fevereiro 15, 2004

A primeira linha da "World Music" Italiana. Alessandra Belloni-a garantia da continuidade..

Existem alguns nomes da musica tradicional italiana, que no século passado, contribuiram para uma recolha e divulgação da "world music" italiana. Desde a mítica Miglionnetti, nascida no inicio do século XX, que Massimo Ranieri revisitou nos anos setenta, até Gabriella Ferri, ainda no activo, passando por Domenico Modugno e Roberto Murolo, este ultimo,recentemente falecido,responsável por uma grande parte da recolha das diversas canções, dos diferentes dialectos de Itália. Um dos ultimos trabalhos de Roberto Murolo,contou com a participação da portuguesa Amália Rodrigues ( "Anema e core",1994). Foi mesmo,a derradeira participação da grande Diva Portuguesa, em disco(Amália interromperia definitivamente a sua carreira em 1995,por motivos de saúde,vindo a falecer em 1999). O convite de Roberto Murolo à diva portuguesa, não foi de forma alguma gratuito. Nos anos 70, Amália, faria história, gravando um album inteiramente composto por trechos tradicionais das diferentes regiões italianas,cantados em dialectos como o "siciliano" e o "napoletano". Com a particularidade de serem revisitados num acompanhamento à guitarra portuguesa, tendo no entanto, a preocupação de manter a essência dos "estilos". Uma obra que lhe grangeou vários prémios,fazendo a fadista sucesso em Itália, com um reportório típico italiano. Um caso inédito em Itália.O album "A una terra che amo", é ainda hoje ,citado em Universidades, onde a Musicologia é estudada, como exemplo de recriação artística, para além de ter sido um êxito comercial para a EMI Italiana, que o editou. Vem toda esta "conversa",a propósito dum nome, que no século presente, continua na senda da divulgação da musica tradicional italiana digna de nota, pela qualidade,inovação e respeito pelos parâmetros essenciais dessa tradição . Trata-se de ALESSANDRA BELLONI, num album de 2003, " Tarantelle e canti d`amore", um disco obrigatório para quem se interesse pela "World Music" europeia. Curiosamente,esta é uma gravação efectuada nos USA, dado que a cantora vive permanentemente num pêndulo entre Nova Iorque e Itália. Um reportório fascinante,servido por uma voz de excepção.

Publicado por Valéria Mendez em fevereiro 15, 2004 03:23 AM
Comentários

E eu que te continuo a dever um fado... (embaraçado)

Afixado por: D_Quixote em fevereiro 16, 2004 10:48 AM

Olá!!!!
Espero que se lembre de mim. Fui seu aluno no Liceu, há uns anos largos...Trabalhava no JM na altura, era da turma da Susana Ramos.
Era só para lhe dar um grande abraço (ou melhor, um grande beijo) pela coragem, pelo percurso que fez, que tinha de fazer. Ainda me lembro da sua mania que estava gorda; das suas histórias e defesa aguerrida do povo palestiniano (que me abriram os olhos a uma nova visão do conflito naquela zona) das suas histórias da escola em França, das brincadeiras que lhe faziamos e que nunca levou a mal (lembra-se daquela dos pasteis de nata, quando estava em plena dieta?) e também das aulas, claro! E da sua paixão pela Amália.
Escreva-me!! Gostava de saber mais novidades suas. E Votos de felicidade, que bem a merece.

Afixado por: Victor em fevereiro 16, 2004 09:39 PM

Olá Valéria, deixaram lá no meu universo um comentário a seu respeito que suponho poder agradar-lhe de alguma forma. É um comentário bonito. Eu gostaria que um aluno meu pudesse um dia recordar-me assim. Venho aqui trazê-lo, desconfiando que quem o deixou foi o Vítor do comentário anterior: «É engraçado...A Fadista Valéria já foi meu professor de Francês e chamava-se, na altura e salvo erro, Rui Valério.
Era um excelente professor e os seus jeitos efeminados nunca perturbaram a qualidade do seu ensino. Depois de anos a pensar que ele era gay, afinal o caso era mais complexo. Fico feliz por ver ela está feliz. Se hoje ainda arranho o francês e percebo-o perfeitamente, devo-o a este homem, agora mulher, que me deu aulas no 11º ano, na Escola Secundária Jaime Moniz. Fica aqui este testemunho, para o caso de aparecer por cá algum fascizoide a dizer que estas pessoas podem influenciar ou perturbar os jovens. Eu tornei-me mulherengo e a influência que Valerio teve na minha vida foi o ter ido ouvir Amália com os ouvidos abertos, tal o fervor com que ele falava dela.»

Afixado por: hmbf em fevereiro 16, 2004 10:52 PM

Valéria... vou precisar do teu e-mail para te enviar o fado prometido...

jinhos

Afixado por: D_Quixote em fevereiro 17, 2004 02:48 PM

O que escreves é muito bom, e é digno dum critico musical de alto gabarito

Afixado por: Ilda em maio 27, 2004 07:56 PM