Uns dias sem fazer nada,tendo como cenário um planalto tropical,na cordilheira da serra de Merida,um prolongamento geológico da cordilheira dos Andes, era desde há muito,um projecto e uma promessa. Deus,às vezes, é muito bom comigo. E Ele, transformou esse desejo em realidade. Visitar Caracas, faz há já longos anos, parte do meu percurso de vida. Estar em Caracas e avançar na "autopista" até Barquisimeto,e depois subir até Mérida, é uma aventura. Algo fantástico. Uma inspiração para qualquer antropólogo que se preze. Um regalo para o turista menos ortodoxo, mais interessado na vida real das gentes. A Cordilheira de Merida dispõe-se obliquamente no noroeste venezuelano,e são deliciosas as pequenas aldeias Indias, situadas nos contrafortes das montanhas, rodeadas de colinas e vales muito férteis. Tudo cultivado. Bonito de se ver. É o Oeste bravio da Venezuela,onde os "llaneros"(vaqueiros) guardam o gado nas planícies. Os "Llanos" (planícies) estendem-se desde o norte até à selva amazónica meridional. A densidade populacional vai descendo à medida que nos dirigimos para sul. Estamos na terra de Maria Lionza, a India que se transformou em divindade. Foi de tal forma forte, a implantação do seu culto, que ainda hoje é praticado lado a lado com o catolicismo,sem que um diminua o outro. Em muitas casas há um recanto,onde se ergue um altar,onde dominam lado a lado ,as figuras de Nossa Senhora, Jesus e ...Maria Lionza. Frente a Ela,as velas ,as frutas, as bebidas e os charutos ,são as oferendas à Deusa. (Leia a minha crónica "La Bruja Mayor"-19 de Setembro). Aqui no Oeste Venezuelano são claras as origens daquele povo. Não exclusivamente uma mistura entre Indios e Europeus,mas também uma ascendência Africana. Na era colonial,os traficantes de escravos trouxeram os negros, para trocá-los por café e tabaco. Hoje,a Venezuela é o produto desse "melting pot", um cadinho étnico especial que resistiu aos salteadores europeus que buscavam o ouro,e já no século XX, os "gringos" que vieram explorar o petróleo,uma fonte importantíssima para o país, que durante décadas foi "roubado" pelas multinacionais americanas, que compraram a consciencia dos sucessivos governos da Republica. Com Hugo Chavez Frias, tudo mudou. Foi o primeiro governo, a dizer um não redondo ao imperialismo americano. Por isso mesmo, a sociedade mais "americanizada",constítuida pelos grandes capitalistas,e uma classe alta habituada a um estilo de vida verdadeiramente desproporcional à realidade vivida pelo povo, fomenta todo o tipo de manifestações discordantes,com o apoio incondicional da CIA. O povo,esse, não vê em Chavez Frias, o ditador que George Bush insinuou recentemente. O povo vê ,os médicos que lhes entraram pelo "rancho" dentro para tratar das suas maleitas,vê as Escolas para crianças e adultos que se multiplicaram às centenas nas periferias das grandes cidades,vê os subsidios a fundo perdido dado aos agricultores de todo o país para que se modernizem,comprem tractores,alfaias agrícolas,etc, vê a protecção que o governo dá aos produtos nacionais,e finalmente também vê serem implementados os deveres do cidadão,como o de pagar impostos. Isso foi a gota d`água. Movimentou-se logo uma forte oposição, liderada, claro está, pelo grande capital. Apelidar-me-ão alguns conterrâneos meus, de "Chavista". Garanto-lhes redondamente que não. O que transmiti nestas linhas, foram constatações. Vistas e relatadas in loco. Nada mais.
Publicado por Valéria Mendez em janeiro 17, 2004 03:02 AMAceitamos e acreditamos...
Tomara que tenha razão...
Sinceramente.
Um abraço,
Francisco Nunes
P.S. De qualquer forma há algo de quixotesco no Foro...
Afixado por: Planície Heróica em janeiro 18, 2004 12:09 AM