Tinha de ser. Antes de tomar a "nave-traghetto",em direcção à Sicilia,tinha de honrar uma velha promessa. O meu antigo colega de Faculdade, o sueco Per, também. Surgira agora a oportunidade. Para mim, de participar numa Gala de Beneficência na Sicilia,e para o Per, de tirar uns três diazinhos da sua actividade de docente, na Universidade de Upsalla. Por isso,eu e o Per,haviamos marcado encontro na Galeria de Arte que houvera pertencido a Ada(Leia-se a Crónica "Promenade des Anglais", 4 de Setembro/03),a nossa maravilhosa colega italiana,de Reggio Calabria, que da lei da vida se libertou, num acidente atroz,há quatro anos.A nova proprietária da Galeria, a sua irmã mais nova Lorenza,já nos esperava,emocionada pelo facto de nunca termos esquecido Ada. Eu cheguei de manhãzinha pelas 9 horas. O Per chegou duas horas depois. E, com os nossos olhos aguados, rumamos os três para o Cemitério "dell`Annunziata". Na mão, levava um bonito ramo de flores da Madeira, que penosamente transportara em sucessivos voos, até finalmente chegar ao extremo sul da "bota". As flores, acusavam já o cansaço. Representavam porém,o meu amor por Ada, a minha gratidão pelos belos momentos de tertúlia que viveramos há vinte anos, na cidade francesa de Nice. O Lancia Thesis ,de Lorenza abranda a marcha e, eis-nos chegados ao derradeiro reduto ,da sua bem amada irmã. Passeando por entre moradas etéreas impecávelmente decoradas,o olhar de Lorenza advertiu-nos que havíamos chegado ao nosso destino. E lá estava ela,numa fotografia a preto e branco. Sorriso franco de quem gostava da vida. Ali. Confinada às paredes do seu jazigo. Sentámo-nos no chão. Ofereci-lhe as flores. O Per depositou uns versos feitos por ele,em Francês,o idioma que nos tinha aproximado. Falámos com ela. De tantas coisas, dos tempos que passámos juntos na Côte d`Azur,das peripécias que vivemos, das célebres aulas de Literatura Comparada, da Professora Alice Planche, que tanto Ada apreciava. Sob o olhar um pouco atónito dalguns passantes, ali estávamos os três,como se fossemos quatro, sentados no chão, falando de, e com Ada. Duas horas depois, diziamos um "até breve" à doce amiga "calabrese". A Lorenza fez questão de nos acompanhar até Catalnissetta,na Sicilia. Foram mais de três horas, depois do trajecto de "overcraft",entre Reggio C. e Messina,na Sicilia, onde penetrámos no interior da ilha, atravessando toda a zona montanhosa de Enna, descendo até o vale,e depois subindo um pouco até Catalnissetta,no centro da Velha Ilha... (CONTINUA)
Publicado por Valéria Mendez em dezembro 5, 2003 01:59 AMbons olhos te vejam... ou, no teu caso, bons ouvidos te ouçam...
tenho para ouvir o álbum da Mariza 'Fado Curvo' e gostava de ter a tua opinião antes de o ouvir...
Afixado por: Ana [Lua] em dezembro 5, 2003 05:02 AMAté que enfim, um sinal de vida...
Um abraço,
francisco Nunes.
Ter amigos é continuar a viver nos seus corações.
Afixado por: Rui em dezembro 12, 2003 01:28 PM