Georges Moustaki, Collette Magny, Sarah Alexander, Mohammed Bhar, e eu, haviamos actuado no final da manifestação da Peace Now, junto às vetustas muralhas da cidade velha de Jerusalém. Vários nomes da política israelita de centro e esquerda, e diversas personalidades da vida publica palestiniana, tinham ali discursado perante a mole imensa de gente ,que ali estava de mãos dadas pela Paz. À noite, no Hotel St Georges, o Embaixador Francês em Israel, oferecia um jantar aos activistas, artistas e personalidades que tinham emprestado o seu nome , pela Paz no Médio-Oriente. Na minha mesa, concentravam-se os artistas convidados. Ao meu lado, Georges Moustaki- Um homem deslumbrante, que nos regalou com a sua sabedoria e peripécias de "chanteur engagé". Dizia Moustaki, que "a canção de intervenção é muito mais do que uma arma,é o processo mais criativo de subliminarmente fazer emergir das massas,o desejo pelo exercício da liberdade e do respeito pelos Direitos Humanos ". A noite foi profícua em intervenções informais, porém sempre dum aguçado espírito de observação da realidade. Lá para o final do jantar, os artistas presentes deram um ar de sua graça, interpretando algumas canções . Georges Moustaki presenteou-nos com algumas das suas baladas, sempre cheias de simbolismo e de mensagem. Chegada a minha vez, pedi desculpa a Moustaki pela audácia, peguei na minha guitarra, e comecei a cantar as primeiras notas de" Ma liberté", um poema do baladeiro francês, mas adaptado a uma musica de minha autoria. No final ,Moustaki agradeceu-me por me ter lembrado daquele seu poema ,segundo ele " esquecido". Collette Magny disse-nos também, que tinha sido um momento estranho ,e ao mesmo tempo universal-a fusão entre o poema dum baladeiro ,e uma cantora de fado. Foi um dos raros momentos preciosos ,do meu percurso como artista. Nunca gravei essa canção. As editoras dizem que não sao lucrativas as peças do meu reportório. Não sou ambiciosa. Canto porque gosto de Poesia. Houve quem dissesse o mesmo a José Afonso ou a Adriano Correia de Oliveira. É assim certa " intelligentsia" do meu país.Mas o que interessa, é viver. Sem amarras, sem ter de fazer concessões, sem vender os nossos ideais. A riqueza ,é só um bem material. E eu, só preciso dumas roupas para vestir e dum pouco de pão para comer. . .
Publicado por Valéria Mendez em setembro 28, 2003 05:13 PMconfesso que não tenho tido muito atenção ao mundo dos blogs... mas como sempre e sempre que posso aqui o cantinho da senhora ilustre fadista será sempre visitado :)
uma coisa que admiro é a capacidade para escrever que eu perdi... não tenho tido a calma para sentar-me e ficar a escrever noite dentro como antes fazia... enfim talvez recupere essa vontade... por agora fico-me sempre pelos meus simples post's :)
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Olá Valéria,
que maravilha... num só post lembrares-me do Moustaki, do Adriano e do Zeca, de contares essa história linda e ainda por cima dizeres q não vendes os teus ideias (esta parte já se sabia mas...)
Um grande beijo
Olá Valéria,
Tens sido uma inspiracao e uma verdadeira revelacao. Vou tentar conhecer um pouco mais do teu trabalho e como sempre continuar a passar por aqui.
Abracos