Houvera estado, por mais de um mês,na velha e perturbante cidade de Jerusalém,onde participara num grande espectáculo de solidariedade ,organizado pela Peace Now,precedido duma manifestação que englobara pacifistas de diversas nacionalidades,exigindo soluções justas para pôr fim, ao conflito israelo-árabe. Chegara a hora ,de rumar verso Aman,a capital da Jordânia,onde participaria em diversas actividades, relacionadas com os refugiados palestinianos naquele país.As medidas de segurança do Aeroporto Ben Gurion,em Tel Aviv,exigiam a presença dos passageiros ,quatro horas antes do voo.Eram as habituais revistas à bagagem,o interrogatório sobre o motivo da nossa estadia em Israel,e (pasmem-se !) as razões que nos levavam a Aman. Como a El Al,não viaja para Aman,tinhamos de ir até Nicósia,no Chipre,e de lá tomar outro avião para a capital Jordana.Portanto, iamos para trás,para poder seguir em frente. Uma viagem curta ,transformava-se numa grande viagem,assim de repente... Aterramos em Aman, pelas 15 horas.Estava um dia de sol radioso,que nos havia brindado com uma panorâmica da cidade e arredores. Afigurava-se-me ridiculo, termos feito esta viagem para Aman,de avião, dado que poderiamos tê-la feito de carro,com pouco esforço.Afinal, teriamos só de chegar a Ramallah,vindos de Jerusalém,e rumar até Jericho,contornar o norte do Mar Morto,e dali, seriam uns escassos 38 Km ,até à capital da Jordânia. Imperativos de segurança, devido aos confrontos existentes em Ramallah,haviam-nos impedido de viajar por terra.Afinal,a Jordânia, é o país com maior numero de refugiados palestinos,e teriamos pouca chance de chegar até à fronteira, sem correr o risco de sermos detidos pelo exercito judaico,ou até mesmo ,de levarmos com um rocket em cima,pois a politica militar de Israel é "disparar primeiro,e perguntar quem é depois",segundo rezava uma crónica do Jornal palestiniano Al Fajhr. Tal como Lisboa, Aman foi erguida sobre sete colinas,e à primeira vista, respira-se um ar de modernismo e prosperidade.Lado a lado ,coexistem estrangeiros e locais ,que por sua vez toleram as opções mais liberais,daqueles que esqueceram um pouco ,a tradição mais arreigada,no que concerne ao vestuário feminino.Por consequência,nas ruas e avenidas, coexistem pacificamente as mulheres vestidas duma forma mais fundamentalista ,e outras,completamente ocidentalizadas.Os campos de refugiados das Nações Unidas elevam-se a dez,e o governo Jordano, fez sempre questão de dar todo o apoio,incluindo a concessão da cidadania Jordana.Hoje,mais de metade da população da Jordânia é palestiniana,e todos participam activamente na vida económica e política do país.Não fora a Jordânia,uma monarquia que admitiu uma americana como Rainha. É evidente que, sendo um país muçulmano,há sempre determinadas restrições de ordem moral e cívica,no entanto, mais de 70% da população é alfabetizada,havendo grandes discrepâncias sociais e culturais entre os habitantes das poucas cidades existentes,e a população rural das aldeias, e tribos nómadas beduinas do deserto. Não é raro, vermos nas avenidas de Aman,a passagem dessas tribos que vagueiam com seus camelos carregados de mantimentos. No Hotel onde nos hospedaramos,respirava-se um movimento descontraído de americanos e europeus, muitos deles jornalistas, que haviam vindo para a cobertura da Guerra do Golfo, que terminara há umas escassas sete semanas.Comigo , estavam dois jornalistas italianos do" Manifesto" e do "Il Resto del Carlino", três deputados franceses,um representante da Autoridade Palestiniana,o grande Georges Moustaki, baladeiro e poeta de intervenção, a cantora Collette Magny, uma espécie de Joan Baez à francesa, nome muito respeitado da "Chanson Engagée",e um grupo de musica tradicional palestiniana,com cerca de trinta elementos, todos residentes em Aman,e que se haviam juntado a nós,para um espectáculo,precedido duma Conferência/Debate sob o título de " Que Novos Caminhos para a Palestina",patrocinado pela "Association France-Palestine",com o apoio da OLP.O debate foi profícuo e interessante,mostrando-nos uma Autoridade Palestiniana, sem qualquer rasgo de fundamentalismo,e a participação de estudantes universitários,que claramente demonstraram uma cultura democrática bastante acentuada. No final, houve musica,fechando o evento a grande cantora francesa, e o grande baladeiro Moustaki, que chegou até a compôr para Edith Piaf, apelando à PAZ e à concórdia ,entre os dois povos em conflito. Sendo eu,a figura menos conhecida,coube-me iniciar as "hostilidades musicais",interpretando com playback instrumental ,três clássicos da Musica Portuguesa,terminando a minha actuação com "Ma Liberté",de Georges Moustaki.Fora, mais uma experiencia unica e inolvidável,que não passou despercebida pelos Media Jordanos,tendo honras de TeleJornal da Estação de Televisão Publica. Um mês depois,já em Portugal,recebia pelo correio uma cópia do " Il Manifesto", que, a dada altura, rezava assim: "...e il Fado,la canzone popolare del Portogallo, nella voce della cantante Valeria Mendez,pacifista ed attivista del Comitato Francese per la Palestina, è stato un momento di colore esótico,davanti ad un pubblico piuttosto interessato ai contenuti politici della Conferenza...". Fiquei contente. Pelo menos uma vez,o meu nome havia aparecido num jornal italiano.Enfim...Como sempre digo,"pequenos feitos...grandes vitórias."
Publicado por Valéria Mendez em novembro 13, 2003 05:18 AMgostei de ler. de a ler. vou voltar. beijo.
Afixado por: wilson t em novembro 13, 2003 12:35 PM