O cenário ,é o das velhas Muralhas de Jerusalém. Porta de Damasco. Um palco gigantesco ergue-se perante mais de dez mil pessoas-israelitas, palestinianos, europeus, alguns americanos. Estudantes, jornalistas,políticos, professores, advogados, juizes, médicos, religiosos,agricultores,enfim... gente de todas as idades e de muitos credos. Outros ateus. Um laço comum os une: São Pacifistas, reunidos pela PEACE NOW, dando a cara ,e emprestando o seu grito pela Paz ,no Médio-Oriente. Um cenário bíblico. Fabuloso. No palco, discursaram várias indidualidades, da Cultura à Política. De ambos os lados. Gente inteligente. Gente que conhece as razões dos ódios. Gente que sabe também que esses ódios, não são o CAMINHO. Depois das palavras de ordem, vem a vez dos Artistas. Que empenharam o seu nome pela causa unica da Paz- Collette Magny, Georges Moustaki, a israelita Sarah Alexander, o tunisino Mohammed Bhar, a libanesa Fairouz,um verdadeiro caso sério de popularidade no mundo árabe,uma espécie de Diva. Estupenda. Ainda ,um grupo de musica etnográfica da Palestina, e um outro israelita, composto por jovens universitários. No meio disto tudo, eu, a Valéria Mendez. Uma completa desconhecida, não-mediática, uma "mendiga" no meio de vedetas. Não obstante, uma Pacifista, Activista pela Causa Palestiniana. Uma pessoa com opinião. De repente, o meu ignoto nome, seguido do nome do meu País, ecoa na cidade velha. As primeiras notas do meu "playback" instrumental (Infelizmente não havia dinheiro para trazer musicos de Portugal), insinuam a melodia de " Coimbra"( Abril em Portugal). Os meus sentidos tremem com a ovação fenomenal, vibrante, entusiasta, ruidosa...o sonho de qualquer Homem ou Mulher de Palco. No final, entoa-se o "Lá Lá Lá "do refrão. Um banho imenso de aplausos... Dir-se-ia, que acabara de ouvir-se uma vedeta cintilante. Uma "star". Uma Diva... ... ... Qual quê! Claro que eu sei a razão de tal recepção. Eu acabara de interpretar um "hit" internacional da AMÁLIA RODRIGUES. A ovação, só reflectiu, até onde o "polvo" de talento da Diva ,havia chegado. Os aplausos não eram para mim. Eu havia sido um instrumento de "recordação". Nada mais. Por isso mesmo, no final,fiz questão em dizer umas palavras, sobre a Cantora Maior de Portugal... ... ...
Muito mais recentemente, uma outra fadista, no Royal Albert Hall de Londres, é ovacionada da mesma forma ( mas por muito menos pessoas!), quando inicia a sua interpretação de Barco Negro, um outro "hit "mundial de AMÁLIA. Seguiram-se outros temas criados pela nossa Cantora Maior. Lá pelo meio, dois inéditos. Nem uma palavra sobre AMÁLIA. Para os mais jovens ou mais distraídos, dir-se-ia, que aquela jovem fadista, possuia um reportório fantástico. No dia seguinte, os jornais e TV Portugueses, e um matutino inglês, anunciam a retumbante recepção dos londrinos, face a essa fadista. Que sucesso ! Que fama extraordinária tem aquela jovem artista ! Pois é. Se eu também tivesse tido a mesma "pouca-vergonha",a mesma desonestidade,e a tal máquina promocional atrás,e me filmassem a receber tamanhos aplausos, junto às vetustas Muralhas de Jerusalém, também eu, se calhar, seria logo uma vedeta. Quiçá premiada pela BBC Radio. Porventura honrada, por ter levado o nome do meu País, a distantes paragens. Mas não. Há que possuir bom-senso. Há que ser honesto. Há que ter os pés assentes no chão. Mesmo na "loucura" criativa. Sobretudo. No fim de contas, sejamos realistas: No que concerne ao Fado, a verdade é esta,e não vale a pena tentar ocultá-la, para benefícios egocêntricos e aspirações a vedetismos de plástico - AMÁLIA, NO SEU SONO ÉTEREO, EM CAMA DE PEDRA FRIA NO PANTEÃO NACIONAL, É QUEM CONTINUA A DITAR OS CAMINHOS DO FADO, A LIDERAR . A ACERTAR AS AGULHAS AO FADO. Resta-nos esperar, que surjam em Portugal, mais uma mão cheia de Teresas Salgueiros, coadjuvadas por compositores da fibra de Frederico Valério ou Alain Oulman. Então sim, Amália passará a ser A REFERÊNCIA. Por enquanto, continua a intervir. Directamente. Pelos meios menos honestos. Não por culpa DELA, obviamente. Por culpa, talvez do "facilitismo" e da mediocridade, que rege este País, nos tristes dias de hoje... ... ... Jack Lang, ex- Ministro Francês da Cultura, dizia, no Le Monde, por ocasião da Comemoração Anual da morte de EDITH PIAF - "...Se alguém canta "La vie en rose",e se ao iniciar o tema, o publico aplaude, fá-lo, não ao recriador, mas neste caso, aplaude EDITH PIAF. É inevitável..." Espantoso é , haver artistas em Portugal, que, enchidos pela auto-sublimação torpe e desonesta, cegos pela ambição, ainda não tenham compreendido isso. Só poderei lamentar... E denunciar.
Publicado por Valéria Mendez em setembro 29, 2007 05:51 PM | TrackBackA divina Marlene tambem recriou o tema, ao vivo, em disco, no filme Panico nos Bastidores, e quem a ouvia e aplaudia a sua interpretação, era a ela que aplaudiam, e não á grande Piaf.
Aliás há temas de Amalia recriados por outros, e que não desmerecem nada do original, lembro-me por exemplo de Carlos do Carmo.
Aliás ao falar de fado e de Fadistas a Valeria esquece
Carlos Ramos
Manuel de Almeida
Maria Amelia Proença
Argentina Santos
Esmeralda Amoedo
Fernanda Maria
e até Maria da Fé ou a Maria da Nazaré.
Nenhum deste nomes imitou, ou pode ser considerado um seguidor de Amalia, e no entanto tambem eles são decisivos para que o Fado seja o que é hoje....
Por vezes esta idolatria de Amalia, acaba por injustamente esquecer , que não foi ela que criou o Fado.
Foi única, tinha uma voz portentosa, soube inteligentemente rodear-se de pessoas ,que a fizeram subir a novos patamares.
Mas muitos outros mantiveram o fado bem vivo, e não podem nem devem ser esquecidos.
Nenhum destes nomes que citei a imitou ou seguiu
Mais uma vez apoiado! Concordo inteiramente, Valéria!
Afixado por: Okawa Ryuko em setembro 30, 2007 08:45 PMCaro Sr Pacheco
-Acredite que não o quero perder como leitor do meu blog, porém haja paciencia para si!!!Acontece que eu, por feitio proprio sou pessoa de pouca paciencia, talvez por isso mesmo sempre fiz o que me deu "na gana",e sempre disse aquilo que pensava.Mas você, com todo o respeito, passa das marcas: Primeiro vem com a "estoria"da Dietrich ter cantando Piaf.Sin senhor! Cantou e cantou bem, porque cantou diferente,com outra abordagem musical e com outra forma interpretativa,Eu não sou contra as fadistas que cantam coisas da Amalia!Eu já A cantei tanto!!!Mas há que haver vergonha, e sobretudo profissionalismo!Um exemplo só para ilustrar o que eu disse:As versões do Povo que lavas no rio pela Dulce Pontes e pelo Antonio variações, são geniais!Porquê?Exactamente porque trouxeram ao tema, algo de novo, de diferente.Não se colaram à interpretação da Amalia.Agora, repare na mesma versão pela Mariza, por exemplo, só para citar uma entre tantas.O que escuta você? As mesmas suspensões, o mesmo ritmo,a mesma linguagem melismática.Com um senão. Mariza não tem a voz que Amalia tinha na idade dela!E então tudo se perde, e ficamos perante uma imitação torpe.Já entendeu?
OUTRA COISA de bradar aos céus é o que o meu caro Pacheco diz, afirmando que Manuel Almeida, Argentina,Amoedo,etc, não imitaram Amalia.Pois com certeza! Eles são contemporâneos de Amalia, tem mais ou menos a idade da Amalia.Como poderiam eles ter Amalia como referencia máxima? Haja paciencia! E quanto à Maria da Fé,essa sim com idade para ser seguidora da Amalia, afirmo, até porque ela já mo disse há muitos anos, que Amalia é a sua mais forte influencia.Aliás em certos melismas, Maria da Fé tem laivos de Amalia, ninguem pode dizer o contrário.Quanto à Maria da Nazaré,concordo consigo, ela tem porventura uma influencia dos fadistas tradicionais mais antigos, e tem uma forma peculiar e talentosa de cantar ao fado.Gosto imenso dela! Ah, mais uma coisa-A M.Amelia Proença, não tendo influencias directas da Amália é uma amaliana de gema, digo-lhe eu!Aliás, antes de Amália houve duas ou três grandes vedetas do Fado, que influenciaram muita gente.A Ercilia Costa, que foi a nossa primeira fadista internacional, a Berta Cardoso que representa o tradicionalismo do Fado Puro e Duro, etc.
Por favor Sr Pacheco-faça sempre(peço-lhe!!) comentários aos meus textos, mas veja lá se tem logica no que escreve; é que a paciencia não é o meu forte!
Desculpe.
A editora do blog
Ui Valeria la esta a tua forte personalidade.Foste dura, com as fadistas e com o senhor Pacheco, mas dou-te razao.Concordo contigo.Estou triste contigo por outro motivo-esse teu feitio terrivel de abandonar as coisas, quando voltas a cantar? Nos aqui em Londres temos saudades da forma que tu cantas e verdade seja dita, cantas fados de Amalia mas parece tao diferente que a primeira vista nao se identifica logo o fado.Nisto tu es consciente do que dizes.
Afixado por: Debora Santos em outubro 1, 2007 04:03 PMJá percebi que a Valeria tem a Mariza como inimiga de estimação, e faz mal.
Quem ouviu na torre de Belem a portentosa interpretação do Barco Negro , da Mariza, vê que ali há recriação, e não cópia.
Digo-lhe mais ,aquela interpretação do Barco Negro, com percurssão até está ,mais proxima do original do Caco Velho ,a Mãe Preta, do que a versão da Amalia.
Mas até lhe dou razão, quando acha que nalguns jovens, há muito de modismo.
Cito-lhe o Paulo Bragança, o Gonçalo Salgueiro e a Katia Guerreiro, têm boas vozes, mas aqueles trajeitos de fadistisse, revelam que não percebem nada do que é o fado.
São uma coisa a modos que...
A nossa grande divergência é sem dúvida a sua demesurada admiração pela Amalia.
Aí estamos em desacordo, Amalia foi muito importante para o Fado, mas para mim houve muitas outras vozes que não tendo chegado onde ela chegou, não é por isso que merecem ser esquecidas.
Estava a lembrar-me do Fernando Mauricio.....
Um abraço
Sr Pacheco (isto já parece um fórum de debate!lol,lol)
Tenho de responder-lhe
-Numa coisa tem razão:Eu tenho uma desmesurada admiração, um enormissimo respeito pela Amália.Não tenha duvidas.O Fado não seria o que é sem a Amalia, e todos os outros fadistas, incluindo o F.Mauricio que admiro imenso e com quem cantei aqui na Madeira com um também desmesurado prazer,não poderiam ter levado o Fado ao Mundo, e isto porque a linguagem do Fado Classico ou tradicional, não tem força animica para chegar a um publico como o japones ou mesmo o italiano.Amalia com a inovação do seu reportorio, com o Alain, o Valerio e outros trouxeram para o Fado uma linguagem com elementos musicais não tão quadrados como o fado menor, o pedro rodrigues ou o fado alberto, que têm uma profunda beleza, mas são muito pobres do ponto de vista musical.O Fado que faz sucesso lá fora, é o fado amaliano, não o fado puro e duro, como alguns lhe chamam...A Amalia é uma das melhores cantoras do seculo XX,ao lado da Oum Kalthoum, da Piaf, da Callas.A Amalia não é um fenomeno regional, e como tal, não pode ser comparada aos outros.Em Portugal há grandes vedetas do Fado, como a Beatriz da Conceição, a Argentina, a Fernanda Maria,o João Ferreira Rosa,etc, houve uma Herminia Silva que se destacou nacionalmente, houve um Marceneiro que estruturou muita coisa no Fado, com o seu estilizar, houve uma Maria Teresa de Noronha,um Manuel de Almeida, um Antonio Mello Correia, etc,etc(não posso citá-los todos!) e depois, houve a Amalia, que não tem rigorosamente nada a ver com os estatutos desses outros.A Amalia esta no galarim onde está o Sinatra, o Gardel,a Marlene Dietrich,a Piaf,a Callas,a Kalthoum, a Ella Fitzgerald,a Billie Holliday,o Louis Armstrong,e poucos mais.Não queira comparar Amalia a todos os outros fadistas.Não o conseguirá.Amalia foi enorme.
É enorme.Amalia será lembrada no mundo daqui a quinhentos anos.É uma figura histórica.Teve pormenores de pioneirismo que lhe deu esse estatuto:Foi a primeira a demonstrar que se podia cantar Camões.Foi a primeira a dar a conhecer a palavra Fado a um nivel global, cabendo a Ercilia Costa uma pequena fracção desse estatuto no que se refere a Espanha e a França.
Outra coisa-eu não tenho inimigos de estimação, e muito menos a Mariza, que gosto de ouvir em alguns(poucos) temas, como o Feira de Castro,Meu Fado...porque aí ela não copia ninguem, consegue cantar como um ser artistico independente. Quanto ao Barco Negro (que não é um Fado!!!), eu vi a Mariza em Londres (eu só falo do que sei!) e a forma como ela o canta, não me parece ser inovadora.E se ela se aproxima assim tanto da Mae Preta, original, deveria ter cantado a Mae Preta, e não o poema de David Mourão Ferreira que Amalia cantou nessa musica. Amália, essa sim, respeitou o Caco Velho, autor da musica de Mae Preta, indo por um caminho forçosamente distinto das interpretes de Mae Preta.Percebeu o alcance do que eu disse?
Quanto aos imitadores estamos de acordo, se bem que Katia Guerreiro não se enquadre a meu ver nesse registo.a Katia é original,tem um timbre diferente de tudo quanto já se ouviu, mesmo quando canta Amalia.É uma seguidora de Amalia.Nunca uma imitadora.A Mariza consegue ser mais imitadora, não no que respeita a extensões vocais(também não tem voz para isso!), mas sim pela saloia esperteza de copiar formulas de interpretação.A ausencia de criatividade provoca isso:cantarmos como no disquinho.As mesmas pausas, os mesmos pianinhos.Sendo o Fado uma especial canção onde o improviso interpretativo é essencial, Mariza perde por isso.
A Editora do blog
Estava eu nas minhas pesquisas sobre o assunto e eis que me deparo com esta página muito interessante.Nunca ouvi falar de si, Valeria, mas pelo que li ( e foi pouco) nesta sua pagina cibernética, verifico que é uma pessoa informada, e sabe do que fala. Estamos de acordo em tudo sobre a Amália e sobre as suas criticas ao mundo do Fado.Dou-lhe os parabens por um texto que escreveu intitulado "O Triangulo do Fado", e que demonstra um conhecimento superior da nossa canção.Também fiquei siderado com as suas aventuras por terras muçulmanas, e fartei-me de rir com as suas crónicas "No Iemen, salva por um cartão" e ainda "Fado à Força em Jerusalem". Como vê, tenho dedicado algum do meu tempo, a esta minha nova descoberta bloguística.
Os meus respeitos,
Ruy V.N.
Algumas notas para terminar, pensava que ao abrir o seu blogue a comentários, tinha em mente que quem a viesse ler ,podesse opinar, mesmo por vezes discordando do sua opinião.
Denoto, e ressalvo, que não é isso que tinha em mente, e por isso as minhas desculpas, por ter interpretado mal o seu propósito.
Quanto ao resto, eu olho com atenção a carreira de Mariza, e sinceramente não comungo da sua opinião.
Quanto á Katia Guerreiro, é daqueles casos, em que por mais que a ouça, ali não sinto fado, e sim como já lhe disse, tiques de fadistisse, mas disso não vem mal ao mundo nem ao fado, há por aí muita gente que tambem se finge fadista.
Valente Valéria!
Afixado por: Okawa Ryuko em outubro 5, 2007 10:40 AMDe quando em vez passo por aqui, e aprendo sempre muito com a D.Valéria!Também para mim a Amalia é Unica e raro é o dia que não a escuto, em casa ou no carro.
Afixado por: M.José Amado em outubro 9, 2007 06:21 PMBoa noite, querida Valéria! Já viu os Fados do Carlos Saura? Amanhã vou ao cinema, estou sobretudo curioso de rever a dona Argentina Santos. Beijinhos
Afixado por: Flavio em outubro 23, 2007 10:32 PMNão há de facto paciência para este Pacheco.
Recusa-se a perceber o óbvio e depois ainda vem com trejeitos idiotas de vitimização e de não poder opinar livremente. Pode opinar livremente, tal como toda a gente. Pelos vistos não gosta é de ouvir verdades. Mariza tem boa voz e boa técnica mas também tem uma atitude mercenária e desonesta em relação ao legado de Amália. Isso é um facto incontornável, caro amigo. Acho extrema piada à sua crítica de haver da parte de Valéria uma admiração desmesurada por Amália. Essa desmesura, esse excesso são absolutamente normais quando estamos perante a maior figura de sempre do Fado que o guindou a alturas que nunca mais teve através do fado-canção. Diria ainda mais, a desmesura, os grandes sentimentos, fazem parte da linguagem do fado. Se acha isso algo reprovável ou motor de insensatez dedique-se a outros géneros musicais.
Em relação a`Mariza, essa intensa exploração da Amália, acontece no primeiro álbum, no primeiro DVD, e nos primeiros espectáculos. Eu gosto imenso da Mariza, como sou jovem, identifico-me mais com ela do q com a Amália e portanto, prefiro a Mariza. No entanto, também achei demasiada a exploração dos fados originalmente cantados por Amália, alguns sem a mínima inovação e achei ainda mais ridículo, ela não referir a Amália nos seus concertos, e só a homenagear em entrevistas. No entanto, creio q neste último disco ela já se encontrou realmente, e inovou completamente, deixando um pouco de lado a Amália, e com muitos mais originais. Eu assisti atentamente à carreira dela até agora e é enorme o amadurecimento q ela teve ao longo dos anos. Lembro do Live in London, onde a entoação é sempre a mesma, existe uma repetição exaustiva em recriar uma Amália, e com tiques do ''show business'' e coisas assim. Hoje, os concertos dela são muito diferentes, incluindo aquele que deu em Lisboa. A entoação mudou, tornou-se mais matura, mais sábia, mais original e mais «sua». Já tive a oportunidade de a ouvir cantar ao vivo, no Pavilhão Atlântico, tanto uns pouquitos fados da Amália, quanto originais, e em todos a achei fenomenal. Os da Amália, por exemplo, já não caem naquela mesmisse que se via antes. Quanto à Kátia Guerreiro, q tb já aqui foi falada, acho-a ainda «virgem» naquilo q entendo por fado. Sinceramente, acho-a melosa e repetitiva, e com capacidades para bem mais. Acho q é só.
Cumprimentos...
Resta dizer que a Mariza menciona "A ÚNICA Amália Rodrigues" enquanto sua inspiração, em TODOS os concertos!
Em entrevista, responde sempre que "Amália é única e não necessita de substitutos", numa entrevista que li recentemente afirma que "existe fado antes de Amália e depois de Amália, como no tango Piazzola ou no flamenco Paco de Lucia e Camarón "
Por estas e muitas outras palavras Mariza demonstra gratidão, não me parece justo que a maltratem como tanto se vê por este blog.
Cumprimentos,
A. Santos
Amália não precisa do "consentimento" de Mariza para ser única...uma coisa é referir-se Amália como inspiração, outra coisa, completamente diferente, é referir-se uma autoria. Eu sou músico. Tenho imensas inspirações e referências das quais posso falar. Mas quando toco uma versão ou cover dum original de alguém, friso-o sempre.É assim que são as homenagens sinceras.
Aqui há uns tempos, no site de Mariza, havia canções de Amália não referidas como tal mas sim como fazendo parte do reportório original de Mariza. Denunciei esse facto num comentário que foi prontamente apagado. Por ali não se aprecia a verdade mas sim a sensaborona vassalagem.
Acho lamentável que se invoque a juventude como factor de identificação com Mariza em prejuízo de Amália. Juventude deve ser militância, paixão, vontade de novos horizontes. Predicados que se colhem mais facilmente no regaço de Amália...
A não ser que estejamos a falar da pobre questão da "embalagem"
MEU CARO VERÍSSIMO
Ainda bem que refere o detalhe do "apagar" de comentarios, no site da Mariza, Eu já l
á coloquei imensos, digo imensos, comentarios explicativos, pedagógicos, com dados didácticos, e tb, claro, a minha opinião, e sistemáticamente foram apagados. No meu pobre blog, todos podem expressar-se...e por vezes, com alguma deselegancia.Mas não apago nenhum . A menos que sejam ofensivos.Afinal, todos temos direito à nossa opinião. Sendo assim, o que que TEME Mariza, ou os seus representantes, no seu seu site???
Se Mariza, é assim tão consistente como apregoam, não poderá ela com um comentario crítico, e ainda por cima construtivo?
OH meus amigos, não me "lixem".Os artistas de "plástico" são assim...E Mariza, é, quer queiram quer não, uma fadista de plástico.Um plástico bom, com qualidade, boas cores, mas um plástico.
Acabei de a ver AQUI no Funchal( eu só falo do que vejo, ouço e sei!), e foi um sucesso. Pois claro, cantou o Barco Negro, o Povo que lavas no rio, desceu do pedestal para cantar OH gente da minha terra(letra de Amalia), fez suas as palavras do poeta, porém não teve a humildade de referir o nome desse poeta...O que se passou então ali? O que provocou tamanho sucesso? Não sabem?
Eu sei!-O que se passou foi um recordar de emoções, de lapsos de vida ligados a melodias , palavras, gritos, com mais de 30 e 40 anos...
Também EU,e não sou a Mariza superstar, um dia, ao cair nesse montão de fados de Amalia, num concerto para duas mil pessoas, provoquei lágrimas e suspiros, com um inquietante e alarmante feedback de gente no final do show, de lágrimas nos olhos, a dizerem-me:"Valéria, não sabes o bem que me fizeste hoje, recordei tanto a minha vida passada...e outros ainda, ...ai que lindo, já tinha saudades..." Pois é...E a Valeria é a Valeria, a Mariza é a Mariza...e não há comparação possivel- a Mariza tem trinta anos, a Valeria tem 40 e picos, a Mariza tem os melhores musicos, a Valeria às vezes tocava ela propria a sua guitarra,mal e porcamente... , e,... the last but not the least, a Mariza tem um marido que o melhor técnico de marketing português, e a Valeria não sabe o que é marketing.No entanto, as reacções in loco dum semelhante tipo de publico foram as mesmas.Então, foi o talento da Mariza, da Valéria??? Oh pá,não me lixem...foi apenas o reviver daquelas melodias que estão já tão entranhadas na alma das gentes,as palavras que quase todos já adivinham...e que AMALIA RODRIGUES cantou!!!E o resto
é treta!!!Tenho dito!
Na Wikipédia mora um extensíssimo artigo sobre Mariza. Feito obviamente não por um fã mas por alguém do staff de Mariza. Apesar da sua extensão é evidenciada alguma preocupação aqui e ali por alguma corrente de opinião que acha que é feita por parte de Mariza, uma apropriação negativa do legado de Amália. A resposta passa por se afirmar que as canções de Amália são recriadas duma forma original e pelo ênfase nas declarações de Mariza numa entrevista onde afirma que mais gente canta Amália e que não entende tanta sacralização.
Fica por dizer o essencial. O problema não é Mariza cantar reportório de Amália. O problema é divulgá-lo como se fosse obra sua.
Claro está que já 4 comentários meus a denunciar tal facto foram apagados. É o mesmo tique do site oficial. A verdade é que foi bom ganhar dinheiro mas agora que a coisa começa a vir a lume e a ser posta a nu eles começam a ficar preocupados.
É tão simples. É só questão de ter respeito e amor por Amália. Não mora ali nada disso. Apenas irritação e receio.
Comentario muito interessante o seu, e que afinal confirma tudo o que pensava.Também a mim, já me aconteceu, duma forma didactica e pedagogica tentar explicar esse assunto, sem ofender a Mariza, e também foi tudo apagado do forum.Portanto Mariza e eos seus "vendilhoes" morrem de medo!!!
Abraço
A editora deste blog