junho 06, 2004

Hoje, apeteceu-me HERMÍNIA SILVA

Para os mais distraídos, HERMÍNIA SILVA, era a segunda fadista portuguesa mais amada pelo publico.Amália dizia que ela era a maior, e Hermínia dizia que a maior, era Amália. Chegou-se a querer "fabricar" uma rivalidade entre elas. As duas, acabaram com isso, imediatamente. Aliás, Amália e Hermínia seguiram caminhos diferentes, na abordagem ao Fado: Hermínia é a sacerdotiza de Lisboa, aquela que levou o Fado ao Teatro. Aquela que ficou para sempre ligada à Lisboa da tradição. Amália, enveredou por um Fado inovado, sem contudo desligar-se das raízes. Hoje, ao acordar, só tinha Hermínia, a cantar na minha cabeça.Queria por isso, partilhar convosco este Fado ,da querida e saudosa Hermínia. Um dos poucos ícones do Portugal do séc. XX.

Publicado por Valéria Mendez em junho 6, 2004 09:45 AM
Comentários

Pessoalmente, sempre considerei a Hermínia Silva mais fadista que a Amália. Mais castiça.

A Amália, sendo fadista, sempre a olhei mais como "cantadeira". Mais estilizada e destinada a exportação.

Eram, contudo, ambas grandes talentos. Grato por me recordar a Hermínia.

Abraço.

Afixado por: PortoCroft em junho 6, 2004 10:34 AM

Concordo com PortCroft quando diz que Hermínia Silva interpretava o fado mais castiço. Ela própria era mais castiça que Amália, embora não retirando lhe a popularidade que a diva disfrutava. Lamentável é que, se quizermos ouvir
Hermínia Silva tem de ser no recato do nosso lar numa aparelhagem. As emissoras de rádio ainda vão passando na tentativa de cumprirem as ditas quotas de música portuguesa um ou outro fado da Amália. Há anos que não consigo ouvir uma interpretação de Hermínia passada numa rádio. São sempre os mesmos os interpretes nacionais ouvidos na nossa rádio numa repetição algo cansativa.

Afixado por: congeminações em junho 6, 2004 11:21 AM

Que bom acordar assim...
Adoro Herminia Silva, e adorei ouvi-la aqui, o meu muito obrigada

Afixado por: Maria em junho 6, 2004 12:32 PM

Hermínia era fadista. Amália não era, era apenas cantadeira. Amália foi um produto internacional. Hermínia uma voz nacional.

Afixado por: Carochita em junho 6, 2004 04:46 PM

"O Fado da Sina" E que bem que o meu Pai o canta :))))))

Afixado por: Finurias em junho 6, 2004 09:00 PM

Como já anteriormente referi, não tenho o habito de comentar os comentários(passo a expressão).Mas devo sublinhar que:
a) Amália não era um produto(nunca fez concessões de espécie alguma em relação ao seu reportorio nem às escolhas que fazia do seu reportório;cantava o que gostava, e nunca foi objecto de lançamentos comerciais e "artificiais",como o que se passou recentemente com Mariza);
b) Como aqui foi muito bem referido, Hermínia representa a voz da tradição, era uma fadista castiça, desenvolvia o seu talento tendo como base o fado na essencia(como alías o fez Marceneiro), tendo porém o mérito de fazer sair o fado dos chamados Retiros, e levá-lo para um publico mais abrangente, o do Teatro de Revista.(Neste caso, o purista extremo foi Marceneiro!):
c) Amália, pegou na essencia, e deu-lhe uma linguagem mais abrangente, introduziu a Poesia ´Literária no Fado, inovou-o e deu-lhe novos caminhos.
Conclusão-Uma completou a outra.Ao ouvirmos Herminia,sabemos o que "apaixonou" Amália naquele canto lisboeta.Essa paixão levou-a a transformar o fado em Canção Nacional. Herminia era fadista na total acepção da palavra ,e Amália foi uma cantora que, entre outras coisas, deu também voz ao Fado.Atentemos na paixão de Amália pela guitarra portuguesa, que até em discos de recolha folclórica, utilizava a guitarra de Fado, como instrumento principal...

Afixado por: Valeria Mendez em junho 7, 2004 01:35 AM

Só para dizer que gosto da Hermínia mas prefiro a Amália. Que me parece que como artistas não são comparáveis...
E tenho para mim que a Amália não era uma cantadeira... A Amáila era um vulto e hoje é uma referência...

Um abraço,
Francisco Nunes

Afixado por: Planície Heróica em junho 7, 2004 01:39 AM

Os eleitos do Trilema !

Afixado por: Finurias em junho 7, 2004 02:28 AM

Com a sua permissão Valéria, só uma nota de rodapé ao meu comentário e em jeito de resposta ao comentário de Francisco Nunes.

Amália, considerava-se, e muito apropriadamente, uma cantadeira que, em português, significa: Mulher que canta. Por diversas vezes em entrevistas a jornais, revistas e televisão, como estou certo que também o fez entre amigos, assim se definiu a si própria. Não há carga perjorativa nenhuma na expressão.

Amália era e sempre será um mito para Portugal e os portugueses e, os mitos não precisam de advogados do diabo. Foram julgados e elevados a esse pedestal em vida e nunca serão opiniões expressas por simples mortais como eu ou Francisco Nunes que a poderão beliscar.

Afixado por: PortoCroft em junho 7, 2004 08:16 AM

Na minha ignorância, sempre achei o Fado com uma conotação um tanto árabe. :)
Será que ao inovar e dar uma dimensão internacional ao Fado, Amália fez exatamente o que muitos dos seus admiradores censuram em fadistas modernos?
RESPOSTA de Valéria Mendez: Sim, amigo Manoel Carlos, o fado tem reminiscências árabes, não fossem os bairros lisboetas, repletos de memórias dessa civilização.
A unica diferença entre o Fado Novo de então(inovado por Amália) e o de hoje, é que muitos fadistas, tentam inovar, servindo-se do reportório já existente, com especial incidência no de Amália.Portanto, temos hoje, imensos discos de fadistas jovens, em que, o que muda é a voz, e o resto, é uma compilação dos temas amalianos, copiados até à exaustão. Criar é trazer algo de novo...o que não acontece, nem mesmo em Dulce Pontes, que admiro imenso, mas que precisou (ou achou que precisava!) de gravar Amália, para se tornar conhecida.No entanto, há que ressalvar uma coisa-Dulce Pontes, não imitou Amália. Até deu uma nova roupagem aos fados da diva. O que, por si só ,é já meritório.

Por viver no outro lado do Atlântico, conheci Amália e, mesmo a reconhecendo como uma grande cantora de vários gêneros musicais, sempre a associei ao Fado.
RESPOSTA de Valéria Mendez: Realmente o Fado é o Prato Forte de Amalia, mas ela não era exclusivamente fadista, como Hermínia Silva ou Maria Teresa de Noronha. Era uma Cantora de Musica Popular... Conhecidos em todo o mundo ,são os três albuns de recolha folclórica de Amália, e ainda os seus albuns em italiano , francês e inglês, em que Amália nestes casos, ataca outros estilos, criando assim uma Escola Interpretativa, uma linha , que poderá ter uma "leitura fadista" de outras Canções. Interessante seria ouvir o Summertime por Amália.À primeira, não se reconhece o tema. Há uma criação. Uma autenticidade, que só os grandes demonstram...

Afixado por: Manoel Carlos em junho 7, 2004 03:18 PM

Sem dúvida Valéria.

Aliás, a voz de Amália tornou-se conhecida ao interpretar a Marcha Popular de Alcantara de 1936.

Quanto ao Teatro de Revista, Hermínia Silva estreia-se em 1932 no Teatro Maria Vitória, onde actuou na opereta A Fonte Santa, enquanto Amália Rodrigues só em 1940 é atracção da revista "Ora Vai Tu", no Teatro Maria Vitória. Hermínia ficou para sempre ligada á Revista, Amália teve o percurso internacional que se sabe.
RESPOSTA por Valeria Mendez- Vejo, caro amigo que é um conhecedor. Está tudo correctíssimo!

Afixado por: PortoCroft em junho 8, 2004 08:32 AM