Libano. Quase 11.000 Km2 de superfície, alguns roubados por Israel na parte sul do país. Quatro milhões de habitantes. Um autentico cadinho multi-racial e multi-religioso. Lado a lado, mesquitas e igrejas católicas, mulheres cobertas da cabeça aos pés, e meninas de mini saia, óculos escuros, sapatos de salto alto. Não as diferenciamos daquelas que vemos em pleno Champs Elysées de Paris. Apesar do anti americanismo vigente, podemos ver, atónitos, em plena capital, a grande Universidade Americana. Com professores americanos. Alunos libaneses. Há contudo um discernimento. "Da América, chega-nos muita coisa boa. A sua Politica é que é vergonhosa" - afirma qualquer libanês, ocidentalizado ou não. Islamico ou não.
BEIRUTE, oscila entre a MODERNIDADE, e uma ARQUITECTURA CLÁSSICA, bem conservada. Antes da Guerra com Israel, Beirute era considerada a "Paris" do Médio Oriente, conforme ainda se pode observar em pormenores, como as pequenas ESPLANADAS DE RUA, de inspiração parisiense, recuperadas duma guerra insana e desigual.
Contudo, o Libano não é só Beirute. Existem cidades mágicas, como SAIDA ( Sidon) e BALLBECK , porventura a cidade mais emblemática do País, devido às majestosas edificações romanas como, o fabuloso TEMPLO DE JUPITER , ou o magnífico TEMPLO DE BACO , erigidos pelo Império Romano. Aliás, Baalbeck possui vestígios de ocupação humana, desde o Terceiro Milénio Antes de Cristo. Origináriamente foi chamada de Héliopolis, em homenagem ao Deus Sol. Curiosamente, para além do turismo Histórico, e do turismo de Verão, promovido pelo já célebre Festival de Musica de Baalbeck, que atrai milhares de viajantes ocidentais, pela multiplicidade cultural que apresenta, existem ainda os turistas esotéricos, seguidores do Paganismo, que efectuam estranhos rituais, junto das vetustas colunas do Templo de Jupiter, sob o olhar atento dos vigilantes contractados pelo Estado Libanês. Tudo no máximo respeito pela liberdade de crença. Estamos num país muçulmano. E misterioso. Entre os muitos Museus, existe um, muito especial, aonde fui, acompanhada por um enorme grupo de pessoas, também elas, um pouco especiais. Não me sinto com direito à Crítica. Só posso descrevê-lo, como Surreal - Estranho lugar aquele. Um sítio, onde se podem ver fotografias de mortos, mochilas cravadas de balas, ainda sujas de sangue, pinturas d' Arte, representando a dor, o grito de revolta, o semblante de crianças mutiladas. Um local de glória, para os Comandos Suicidas. A glorificação dos Mártires de Allah, a evocação da Intifada: O MUSEU DO HEZBOLLAH - local muito visitado, onde se organizam diversas actividades, que não me cabe, neste contexto, apontar. O Mundo Arabe, não tem as mesmas premissas da Lógica Ocidental. Há que primeiro compreendê-lo. Uma coisa é certa. Nunca foram eles os primeiros, a usar a violencia. Sempre houve alguém disposto, cá no Ocidente, a exercer a provocação. Afinal, foram os Católicos, na era D.C. , a darem o pontapé de saida, no conceito de fundamentalismo. Quem não se lembra, da História de Portugal e das Conquistas aos Mouros, e das Cruzadas contra os Infieis. Poderá o Ocidente queixar-se do Mundo Islamico ? Uma boa questão, mas não para agora. Neste momento, deixo-vos com uma cena banal, de rua, na cidade de Baalbeck. Eu andei por entre esta gente. Vi muitos franceses, muitos italianos, alemães, gregos, turcos, japoneses... Comemos, bebemos, cantámos, falámos com essa gente. Misturámo-nos com declarados militantes do Hamas, do Hezbollah. Ninguém levou um tiro.
Deram-me um galho de Cedro.
Eu aceitei, E cantei uma Canção, empunhando-o, como se empunhasse uma bandeira.
Afinal, o Líbano é o País dos Cedros. A Condecoração máxima do Estado, é a "Ordem dos Cedros". Já a concederam a uma Portuguesa. Que por sinal, foi ( é ) , uma minha Grande Amiga. ( Dou um doce a quem souber...)
.
Muito legal esse texto,não sabia que o Líbano é assim.
Afixado por: Alex Cruz deMalta em setembro 15, 2004 03:41 PMTrabalho e vivo em Londres, tenho dois colegas libaneses a apesar de não saberem Portugues, vou mostrar as imagens do teu post e vou traduzir o texto. Por certo que matarão saudades da sua terra. Mais uma aventura tua, Valeria, que me deixa tão invejosa das tuas experiencias.
Afixado por: Debora Santos em setembro 15, 2004 05:56 PMMaravilhosa aula de História ao alcance de todos, inclusive dos que nutrem preconceitos em relação ao Oriente, especialmente, aos árabes.
Quando Toledo era capital de Espanha, sob o domínio dos árabes, havia completa liberdade religiosa, sendo pratica reinante o convívio armonioso entre cristãos, muçulmanos e judeus.
Grato por partilhar a sua experiência e sabedoria.
Duas correções ortográficas (ruborizado): faltaram o acento de prática e o H de harmonioso.
Afixado por: Manoel Carlos em setembro 15, 2004 06:51 PMSuponho que a grande amiga seja Amália.
Também fiquei curioso por saber mais do Líbano, mas sinceramente não o vejo como destino de férias, embora me pareça que Beirute deva ser uma cidade muito interessante.
Afixado por: mago em setembro 15, 2004 08:17 PMSou madeirense,também sou professor, e vivo não muito longe da sua casa de campo.Nunca falei consigo, mas já a vi passar algumas vezes e assisti há uns anos,a um espectaculo seu no Centro de Congressos da Madeira. Descobri o seu blog há pouco tempo, e tenho vindo a descobrir uma vida cheia de coisas fantásticas.Invejo-a.
('tou à espera do novo disco.Parto dificil esse! Toca a trabalhar senhora Valeria. Sou um futuro comprador certo! Pelo menos um vai vender, eh eh eh)
resposta de VALERIA MENDEZ:
Então, quando o meu amigo me vir, fale lá comigo, homem!!!
Cara amiga o "cedro" embora haja quem a considere uma ávore de cemitério, pessoalmente encontro-lhe um certo encanto. Mas vim aqui primeiro para lhe agradecer o comentário que pelo seu esclarecimento corrijo então que Guilherme Silva afinal é uma versão do Jardim mas piorada. Gracejou óbviamente com a falta de cultura democrática que referi mas como compreendeu o objectivo, apenas me leva a acrescentar que existirão n~eo tenho disso a mínima dúvida muitas excelentes democratas madeirenses, mas não são de certeza nem do PSD nem do CDS.
Afixado por: congeminações em setembro 15, 2004 09:34 PMParece-me que este blogue termina com uma referência à Amália... Boa?
Fica a dever-me um rebuçado.
Gostei desta posta.
Como diz o seu conterrâneo: 'invejo-a!' - sem malquerer obviamente!
Um abraço,
Francisco Nunes
reSposta de VALERIA MENDEZ:
Oh homem tenho muito pouco a invejar...E ganhou mesmo o doce, sim senhor.Efectivamente, nos anos 70 , AMALIA, foi condecorada pelo Libano, com a Ordem dos Cedros, e tornou-se assim, na primeira artista não árabe a conseguir tal distinção. Mais tarde, Car Stevens conseguiu-a também. Entre os árabes, entre outros,contam-se os nomes de Fairouz ( primeira dama da Canção Libanesa), Warda e Um Kulhum ( a Amalia dos Arabes) que tanbém foram agraciadas com a condecoração máxima do País dos Cedros.
Vim parar aqui através do blog Agrestino. Muito bom este post sobre o Líbano. Se eu ganhasse um ramo de cedro também cantaria, e a canção que tenho para essas ocasiões é uma parte da missa cantada em Latim (Kirie...). Não sei porquê, mas é essa. Mas, fadista, acompanhei um Concurso de Fados pela RTP (não tenho mais este canal, que pena!) e toda a Operação Triunfo de 2003. Como os portugueses cantam bem, meu Deus. Tão melhor que nós! Mas os problemas são meio parecidos, pelo que já me foi dito. Bjs!
Afixado por: Jane em setembro 16, 2004 04:49 PMInteressante estas civilizações.
Afixado por: Marcio em setembro 16, 2004 10:20 PMO Trovão em sua furia
Canta o Fado a valer
P'ra sair dessa penuria
Fala o que quer, sem saber
Disse o Trovão que o Fado
era coisa de fascista
Agora, quer é cantá-Lo
Não há força que resista...
Oh Filha e nem me mandaste um postalinho sua desnaturada!!! Há tanto tempo qu'a gente se cinhece e só recebi uma vez umas vistas lá da Sicilia...Caramba,sempre podias ta t'alembrar aqui da mal dizente!
Mas já que houve alguém pra aqui à desgarrada, eu continuo, pá!
(na musica do Corrido)
O Fado não é fascista
foi coisa que inventaram
Aqueles que o diziam
Nunca mais o maltrataram
Agora vestem gravata
e vestidos bem brilhantes
Os que dantes mal diziam
cantam agora como antes
Diziam que a nossa Amalia
era agente do regime
E agora todos lhe aplaudem
até lhe têm ciume
Da sua voz bem timbrada
Dos Poetas que cantou
Do Fado que ela inventou
Da melodia cantada
Com alma e com devoção
aquele que é fadista
Tem na alma esse condão
e tem perfil de artista!
Gostaste? Olha agora já não sei inventar mai nada.Vê lá se vens aqui à Casa em breve. Já temos saudades tuas! Sua louca, sua aventureira, sua peste!
resposta de VALERIA MENDEZ:
oH MENINA, seja bem vinda! Bela desgarrada! Qq dia passo por aí!
Hum...Diz a senhora fadista-..."...actividades, que não me cabe apintar...". Apreensivo pergunto: Que andará a fadista a fazer pelos meandros do Hezbollah?
Muito suspeito...Hum, muitíssimo suspeito...
resposta de VALERIA MENDEZ:
Bem...pensará o amigo o que quizer. Mas garanto-lhe que não tem nada de suspeito. Não sou como certas pessos que só olham para um lado. Eu gosto de olhar para todos os lados!
Minha querida amiga VALÉRIA!
QUE SAUDADES. Nunca mais disse nada.
POIS VOU QUERER ESSE DOCINHO QUE PROMETEU CLARO QUE A GRANDE AMIGA é "AMÁLIA RODRIGUES". Bjs.
AMEI ESTA DESCRIÇÃO que viagem fabulosa, que previligiada poder vêr tanta maravilha.
Espero por si no meu boteco, para uma cavaqueira.
Hoje é de homenagem a todos os Fadistas, adivinha quem canta????
AMIGA SEMPRE!
Aluena
http://bica.blogs.sapo.pt
Lamentou-se muito a ausência deste blogue no nosso Encontro. Para a próxima vez, nem que o jacaré tussa é OBRIGATÓRIA a presença. Pode lá haver blogosfera completa sem a Valéria...!
E então aquela ideia de apareceres com os guitarristas...
Um abração do
Zecatelhado
resposta de Valeria mendez:
Pois é Amigo! Andei num corre corre a ver se alguem me substituía no showzinho dos italianos, mas não consegui. E era mesmo a ideia que eu tinha-combinar só consigo, e depois lá para o meio de jantar, aparecia eu com dois guitarristas, claro está, dois musicos de Lisboa, que costumam acompanhar-me, quando se torna muito onerosa a deslocação dos meus dois musicos de cá. Não pela minha presença, mas pela presença dos Poetas,creio que seria um tempinho bem passado...Paciência. São os custos da minha persistência em continuar a viver aqui. Torna-se tudo tão mais dificil, nem imagina! Tudo em nome da familia, dos gatos, dos cães, do anti-stress, da facilidade de vida que é, não se preocupar em comprar ou alugar casa, não se preocupar se são duas ou trÊs da manhã, e pode ser perigoso conduzir a essas horas, etc, etc.
Obrigada Amigo Zeca, pelas palavras de amizade!
Um abraço
Valeria
Dizes bem "há que compreendê-los"
Não sabia mas fiquei a saber imensas coisas através deste teu texto...riquíssimo! Obrigada! Não, não sei quem é ...
Abraço, WB
Excelente texto. Nunca mais apareceu lá pelas nossas bandas Dona Valéria, andamos com saudades das suas opiniões.
Abraço
Afixado por: Sr. Mofo em setembro 20, 2004 11:29 AMMais uma excelente narrativa. Eu não poderia ter conheçido, talvez a Valéria, esse Líbano florescente, antes da guerra o ter desmembrado...
Uma boa semana, Valéria.
Um abraço.
Uma compatriota minha! Do fado é claro! :D Gostei deste local e certamente voltarei! :)
Afixado por: Bruno em setembro 21, 2004 08:14 AMo que eu queria mesmo era ouvir mais...e mais...
big lady!
Claro! a Amália! ...onde é que eu estava com a cabeça??? Enfim...beijitos mil, WB
Afixado por: whiteball em setembro 21, 2004 10:35 AMBelo post, para ficarmos a conhecer mais sobre esse país.
Não sabia que o Líbano fosse tão pequeno (área semelhante à do Algarve) e tão populoso (dez vezes mais pessoas do que o Algarve).
Mas já agora, de cedros tem pouco. Creiam que só restam uns pouquitos, numa reserva natural algures nas montanhas, deixados de propósito para manter a imagem do país. De resto, foram-se: já não há cedros no Líbano.
resposta de valeria mendez:
Obrigada pela visita. E pelas palavras.Efectivament eo HAMAS pratica uma solidariedade incrivel, eu constatei isso pessoalmente.
Quantos aos cedros, é verdade o que diz, e sobretudo na parte sul do Libano, pouco existem graças aos israelitas e aos seus bombardeamentos da guerra de ocupação dos Montes Golan.