE DO SEU LÍDER "ARAFAT". E ELEVO UMA PRECE A DEUS PARA QUE HAJAM COM SABEDORIA E QUE FINALMENTE DE UM E DO OUTRO LADO DAS BARRICADAS OS HOMENS SE UNAM NA PAZ. SEI QUE É UTÓPICO MAS NÃO IMPOSSÍVEL.
BJS. Amiga sempre. ALUENA

Afixado por: ALUENA em novembro 11, 2004 12:07 PM

Compreendo a ira, raiva,ódio de muita gente...de quem nos fazes eco nas tuas emocinantes crónicas...penso também compreender que a espada atrai a espada o explosivo o explosivo...é interminável...lembro-me de ghandi na India e os seu métodos mais pacifistas...não aceito que se façam explodir inocentes...haverá agora entendimento entre os palestinianos?Serão verdadeiramente irmãos e pacíficos entre eles? afastarão o ódio para superiormente serem exemplo?...muitas dúvidas, muito amargo, uma réstea de esperança num tempo mt estreito...
Com muita consideração, um abraço e um grito pela paz....
Morfeu

Afixado por: morfeu em novembro 11, 2004 02:46 PM

Obrigado Valéria

Afixado por: GIN em novembro 11, 2004 07:27 PM

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DATE: 11/11/2004 09:12:40 PM

Afixado por: em novembro 11, 2004 09:12 PM

Al-Qods! Arafat!

Afixado por: Manoel Carlos em novembro 12, 2004 10:43 AM

Olá Valéria:

em primeiro lugar, bravo por, no meio deste desânimo, conseguir manter as suas paixões impolutas. como eu digo no meu blog há uns dias, os poetas (mas também os cantores, os pintores,enfim, todos os artistas) estarão junto dos oprimidos, das minorias. Adoro uma frase de uma canção do Milton Nascimento que diz "todo o artista tem de ir aonde o povo está". é pena que hoje em dia, na voragem do dinheiro r da indústria ligada às artes, tanta gente se esqueça disso. Foi algo que sempre admirei na Amália, para ela era igual cantar no Olympia ou nas festas de Valpaços. eu procuro isso, se bem que já não tenha a pureza que tanto gostava em mim. Na semana passada encontrei uma fotografia de mim com o Ney Matogrosso no Rio de Janeiro há poucos anos e assustou-me o meu olhar porque ainda tinha essa pureza, essa esperança que não sei para onde foi nem sei se é possível recuperar.
Quanto ao post que colocou no meu blog. Estamos de acordo em quase tudo, a Hermínia Silva que hoje é preconceituosamente vista como "a gaja da revista" com piada e pouco mais, tinha uma voz extraordinária e uma profundidade rara e o reportório dela não era só feito de 2marinheiros americanos" e "fados mal falados". Acho-a um caso e ainda tive o privilégio de a ver cantar uma vez. Eu só não acho que a Amália seja a maior fadista, porque acho que "fadista" é um nome que a aprisiona. Acho que a Amália se libertou de todas as catalogações e era fadista mas era muito mais... para mim, não a maior fadista, mas a maior cantora que eu escutei em todo o mundo!
Uno-me ao seu pesar mas a perda dessa pureza de que falei já não me permite olhar para nenhum político com a sua confiança. Esperemos que os herdeiros de Arafat saibam merecer a herança deixada e que cheguemos à paz tão desejada. Talvez se cada um de nós encontrar paz dentro de si isso possa ser contagiável e o mundo acorde um dia destes com menos medo!

Afixado por: tiago torres da silva em novembro 14, 2004 11:42 AM

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DATE: 11/15/2004 07:04:45 PM

Afixado por: em novembro 15, 2004 07:04 PM

Cara Valeria- Sou frances mas gosto muiyto de Portugal, de Fado , d' Amalia. Ses textes sao passionantes. Meu portugues ne bon é. Me desculp.

Et si vous me permettez, je vous addresse en Français, car je sais que vous parlez bien ma langue.Et c'est tout à fait formidable avoir trouvé votre blog, puisque je vous ai écouté au Liban, le mois de Juillet dernier, où j'étais en travail. Votre concert a été un des moments plus particuliers et aussi étranges de ma vie.Et Vous regarder, chanter le Fado, devant un public libanais et d'un "Hamas" palestinien, fut un moment formidable et bizarre...J' écoute encore vos paroles et votre voix lancinante, chanter la Liberté pour la Palestine. Un moment presque biblique.
Maintenant je suis déjà à Paris, ou j' habite et travaille, et j´espère vous revoir prochainement.

Afixado por: Hervé Mallinard em novembro 16, 2004 07:55 PM

Cara Valéria abençoado o Pôvo que tem e dá ao mundo filhos como tu que além de fadista e artista és tambem uma ativista da causa palestina.
Eu minha amiga sou um simples e modesto operário, lisboeta do velho bairro da Graça, vivendo aqui no planalto de Piratininga nome primitivo que se dava á cidade de São Paulo, há mais de cincoenta e tantos anos.
Cara amiga desejo que tenhas força e animo para dares continuidade á tua luta pela tua causa palestina, que é uma causa muito nobre tanto quanto a causa de todos os povos oprimidos pelos senhores do poder econômico,verdadeiro flagelo da humanidade destruindo nações inteiras e certamente a tua a nossa luta que é a razão contra o canhão vamos encontrar muita dificuldade mas unidos veceremos.
E que palestinos e israelitas compreendam uma vez por todas que estão sendo usados como simples massa de manobra dos interesses do capitalismo selvagem internacional,que ambos reflitam sobre os casos mais recentes INDIA,COREIA,VIETNAN,TODA a EUROPA ORIENTAL(hoje Libertada... Tráfico de drogas e prostituição estes foram os grandes prémio dados a esses povos pelos libertadores)Afaganistão,Irã .Quem será o próximo?
Vamos em frente continuaremos a nossa luta.
UM GRANDE ABRAÇO FORÇA E CORAGEM CAMARADA.

B.S.Matias

Afixado por: Belarmino dos Santos Matias em novembro 17, 2004 02:47 AM

Olá Valeria,


Escrevo apenas para dizer que é verdadeiramente comovente e apaixonada a forma como defende a causa palestiniana. E o fado cantado por Amália. Vergonhosamente reconheço que nunca a ouvi cantar na Região. Eu também vivo na Madeira, mas seria um prazer se assistir ao seu próximo concerto cá.
Quanto ao texto que publicou na esquina do mundo, a através do qual cheguei até si, devo dizer que concordo consigo no que concerne a perseguição do povo palestiniano. E do seu sofrimento atroz.
Agora, quanto a Arafat, apesar de lhe reconhecer o carisma, a liderança na causa, sou da opinião de forma objectiva que ele falhou em trilhar os caminhos da paz em algumas ocasiões. Não soube negociar, ou não quis, não sei. O facto é que depois do prémio nobel da paz, ele não soube catapultar e usar a oportunbidade para implementar um plano de paz entre a sua nação e os israelistas. Não quis negociar com Barak quando este sugeriu um entendimento entre ambas as partes. Com isto não estou a tentar por em causa os direitos dos palestinianos. Ou mesmo dos israelistas.
O que eu defendo é um convívio tolerante e pacifíco entre ambas as partes. Sei que isso não apaga as humilhações, o sangue derramado, as mutilações a soberania. Mas, viver na realidade do "olho por olho, dente por dente" também não resolve nada. Só aumenta ainda mais o sofrimento e a amargura, e cria um fosso ainda maior entre estes dois povos. Poderá argumentar que os israelistas são ainda mais radicais. É verdade, mas o mesmo se verifica no lado palestiniano.
Israel é apoiado pelos americanos. Também, mas o resto do mundo Ocidental e Arábe é solidário com a causa palestiniana. E com isto quero dizer, que lamento a morte de Arafat, o líder, mas é preciso não esquecer que o homem era um ser humano que cometeu erros. E um deles, e talvés o maior foi falhar nos acordos de paz.

Afixado por: yvette vieira em novembro 17, 2004 04:45 PM

Ei Valeria,
e coragem não te falta e ideais tambem o que nos dias de hoje parece escassear. Há sempre apesar de tudo quem cante as amarguras...

Afixado por: hammer em novembro 17, 2004 07:40 PM

Tenho sentido a sua ausência em Agreste, neste ano, perdemos dois grandes combatentes, referência para os lutadores das causas populares e antiimpelistas: Leonel Brizola e Arafat; mais um motivo para nos unirmos e sermos solidários.
Grande e fraterno abraço.
Ousar lutar! Ousar vencer!

Afixado por: Manoel Carlos em novembro 18, 2004 01:52 PM

Como sabeis tenho tido o meu pai doente (agora está um pouco melhor) por isso as visitas têm sido escassas. Venho só deixar um Abraço, WB

Afixado por: whiteball em novembro 18, 2004 09:44 PM

Olá Valéria:

Onde anda? Há muito tempo que não dá notícias. Escrevo só para dizer que hoje às seis da tarde a comunidade Luso-brasileira mandou rezar missa por alma da Amália na Basílica da Estrela. Lá estarei porque acho que todas as homenagens são poucas e para rezar por aquela alma tão grande.
Quem quiser aparecer, é muito benvindo.
beijo

tiago

Afixado por: tiago torres da silva em novembro 20, 2004 12:15 PM

Obrigado pelas visitas e pelo apoio neste momento complicado que atravesso.

Um abração do
Zecatelhado

Afixado por: Zecatelhado em novembro 21, 2004 01:24 PM

Olá Valéria,venho saudá-la esperando que esteja tudo bem consigo. Lembrei-me de si, numa pequena homenagem que fiz a Amália. Um abraço do Pássaro Distante

Afixado por: Pássaro Distante em novembro 23, 2004 02:43 PM

uma narrativa empolgante, e bem escrita.Li também o seu post intitulado" No Iemen-Salva por uma Cartão", e achei extraordinário. Não a conheço como fadista, mas como escritora, faria muito sucesso,sobretudo porque tem uma vida cheia de coisas para contar.

Afixado por: oscar em novembro 24, 2004 07:30 PM

Duas semanas sem atualizar...
Deixo o saudoso abraço agrestino.

Afixado por: Manoel Carlos em novembro 25, 2004 10:43 AM

Olá Valéria, agradeço-lhe imenso os comentários que deixou no meu cantinho. Quando puder abra o seu e-email. Um abraço do Pássaro Distante, neste momento em despique...maior ;-)

Afixado por: Pássaro Distante em novembro 25, 2004 12:03 PM

Viva!
Uma visitinha a esta casa para agradecer apoio(s) recebido(s).

Um abração do
Zecatelhado

Afixado por: zecatelhado em novembro 29, 2004 11:46 AM

Olá Valéria, transformei o seu ensinamento gentilmente recebido por email num post e numa homenagem que lhe presto. Um abraço do Pássaro Distante

Afixado por: Pássaro Distante em novembro 30, 2004 12:39 PM

AUTHOR:
EMAIL:
IP: 82.154.24.106
URL:
DATE: 11/30/2004 11:49:28 PM

Afixado por: em novembro 30, 2004 11:49 PM

Em busca de atualização, deixo o abraço agrestino.

Afixado por: Manoel Carlos em dezembro 3, 2004 01:33 AM

olá Valeria,


Sigo os seus comentários com muita atenção,tanto no seu blog, como na esquina do mundo. E a forma apaixonada como escreve sobre determinados assuntos não me deixou indiferente. Por isso, tinha um pedido a fazer-lhe: conceda-me uma entrevista. Colaboro com um jornal da Região e estava muito interessada em entrevista-la. Falariamos sobre vários assuntos que a interessam e a mim. Nomeadamente, o seu envolvimento com a ONG francesa, a música, o blog, a forma como encara a vida, etc. È para a revista que sai aos sábados no jornal da madeira. Se quiser ter alguma ideia do meu trabalho, basta que ´no próximo sábado leia a revista, já que, vou publicar um texto sobre moda.
Contacte-me, por favor, através deste e-mail: yvette_vieira@hotmail. com. Espero a sua resposta com a maior brevidade possível.
Bjs, yvette

Afixado por: yvy em dezembro 4, 2004 08:54 PM