março 24, 2004

"Mais do que um crime, foi um acto de estupidez"- afirma Uri Avnery, famoso escritor israelita.

É este o titulo de um texto, editado no site do Al Fatah- ALAQSA INTIFADA.org, assinado por um proeminente escritor judeu- Uri Avnery, reportando-se ao assassinato do lider espiritual do Hamas ,Sheikh Yassin. Que poderei eu acrescentar ? Agora, passou-se a ter no conflito israelo-palestiniano, o factor religioso, até agora completamente alheio. Uma situação, que poderia ter ainda, uma solução pacífica, de cariz político, passa a ter uma conotação perigosamente religiosa, numa parte do mundo,onde os lideres espirituais assumem um papel preponderante, na mente e nas acções dos povos. Aliás, se formos "espiolhar", as razões do assassinato de Ytzak Rabin, perpetrado por um judeu, chegaremos à conclusão lógica,e ao mesmo tempo aterradora: Os mesmos que mataram o político judeu ,que estava a alcançar um êxito sem precedentes,na resolução pacífica do problema, são precisamente aqueles que tiraram a vida a Yassin. Os motivos são por demais evidentes. A "intelligentsia" do Likud, demonstra assim, ser tanto ou mais fundamentalista que o próprio Hamas. Resta-me só dizer isto : Se eu fosse palestiniana, precisamente com a idade que tenho, e tivesse vivido toda a repressão, toda a "roubalheira" que os colonos judeus efectuaram nas aldeias palestinas, presenciado a ignomínia de ver os meus pais mortos, só porque estavam dentro da sua casa,e tivesse visto (como vi !) as costas de um menino, completamente esfaceladas com um ferro em brasa,castigo esse infligido pelos soldados israelitas, pelo crime de atirar pedras do alto dum muro, e tivesse chorado ( como chorei !),pela morte doutro menino sonhador, que estava no local errado,na hora errada; então creio que ,neste momento, estaria já imaginando-me, embrulhada em explosivos, num sitio qualquer de Tel Aviv, rebentando com uma data de judeus, para que sentissem na carne, e no mais profundo da alma, tudo aquilo que me haviam feito sentir. E eu não sou terrorista. Sou pacifista. Activista duma Causa. Imaginem só, se não o fosse !

Publicado por Valéria Mendez em março 24, 2004 12:59 AM
Comentários

:-|

Afixado por: golfinho em março 24, 2004 04:13 AM

Eu até estava a gostar do texto mas, a parte final, estragou tudo. Ninguém nega o sofrimento dos palestinianos mas "rebentando com uma data de judeus" inocentes, crianças inclusivé, iria resolver o quê? Morria em paz? Desculpe lá mas esse pensamento não é de uma pacifista, mas sim de uma terrorista ou, se é activista de uma Causa, não será da Paz concerteza. Iria fazer aos meninos israelitas o que não gostou de ver nas costas dos meninos palestinianos? São todos meninos, crianças são crianças, inocentes são inocentes, não têm culpa dos fundamentalistas que os levam para a guerra.
E digo-lhe mais, sou contra as guerras e contra a ofensiva dos Israelitas sobre os Palestinianos, mas faz-me mais impressão a morte de indiscriminada de inocentes dum ataque suicida, do que a morte desse Sheikh Yassin que, para todos os efeitos, era um assassino.
A posição que tomaria, num cenário hipotético, é a mesma do Sheikh Yassin, cobrar a vida com mais vidas, mas não as de quem matou.

Afixado por: Dúvidas em março 24, 2004 10:18 AM

É tão fácil falar..."Duvidas"! O sentimento de revolta pode levar as pessoas a fazerem coisas que não são propriamente as mais acertadas.Tire do colo de sua mãe uma criança,e mate-a,e logo verá uma mãe transfigurada,capaz de matar também.Portanto se me chamou terrorista, nessa linha de pensamento,aceito-o.Disse e repito-Houvera eu nascido na Palestina, provávelmente ter-me-ia tornado numa terrorista.A Ministra Inglesa que se demitiu do governo de Blair recentemente,também o afirmou publicamente! Portanto-Assumo.Afinal, "quem nâo se sente ,não é filho de boa gente" lá diz o ditado.,

Afixado por: valeria em março 24, 2004 04:22 PM

Mas oh Valéria, acha que isso é favorável à causa dos palestinianos que - diga-se- é justíssima?!
-Isso (os banhos de sangue) só dá argumentos aos 'sharons' deste mundo...


Exagerando um bocado poderia dizer-se que:
-Por essa lógica os judeus teriam todo o direito de arrasar a Alemanha.
-Com essa lógica é possível achar-se que o Hitler foi um teórico!
-Com essa lógica acaba-se a dar razão à besta que atacou selvaticamente um objecto de arte em Helsínquia.

Não se faz a paz com a guerra...


Um abraço,
Francisco Nunes

Afixado por: Planície Heróica em março 24, 2004 07:21 PM

Cara Valéria, sei que é fácil falar pois nunca senti na pele semelhante situação.
Na situação que falou, se me matassem ou mesmo tentassem matar a minha filha, ou outro ente querido, eu era capaz de matar o culpado, acredito que sim, mas julgo que não ficaria cego a ponto de matar indescriminadamente.

Afixado por: Dúvidas em março 24, 2004 10:59 PM

Ao Francisco da P.H.-Claro que vc tem razão; o que pretendi dizer foi que compreendo as razões,e que acções como as de Sharon só servem para irremediavelmente quebrar toda e qualquer hipotese de negociação politica. Ao Duvidas-Acredite caro amigo, que chegaria sim a esse ponto,acredite...se esa dor fosse multiplicada por exemplo pela morte da sua filha,da sua mãe,do seu pai,do seu avô,etc,etc.Chegaria sim...não duvide!

Afixado por: valeria em março 25, 2004 02:20 AM

Cara Valéria,
Li este seu post e não concordo com esta perspectiva. Falar-se de conflito, falar da justa autodeterminação do povo palestiniano, falar da incrível estupidez daquele assassinato bárbaro, do sofrimento do povo palestiniano, aplaudo-a de pé. Agora justificar o injustificável...de parte a parte...não dá. Os actos que descreve são terroristas da parte de Israel, mas esse parágrafo final, é também puro terror. É lógica da retaliação pura e da escalada de violência, sem outros objectivos que não a própria violência. No fundo, é dar legitimidade a ataques, esteréotipos e ódios contra o povo palestiniano que precisa de conquistar mais apoios para a sua causa. Acho que funciona como um tiro no pé e depois para além disso, incentiva a terríveis retaliações que se sabe, que Sharon está sempre pronto a accionar. E mais uma vez bloquear todo o processo negocial. Fique bem.

Afixado por: Pagan em março 25, 2004 05:02 AM

Ao Pagan-Falar de cátedra é tão fácil,não é? O meu ultimo paragrafo pretende enfatizar o sentimento que se vive na Palestina,e com isso pretendi provar o erro das tacticas israelitas,que agora até já ameaçam Arafat, que o Ocidente premiou com o Nobel da Paz. Continuo a dizer que só existe terrorismo da parte palestiniana,porque os israelitas exacerbam a espiral de ódio. E para além do mais,estou eu aqui a falar para uma pessoa que se calhar nunca pôs os pés no Médio Oriente.Eu já lá fui uma duzia de vezes,e só em Gaza,estive tempo suficiente para observar o medo quotidiano, em que vivem as pessoas...E continuo a afirmar:se eu fosse palestiniana ,já teria por certo pensado em praticar algum acto terrorista! Tenho consciencia que esse pensament o éstá errado.Mas quando nos toca a nós na pele,as coisas mudam de figura.Não me vou repetir,nos exemplos reais que tenho dado,nos posts que tenho editado sobre o assunto,e nos comentários que tenho feito...

Afixado por: valeria em março 25, 2004 02:01 PM

Para terminar a minha participação neste debate, só queria acrescentar que os actos terroristas dos palestinianos são a resposta desejada por Israel. Dessa forma 'legitimam' internacionalmente os cada vez maiores e mais destruidores ataques do superior armamento Israelita.
Paz é só o que eu desejo.

Afixado por: Dúvidas em março 25, 2004 02:57 PM

Creio que entendo a Valéria. É que "pensar" não é "fazer". Ela disse que era *capaz de pensar em*... Possívelmente não seria capaz de o fazer, porque já se mostrou pacifista por várias vezes. O que ela refere é a revolta de quem se sente sem respostas. O texto é muito forte e provocou estas reacções, mas eu entendo-a. Contudo continuo a achar que ela falou com a emoção, com o coração e não com a cabeça.

Afixado por: L.G. em março 25, 2004 06:01 PM

Cada um combate com os meios que tem, Israel realiza raids aéreos ou ataques com tanques, matando civis inocentes os palestinianos utilizando os meios que dispõem respondem com ataques bombistas. Os palestinianos têem razões reivindicativas de que não abdicam os israelitas continuam a manter na sua posse o fruto da usurpação. Enquanto tal se mantiver jamais acabará o terrorismo em Israel, até que este dizime o último palestiniano.

Afixado por: congeminações em março 25, 2004 09:07 PM

Compreende-se perfeitamente, o sentimento de impotência e de raiva de quem é humilhado e vilipendiado em sua própria casa.
Aos Judeus, deveria bastar a sua própria experiência histórica, para não repetirem os mesmos actos, a que foram sujeitos, pelo nazismo.
Aos palestinos, apenas podemos dizer que a violência gera a violência, isto porque não foi a nossa casa, que foi usurpada, nem o nosso país que foi invadido e ocupado.

Afixado por: jgonçalves em março 25, 2004 11:17 PM

OK...nesse caso anda bem que não é palestiniana. Menos uma terrorista no mundo faz dele um lugar melhor. Para além disso, nessa lógica, não se fale do holocausto, para isso é preciso ser judeu ou ter estado em Auschwitz. E nessa mesma lógica, não se fale em Hiroshima, se não esteve lá. Assim ninguém pode falar da bomba atómica, porque morreram todos...

Afixado por: Pagan em março 26, 2004 01:07 AM

Mas quem afirmou que não se pode falar? Oh Pagan !!! Eu afirmo que não se pode "sentir" uma coisa, e falar friamente dela,entende? Uma coisa é falar,sem implicações sentimentais, e outra é falar friamente,que é o que vc faz, precisamente porque nunca esteve lá, e fala de cátedra! Poça,até parece que falo chinês.Já me basta o Alberto João pra me chatear...

Afixado por: Valeria em março 26, 2004 10:50 AM

Valeria: Apesar de defender que palestinianos e israelitas ainda devem voltar a apostar no diálogo, para através dele cosntruirem a paz, pois tem o direito e o dever de partilharem a mesma região, eu entendo os seus sentimentos. Sei que quando se vive numa situação de extrema opressão, miséria e humilhação como vivem hoje os palestianos os valores morais ofuscam-se pela cegueira da vingança que toma a forma de libertação, de «justiça». Não é o caminho certo, mas é aquele que infelizmente é o mais real...Há judeus e palestinianos moderados como tb há extremistas de ambos os lados e esses é que estão a asfixiar as possibilidades de entendimento e a gerar cada vez mais violencia o que é mt triste...enquanto os extremistas estiverem no poder em Israel, não haverá solução justa e pacífica para o conflito. Que Deus ajude rápido aqueles dois povos, já que a comunidade internacional não o pode ou não o quer fazer....

Afixado por: Ludovina em março 26, 2004 11:42 PM